sexta-feira, 22 de junho de 2012

Jiu Jitsu promove Inclusão Social

                                                            Arquivo Bauer Team Gracie Barra
 Esporte democrático: crianças, jovens,mulheres
Walquíria Domingues
“O Jiu Jitsu é um xadrez de corpo para as pessoas inteligentes”, diz o Sensei Ronald Bauer, 43 anos, são-joanense oito vezes campeão mundial de Jiu Jitsu. “Você tem que saber se mover, onde coloca a mão, a perna. Depende de muita concentração”, explica. Bauer é muito conhecido em São João del-Rei e região pela sua academia, seus títulos, sua paixão pelo esporte e pelos seus projetos sociais. Com ele e seus atletas é possível ver que a luta não é só no tatame, mas no dia a dia, fazendo com que o esporte seja presença positiva na vida das pessoas.

Jiu Jitsu
“O Jiu Jitsu nasceu na Índia, da Índia ele foi pra China, da China para o Japão, e do Japão ele veio para o Brasil, em 1917, para o Pará”, conta Bauer. O esporte foi trazido por um monge japonês, Esai Maeda Koma, que veio em missão diplomática e começou a ensinar a algumas pessoas, surgindo daí os vários mestres que ajudaram a difundir o esporte pelo país. O Jiu Jitsu, que significa “arte suave”, é uma luta que se fundamenta na auto defesa, através do equilíbrio, do sistema de articulação do corpo e das alavancas, e evita o uso da força. “A luta nasceu por causa do fraco, porque o forte chegava e batia. O fraco é que teve que aprender a se defender”, explica.

Uma das artes marciais mais antigas, que segundo o Sensei Bauer data de 2000 a 2500 a.C., O Jiu Jitsu é basicamente feito de técnicas suaves. “Você usa a força do oponente contra ele mesmo. Se a pessoa me empurra, eu puxo, e assim eu fico mais forte do que ele. Se ele me puxa eu empurro. A gente não vai contra”, ensina Bauer.

As técnicas no Brasil também foram sendo aperfeiçoadas, e transpassaram os ensinamentos tradicionais dos japoneses. Talvez por este motivo o esporte no Brasil seja hoje o mais forte do mundo. “Hoje o Jiu Jitsu brasileiro é o mais forte, o melhor do mundo, por causa dessa habilidade e jeitinho brasileiros. O japonês passa as técnicas e não muda nada, já o brasileiro diz, e se eu fizer assim? Então fomos criando um estilo próprio”, afirma.

O esporte em SJDR
Em São João del-Rei o Jiu Jitsu surgiu dos treinos de Judô. “Eram meus professores Domingos, o Dr. Raul e o João Alberto (Beto), que começaram a difundir o Jiu Jitsu aqui em São João del-Rei, e eu fui aluno deles”, relembra Bauer, que hoje tem sua própria academia e “discípulos”. “Em São João temos hoje três academias de Jiu Jitsu, a Bauer, a Black Belt e a Araidô, que é do mestre Beto”, diz. A Academia Bauer Team Gracie Barra cresceu e hoje tem filiais em Juiz de Fora, Oliveira, São Tiago, São Francisco e Visconde do Rio Branco. “Todas tem seus instrutores de Jiu Jitsu, que são supervisionados por mim, pois sou mais graduado”, conta o Sensei.

A respeito da graduação, Bauer explica que a hierarquia é muito respeitada no Jiu Jitsu. “A criança começa na faixa branca, depois, de tiver menos de oito anos vai pra faixa azul clara, se tiver mais de oito anos ele já pega a amarela, depois a laranja, depois a verde, depois a azul, que já é de adulto, depois a roxa, a marrom e a faixa preta”, explica. Em cada cor há quatro graus, que são os estágios que o lutador passa antes de galgar outra faixa.

Além da hierarquia, outro fator levado muito a sério é a disciplina, tanto pelas crianças quanto pelos adultos. “No caso das crianças eu faço um trabalho de interação com os pais. Eu acompanho os meninos na escola, e para mudar de faixa eles têm de estar com nota boa, o comportamento em casa tem de estar bom, os pais tem de falar que eles estão fazendo as tarefas, que obedecem, etc”, explica Bauer. Como é uma atividade que as crianças gostam muito, fica mais fácil fazer tais cobranças. “Muitos pais me procuram aqui e falam: Bauer, o menino está mal na escola, ou ele não quer comer”, diz. O Sensei então instrui e afirma que na maioria das vezes é mais ouvido pelas crianças do que os próprios pais.

Outro lado positivo da luta para as crianças é que a hiperatividade consegue ser controlada. “Às vezes, a criança é muito hiperativa, agitada, então na luta a gente consegue canalizar essa energia, deixar o menino mais calmo e centrado”, explica o Sensei. Além disso, é trabalhada a coordenação motora e o contato, no que diz respeito à perda da timidez, e também a concentração. “Como é uma luta que exige o pensar rápido, isso as ajuda na escola, no sentido de concentração”, acredita.

Não só as crianças, mas os adultos também precisam andar na linha. Como é um esporte de contato, de luta, os alunos de Jiu Jitsu devem ter autocontrole. “Eu falo pra eles que a partir do momento em que começam a treinar eles deixam de ser leigos, então eu não permito que um aluno meu se envolva em briga”, diz Bauer. “O importante é que o cara se desenvolva não só como atleta, mas como pessoa. O esporte vem para isso, pra ajudar a suprir a falta de disciplina que vem se instaurando na sociedade”. As pessoas têm o costume de associar um lutador à violência, e hoje isso vem sendo superado. “O lutador é um cara controlado, nosso nível de tolerância é muito maior do que o de uma pessoa comum”, afirma.

O autocontrole e a disciplina fazem parte da vida das pessoas que levam o esporte a sério. É o caso de Jonathan William Gonçalves, 28, Diretor de Mídia. “No Jiu Jitsu tem uma frase bastante usada: apaga mais não bate. Quando você está sendo finalizado, você faz de tudo para não desistir, mesmo que a conseqüência seja você apagar na luta. Daí é o mesmo que não desistir dos desafios do dia a dia”, explica.

O esporte também foi positivo na vida do lutador Rodolfo Grau, 26 anos, professor de Educação Física e Jiu Jitsu. Ele conta que começou a treinar Jiu Jitsu com o Bauer desde os 9 anos de idade, junto com seu irmão, Ramon Grau, também professor de Educação Física. “Lembro que meu pai me levou, porque já conhecia o trabalho do Bauer e sabia dos benefícios em relação a autocontrole, disciplina e saúde das artes marciais”, diz. Hoje ele segue os ensinamentos de Bauer e atende as crianças da Apae de Ritápolis e mais cerca de 100 crianças em um projeto social da prefeitura, além de ser instrutor de Jiu Jitsu em Resende Costa.

                                                                                                                                                         Arquivo Bauer Team Gracie Barra 
JJ traz disciplina e outros benefícios para crianças
Campeonatos e conquistas
“O campeonato é cansativo, às vezes eu faço de seis a oito lutas num dia só”, diz Ronald Bauer. Oito vezes campeão mundial de Jiu Jitsu, agora ele quer começar a levar seus atletas para disputar os campeonatos estaduais, brasileiros e internacionais, e já tem o feito. “Eu tenho aqui na academia campeões mineiros, brasileiros e tenho até um campeão mundial, o Cleiton. Tenho um aluno, o Fábio, que foi campeão agora na Argentina, na Copa Mercosul”, orgulha-se.

Cada campeonato tem várias etapas durante o ano, e Bauer, que também é vice-presidente administrativo da Federação Mineira de Jiu Jitsu, diz que este ano, ele e sua equipe só estão em segundo lugar no ranking geral por falta de apoio. “Só não estamos em primeiro lugar por falta de apoio, pura falta de vontade política”, diz. Para manter as idas de seus alunos aos campeonatos, Bauer diz que faz até mesmo rifas. “Os empresários acham que pra patrocinar um atleta tem que desembolsar muito dinheiro, e não é assim”. O patrocínio é somente para a inscrição nos campeonatos, filiação na federação, passagens e kimonos. “É pouca coisa, uma inscrição de um campeonato é mais ou menos R$60, uma filiação na federação gira em torno de R$20”, afirma.

Projetos sociais
 Além dos campeonatos e das vitórias, Bauer e seus atletas dão um show de luta com projetos sociais para tirarem crianças e jovens da rua. “Damos aulas para as crianças que não tem condição de pagar, a gente corre atrás de kimonos, doações, as vezes eu mesmo compro alguns kimonos. Eu também libero algumas bolsas aqui na academia, para estar ajudando, pois eu acho que a melhor forma de inclusão social é através do esporte”, explica Bauer, que tem conseguido de fato tirar muitos jovens e crianças da rua, tornando-os atletas e até mesmo campeões. Tenho conseguido tirar muitos meninos da rua e conseguido formar muitos campeões.

São aulas gratuitas em bairros carentes de São João del-Rei e em cidades vizinhas. Em Santa Cruz de Minas, Bauer supervisiona dois de seus alunos, que se formaram com ele, para que dêem aulas gratuitas para as crianças carentes. No bairro Araçá, em São João, ele atende em torno de 90 crianças, e no Tijuco mais 50. “Se não fosse a falta de vontade política eu poderia estar atendendo muito mais crianças e colocando outros instrutores pra dar aula. Se eu tivesse como dar uma ajuda de custo para o instrutor, creio que eu poderia estar ajudando cerca de 400 crianças. Tem um aluno meu de São Tiago, que dá aula lá, e lá a prefeitura banca tudo. Querendo ajudar, acho que tem jeito de tirar muita criança da rua”, acredita. 

O Projeto "Amigos do Esporte", que visa tirar crianças e adolescentes das ruas por meio do esporte, e que já faz isso com mais de 140 crianças, desde 2006, conta com a parceria de algumas instituições da cidade. Outro projeto, o “Adote um Atleta”, já é uma atividade social e esportiva centrada no treinamento do Jiu-Jitsu, sem onerosidade ao atleta, somente com finalidade educacional e competitiva, para que ele seja amparado numa estratégia de desenvolvimento e inclusão social, de iniciativa e realização da Academia Bauer. Este projeto tenta conseguir recursos para que atletas carentes possam participar de competições oficiais de entidades representativas de Jiu-Jitsu como a Federação Mineira de Jiu-Jitsu e Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ).

                                                                 Arquivo Bauer Team Gracie Barra
Turma feminina de Jiu Jitsu com seu certificado
Mulheres, sim!
Hoje o preconceito com as mulheres nessa modalidade de esporte já foi superado. “Hoje elas conquistaram seu espaço. Hoje umas das lutas mais bonitas que vejo nos campeonatos são da categoria feminina, é um show de técnica. A mulher é bem mais inteligente, ela pensa mais pra se movimentar, é uma luta muito bonita”, diz Bauer, que é casado com uma Faixa Preta. Sheila Bauer, professora de ginástica e Jiu Jitsu, inclusive também já é campeã mundial de Jiu Jitsu. “Toda terça e quinta temos aula de Jiu Jitsu para mulheres. Montamos uma turma feminina, e este ano na primeira etapa nós fomos campeões na categoria feminina do campeonato mineiro. A professora Sheila, minha esposa, também é faixa preta. São hoje 15 alunas na academia de SJDR”, diz Bauer. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Peço

Peço é um vídeo feito especialmente para celebrar o dia dos namorados. O curta foi produzido pela Pato Preto, uma produtora recém-nascida criada por alunos do curso de Jornalismo da UFSJ.


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