segunda-feira, 16 de julho de 2012

Interatividade é arte

                                                                                                                                                      Eduardo Lopes/25° Inverno Cultural da UFSJ
Espetáculo de dança interage com o espaço, a arquitetura e as pessoas



Walquíria Domingues

O cotidiano, o tempo que passa sem ninguém se importar. De repente a arte pede para atravessar a rua. A dança brinca na praça, interage com o ambiente. Daí as pessoas saem do transe do dia a dia e param, pra ver o que é possível, param por causa do barulho, para ouvir a música, o som que sai do saxofone no meio da praça. Essa é a arte que inclui e que convida para entrar no espaço. O espectador se torna parte do espetáculo, dança, brinca, assim como a paisagem, o ambiente, a arquitetura. E hoje o Largo São Francisco, e quem passava por ele, acordou para a arte. O grupo mineiro Quik Cia. de Dança, de Nova Lima (MG), apresentou às 16h o espetáculo “Ressonâncias”, no 25° Inverno Cultural da UFSJ.

Criada por Letícia Carneiro e Rodrigo Quik, a peça parte de referenciais que dialogam com a improvisação, estabelecendo junto à platéia conversas envolvendo a dança, a música, o espaço ao redor e a arquitetura, transformando tudo em uma única formação. O objetivo da dança é este,mostrar a transversalidade da arte para refletir o cenário vivo de cada local de apresentação, permitindo aos interlocutores revelarem suas imaginações.

“Eles têm um trabalho de apropriação dos espaços. Selecionamos aqui em São João del-Rei espaços possíveis pra poder fazer o mesmo espetáculo, entre aspas, porque é um novo espetáculo, sempre”, diz Diogo Horta, um dos coordenadores de Artes Cênicas do Inverno Cultural. Ele diz isso por que a cada apresentação o espetáculo ganha a forma do local, o jeito da cidade, a atitude das pessoas. “Trabalhamos nessa linguagem do improviso, junto com o público. Então cada espetáculo é de um jeito”, explica Letícia Carneiro.

                                                                                                                                                  Eduardo Lopes/25° Inverno Cultural da UFSJ
Espectadores se tornam atores
O propósito de dialogar com as realidades locais fez com que o público ficasse totalmente envolvido com o espetáculo, e as improvisações foram tão harmônicas que pareciam parte integrante original da dança-espetáculo. A são-joanense Aparecida Maria dos Santos, aposentada, 75 anos, diz que é a primeira vez que participa de algo do Inverno Cultural. “Adorei não só assistir, mas também de participar. Eles me puxaram lá para o meio, eu adorei”, conta. Ela acha que o que falta na arte é fazer com que todos participem da forma como aconteceu durante o espetáculo.

“A ideia do Kairós a gente tem que puxar para o nosso cotidiano de alguma maneira, parar pra ver uma palmeira, parar pra ver a beleza da cidade”, diz Letícia Carneiro, estabelecendo uma relação com o tema do Inverno Cultural. As pessoas passam sempre pelo mesmo lugar e acaba banalizando o monumento, o espaço, o caminho. A proposta, bem realizada, no Largo São Francisco, foi essa. “Criamos sentindo nessa ocupação de espaço, pra esse contexto, pra essa cidade, pra esse patrimônio. Cada espetáculo é uma experiência nova”, afirma. O espetáculo realmente mostra que é possível parar um pouco e sentir o caminho por onde se passa todo dia, aproveitar de fato o lugar cotidiano.

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