quarta-feira, 23 de maio de 2012

Kairós, um tempo possível: Inverno Cultural comemora 25 anos da UFSJ

                                                                                                        Anna Júlia Silveira
1ª coletiva de imprensa do 25° Inverno Cultural

Walquíria Domingues


As primeiras informações sobre o 25° Inverno Cultural da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) foram apresentadas à imprensa na coletiva realizada ontem, 22, no Centro Cultural da UFSJ (Solar da Baronesa). O Reitor Helvécio Reis, juntamente com a Vice-Reitora Valéria Kemp, o Pró-Reitor de Extensão Marcos Vieira Silva, o Presidente da Fundação de Apoio à Universidade (Fauf) Jucélio Luiz de Paula Sales e a Diretora da Divisão de Projetos e Apoio à Comunidade Universitária e Coordenadora Geral Inverno Cultural Telma Valéria de Resende apresentaram o evento, o maior Programa de Extensão da Universidade, que acontecerá entre os dias 14 e 28 de julho, em São João del-Rei e cidades vizinhas.

O tema do festival é “Kairós, um tempo possível”, e se remete a uma divindade grega, que representa o tempo propício, oportuno, ou o tempo de Deus. “Para homenagear o Festival de Inverno em si e também a UFSJ e o próprio efeito dessa efeméride na nossa história, hoje foi discutido e aprovado pela comissão organizadora o nosso tema”, conta Helvécio. Segundo suas interpretações, o Reitor explica que Kairós é um deus grego, filho de Kronos. E Kairós é um tempo que não é medido cronologicamente. “Serve para mostrar que não dá pra medir os benefícios da UFSJ e do Inverno Cultural em números. Não dá pra medir cronologicamente esses 25 anos e tirar daí um resultado mensurável. As nossas conquistas não são mensuráveis”, diz.

O Inverno Cultural de 2012 começa sob a gestão de um reitor e termina com a gestão de outra reitora. “É um Inverno que acontece num momento de transição da reitoria. Temos outro aspecto muito importante que é a efeméride de 25 anos da UFSJ, que foi criada no dia 21 de abril de 1987”, explica Helvécio. Contando sobre a tragetória do festival, o Reitor fala sobre a passagem do Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que deu início a tudo. “Naquela época, por falta de recursos e apoio da prefeitura municipal, que não quis ou não pode, pelo menos, aportar os recursos para a manutenção do Festival de Inverno da UFMG aqui em SJDR, criou-se uma lacuna, e a sociedade são-joanense demandou a manutenção de um festival no meio do ano. Coube à UFSJ incorporar esse protagonismo. Iniciamos um Inverno Cultural moderno, mas que ao longo do tempo foi mudando seu formato e crescendo”, acredita.

Programação se formando
Oficinas, shows, festival de bandas e apresentações de música e teatro são o que norteia as atrações desta edição. O Inverno Cultural de 2012 se divide em sete grandes áreas. Música, Arte-Educação, Artes Cênicas, Literatura, Artes Visuais, Artes Plásticas e Especiais. “Normalmente as oficinas marcam muito bem essas sete áreas, e nós tornamos o Inverno cada vez melhor e complexo. Crescendo a cada ano o número de atrações internacionais, por exemplo, que estamos trazendo à SJDR para participar da programação do festival”, diz o Reitor.

O orçamento do Inverno Cultural no ano de 2004 foi de 560 mil reais. Hoje, com esta verba o festival é irrealizável. “Criou-se uma dimensão tão grande, que nossos orçamentos hoje beiram a 1,5 milhão, três vezes mais que em 2004. O número três tem sido a característica da universidade. O número de professores triplicou, de técnicos, de alunos. Isso tudo dá em média três UFSJ”, vangloria Helvécio, orgulhoso dos resultados.

Uma grande novidade deste ano é que todas as inscrições serão feitas on-line, evitando enormes filas e desgaste por parte dos interessados em oficinas e outros eventos. “Esse ano, em termos de organização técnica, a gente tem uma novidade também, que é a primeira vez que nós vamos ter a inscrição das oficinas on-line. Nós pretendíamos e agora conseguimos. É uma vitória da equipe. A pessoa que não puder fazer em casa, por que não tem computador, vai poder fazer aqui na Pró-Reitoria. Nós vamos disponibilizar máquinas aqui para garantir o acesso à todos”, ressalta Marcos Vieira.

Atrações confirmadas
Marcelo Rocco, Vitor Flausino da Cunha Filho e Lika Rosa ministrarão oficinas de Artes Cênicas, como a “Memórias da Pele e outras histórias”. Em Arte-Educação o destaque fica com a oficina “Entre Tempos Entretemos”, que criará telas com pinturas e outras técnicas, fazendo um paralelo entre o tempo cronológico, de Kronos, e o momento da obra, da percepção, de Kairós, fazendo alusão ao tema do festival.

A intervenção artística de Hilal Sami Hilal, nas Artes Plásticas, acontecerá no Centro Cultural da UFSJ. “Outra oficina importante é a voltada para públicos com necessidades específicas e que tem como público-alvo alunos da APAE”, fala Marcos Vieira. Já nas Artes Visuais, o Inverno contará com as consagradas oficinas de fotografia e oficinas para crianças e adolescentes. Na área de Especiais, serão disponibilizadas 300 vagas para oficinas variadas, de educação ambiental ao artesanato.

A Literatura contará com exposição de poemas objetos, do poeta são-joanense Mário Alex Rosa, que foi apresentada no último Fórum das Letras, em Ouro Preto, e em outras cidades. Também haverá a noite de poesia Desencontro Desmarcado, com os principais poetas mineiros, como Jovino Machado, Ana Elisa Ribeiro, Aroldo Pereira, João Evangelista Rodrigues, Ronald Claver, Grupo Barkaça e Grupo Lesma.

Finalmente, na área de Música, as oficinas terão três principais eixos: Instrumentos, Percussão e Criação-Apreciação. Para tais eixos, as oficinas contarão com a presença do percussionista Yousif Sheronik (Oriente Médio), do violinista Katherin Lockwood (Austrália), e do bandolinista Marcos Frederico (Brasil). As participações internacionais, assim como as nacionais e regionais engradecem o festival, e, segundo Valéria Kemp, “que as oficinas possam continuar formando pessoas nas áreas de arte e cultura, dialogando com pessoas que vem de várias partes do país”.

Impasses
Com relação à lei municipal que proíbe eventos nas principais ruas da cidade, Helvécio acredita que, se vale para uns, deve valer para todos. Quando perguntado sobre o local dos grandes shows do festival, que no ano passado correram o risco de serem deslocados para o Parque de Exposições, Helvécio propôs que a lei fosse realmente válida, ou para todos ou para ninguém. “Nós ainda estamos negociando os grandes shows. Em alternativa, deslumbramos o Campus Santo Antônio, mas, porque pode pra alguns e para outros não pode? Eventos têm acontecido na cidade, e acho que se não pode, não pode pra ninguém. O democrático é isso, a lei tem que valer para todos. Mas, se existe a lei, a UFSJ cumpre”, afirma. O Reitor acredita que, como o formato do festival é democrático, a avenida é o melhor local para realização dos shows. “Qualquer pessoa que queira assistir o show, é só chegar”, diz.


Universidade e comunidade
Em entrevista ao Observatório da Cultura, Marcos Vieira diz que o Inverno Cultural está cada vez mais abrindo espaço para a comunidade artística local. “Dá muito mais mídia uma atração internacional, mas nós sempre temos atividades voltadas para os artistas locais. Nós temos apresentações de gente daqui, tanto em oficinas quanto em eventos. Temos também oficinas feitas por artistas locais, além de contarmos com atrações da cidade e região”, afirma.

“A gente tem feito parceria com grupos locais, não só para o Inverno Cultural. A programação do Centro Cultural da UFSJ, por exemplo, até o final do ano, será composta por artistas locais”, diz Marcos Vieira. Há casos de pessoas que hoje dão oficina, e que já foram alunos de oficinas em edições anteriores. É o caso do Paulo Filho, fotógrafo reconhecido que tomou gosto pela fotografia nas oficinas do festival. “Quem participa do Inverno Cultural com certeza é uma pessoa melhor pra sempre, já que cultura e arte fazem parte uma cidadania emancipatória”, acredita.

Um comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...