quarta-feira, 16 de maio de 2012

Contrariando estatísticas: Skate, arte, esporte e cultura

André N. P. Azevedo
Skatistas fazem suas manobras na pista em evento da Custom Skate Art

Anna Júlia Silveira, André N. P. Azevedo
Thiago Morandi, Thamiris Franco e 
Walquíria Domingues


“Já nasci com o skate”, fala Francisco de Assis, o Tito, 25 anos, skatista de Santa Cruz de Minas (MG) e criador da marca Custom Skate Art. A Custom, que mais do que marca é referência do skate em Santa Cruz, São João del-Rei e região, promove o esporte no âmbito social, cultural e ecológico há quatro anos. Hoje é impossível falar de skate na região sem falar da Custom. “Ela é um estilo de vida”, explicita Tito. Através de eventos sociais e culturais, ele e seus colegas resgatam as crianças e jovens das ruas para ensinar um esporte, uma arte e um novo caminho.

Trajetória
Tito já se imaginava skatista desde moleque. Tudo começou quando um rapaz se mudou para Santa Cruz de Minas e levou um skate. “Troquei um monte de roupa, tênis e 15 reais, e daí comprei o meu primeiro skate. Foi aí que comecei a andar”, relembra Tito, que está no esporte há mais de 10 anos. Ele conta que até seus 18 anos participou de todos os campeonatos possíveis, pois queria ser um skatista profissional. “Não aconteceu nada, aí eu desencanei, e quando fiz isso, as coisas começaram a acontecer”, afirma.

Para manter suas atividades no skate, Tito trabalhou na prefeitura de sua cidade por um tempo, e depois foi para Belo Horizonte trabalhar no marketing da Monster Energy, uma marca de energético que apoia bandas novas e atletas de esportes radicais. “Hoje, o skate é o que acontece de mais importante na minha vida. Foi o norte de tudo. Sempre foi o que me manteve”, conta. 
                                                          André N. P. Azevedo
Tito: skate como estilo de vida

Contrariando estatísticas
Na verdade, este é o sentido da Custom Skate Art. Sua logomarca, um skate em pé, e uma seta batendo no seu shape e indo para o sentido contrário, é a filosofia de Tito e seus amigos. “É o skate te mostrando o caminho certo, te mandando sempre pra frente”, diz. Ele explica que acredita nisso porque a realidade social e cultural de Santa Cruz de Minas sempre foi muito precária. Considerado o menor município do Brasil, Santa Cruz de Minas também foi considerado em 2008 a cidade mais violenta de Minas Gerais, e uma das mais violentas do Brasil. “Eu estava enquadrado nesse perfil. Alguns amigos da escola hoje estão presos ou já morreram”, recorda Tito.

A Custom, tentando contrariar estas estatísticas (mais um slogan da turma), dentro desse contexto social, tenta tirar os jovens das ruas, das drogas e da violência. “Todas as nossas ações subjetivamente têm essa função de resgatar os jovens para o social, o cultural e o ecológico”, explica o skatista. Os eventos organizados, por exemplo, são totalmente gratuitos, para facilitar o acesso de todas as camadas sociais apaixonadas pelo skate. “Queremos a democratização do skate. Ele tem esse potencial social. A gente apresenta uma nova possibilidade, e queremos ser algo bom, em que os jovens possam se espelhar”, diz. O skate tem o poder de resgatar a autoestima do jovem, e faz com que ele se sinta incluído, parte de um grupo. “Não existe exclusão, o skate quebra barreiras sociais. Do rico ao pobre, todos no skate andam juntos, e não existe preconceito”, explica Tito. Mais que um esporte, o skate é visto como um estilo de vida, sem diferenciações entre os adeptos. Lembrando dos amigos, Tito mostra que tem o skatista punk, o rapper, o rasta, etc. Mas que, apesar de cada estilo, todos andam juntos, sem distinções. “Aqui é uma miscigenação de estilos. Não queremos dividir o skate, e pronto. A Custom é skate, é estilo de vida”, diz.
André N. P. Azevedo
As crianças veem no skate um novo caminho: esporte, lazer, cultura e arte


Aniversário da Custom
No dia 22 de abril aconteceu o 4° aniversário da Custom, e a comemoração foi feita pista do Vereda Park Hotel, um consolidado ponto de encontro dos skatistas. Bandas, grafitismo (Street Art) e campeonato de skate. “É uma oportunidade pra quem faz seu som também ter onde tocar, e pra quem gosta de andar de skate se divertir”, diz Tito. O aniversário, com muita música e manobras incríveis na pista, reuniu gente de toda idade. Pedro Augusto, 11 anos, diz que começou vendo seu primo andar. Hoje ele anda somente nas pistas de skate que existem em São João. “Um dia eu estava andando na pista e me encontrei com o Tito da Custom, e ele me chamou pra fazer um workshop. Aí eu comecei a andar com eles. Pretendo andar de skate pra sempre”, diz Pedro.

Fernando Ribeiro, 15 anos, também anda de skate, há três anos. Recentemente ele quebrou o braço e a mão em um campeonato na cidade de Três Corações (MG). Apesar dos incidentes que acontecem, ele ganhou o campeonato em Dores de Campos (MG), em sua categoria, a iniciante. “Eu prefiro andar na pista, fazer as manobras que giram mais, gosto de ser desafiado pelas mais difíceis”, diz. Mesmo com braço e mão quebrados Fernando foi se divertir no aniversário da Custom.

A essência do skate não é a competição. “Ela é suave, não tem rivalidade”, explica Tito. Como exemplo, ele conta a história de quatro amigos, de Curitiba, que foram juntos para um campeonato profissional. Um deles ganhou o campeonato e dividiu o prêmio com os outros três amigos, por todas as dificuldades passadas juntos. “É mais ou menos isso que acontece”, diz. “A competição no skate é diferente do futebol, por exemplo. Se um tem que ganhar, o outro tem que perder, e aqui não acontece isso”, afirma o skatista.

O propósito de elevação do bem estar dos jovens faz com que os campeonatos da Custom sejam gratuitos. “Não cobramos taxa de inscrição, nada. Conseguimos patrocínio e arrumamos uns prêmios bem legais. Já fizemos uma bicicleta customizada, única, e demos como premiação”, conta Tito. 
Thiago Morandi
O skatista Jan Yuri começou ainda criança e hoje é exemplo para os mais jovens
























Skate profissional: é possível
Entre a turma da Custom, Janderson Yuri Silva, o Jan, é um dos que mais se destaca. De acordo com Tito, é ele quem leva o skate mais a sério, como esporte e como profissão. Jan conta que a influência partiu do seu irmão. “Ele andava de skate, e quando eu tinha nove anos comecei a andar no skate dele. Ele parou de andar, mas eu continuei, e já pratico o esporte há 10 anos”, diz.

Jan explica que hoje o patrocínio consegue manter o skate como profissão. “Você produz fotos e vídeos, e alguma marca do mercado do skate te paga por isso, e assina sua carteira. Recebemos nosso salário e a cota da marca. Assim podemos falar que nossa profissão é skatista”, afirma. Além da produção audiovisual em skate, também existem os campeonatos. Porém, segundo o skatista, nos últimos cinco anos a freqüência caiu bastante, porque a área da produção audiovisual passou a dominar.

O skate mais moderno é assim, praticado nas ruas. Jan explica que o skate é muito urbano, e aqui o contexto é histórico, de cidade do interior. “O histórico dificulta o nível técnico, de desenvolver manobras, fazer os giros. Outro fator também é que aqui não tem nenhuma loja de skate, em que você possa comprar os equipamentos”, reclama o skatista. O lado positivo, para ele, é que na produção audiovisual as imagens ficam muito interessantes. “O contexto barroco e histórico enriquece as nossas imagens e nos dá novos desafios”, diz.

3 comentários:

  1. Ólá,
    Procuro um lugar sossegado para descansar, mas também que meus filhos pudesse curtir.
    Encontramos estas informações sobre Santa Cruz de Minas.
    Lugar perfeito! Tranquilo, perto de Tirantes de São Joâo; e o mais legal tem ( ou tinha !!!????) a pista de skate para os filhos curtirem.
    Fui direto pesquisar as pousadas em Santa Cruz de Minas e curiosamente três das pousadas que fêz contato as pessoas que atenderam desconheciam a tal pista.
    Nunca ouviram falar!!!
    Afinal, a cidade conta com a pista ou não?????

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...