segunda-feira, 26 de março de 2012

Congresso amplia participação de comunidades e atrai público interno

Foto: André N. P. Azevedo
Trio de Madeiras se apresenta antes da mesa-redonda, no encerramento do X Congresso

João Barreto e Walquíria Domingues
Com o tema “Produzindo o conhecimento e envolvendo comunidades”, o X Congresso de Produção Científica da UFSJ contou com a apresentação de 512 trabalhos e atraiu um público de quase três mil pessoas.

O auditório lotado já anunciava que a programação de premiação seria tão prestigiada quanto o congresso. Sucesso de público. Para abrir os trabalhos, às 19h30min, da sexta-feira, um trio de sopros executa uma música especial para o evento, principalmente para os estudantes, algo como o hit parade do videogame: a trilha sonora do Mario Bros. A alegria contagia o ambiente e dá o tom dá noite. Animação de sobra para horas de entrega de prêmios, acompanhados de muitas palmas e poses para fotos. 

A solenidade de entrega dos prêmios de destaque e menção honrosa é o coroamento de uma semana de muito trabalho das equipes da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PROEX), Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPE), do fim de uma certa tensão por parte dos apresentadores de trabalhos, das viagens de professores e estudantes de outros campi e de muita expectativa, das trocas de informações entre participantes e das perspectivas abertas por um evento desse porte.

O principal evento científico da UFSJ, o Congresso de Produção Científica, chegou a sua décima edição. Realizado entre os dias 19 e 23 de março, o evento comemorou os 25 anos da universidade e marcou uma década de valorização da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. O tema escolhido para 2012 – Produzindo o conhecimento e envolvendo comunidades – buscou chamar a atenção de todos para a necessária troca de saberes entre a academia e a sociedade.

O congresso, que reuniu o XIX Seminário de Iniciação Científica (SIC), a X Semana de Extensão Universitária (SEMEX) e o I Seminário de Iniciação à Docência (SID), teve 512 trabalhos inscritos, sendo 358 do SIC, 116 da SEMEX e 35 do SID.

Percepções da décima edição
Pró-reitores fazem o balanço do congresso
Na mesa de encerramento, sob o tema “Produzindo conhecimento, envolvendo comunidades: o desafio da indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão”, os pró-reitores de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Antônio Luiz Assunção, de Extensão e Assuntos Comunitários, Marcos Vieira Silva, e de Ensino de Graduação, Murilo Cruz Leal falaram sobre os objetivos alcançados no congresso deste ano e os desafios futuros nas áreas de ensino, extensão e pesquisa, tentando conciliar cada vez mais a comunidade acadêmica com a sociedade.

Para Antônio Luiz Assunção, os alunos foram os grandes responsáveis pelo sucesso desta semana. “É necessário fazer um agradecimento especial aos alunos, que mostraram que nós tínhamos razão quando apostamos na sua qualidade”, disse. Para o pró-reitor, o momento é propício para considerar a demanda por novas formas de atuação na sociedade.

A produção do conhecimento, portanto, precisa servir ao bem comum. “O ensino superior deve dar conta de um número cada vez maior de estudantes, bem como direcionar suas ações para as demandas do mercado. Nós temos que atentar para que nossas ações não transformem universidades em instituições essencialmente reativas, com pouca pretensão à proatividade”, afirmou.

A comunidade acadêmica da UFSJ conseguiu assumir seu lugar como protagonista e centro de produção científica, mas também de formação e ação social. Segundo Antônio Assunção, o Programa de Iniciação Científica (PIBIC), por exemplo, tem uma produção científica de alta qualidade, mas o seu foco está na formação do aluno como pesquisador, para que ele seja capaz de responder no futuro as demandas da sociedade.

O congresso foi o espaço ideal para se pensar nestes parâmetros. “É nesse espaço de integração, pesquisa, ensino, extensão, que a universidade pode avaliar sua ação no mundo e avaliar os impactos do conhecimento que produz, bem como prever as demandas da sociedade, da região na qual se insere”, falou Antônio Assunção. “Mostramos aos alunos que a sua formação, através de um ensino de qualidade, não é apenas um retorno pessoal, uma condição para alcançar postos mais altos, mas antes de tudo, incutindo nesses estudantes o compromisso com o social”, disse.

Extensão, ensino, academia e comunidade
“A emoção faz parte da extensão”, falou o Pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, Marcos Vieira Silva. Emocionado com o progresso e o sucesso da X SEMEX, ele apresentou os números do Congresso (ver no Box desta matéria), e mostrou sua satisfação com os resultados alcançados. “O nível das produções da SEMEX foi muito superior que nos anos anteriores”, disse.

Marcos Vieira ficou espantado com a quantidade de pessoas que participaram do X Congresso. O público foi de quase três mil pessoas. As salas onde foram apresentados todos os trabalhos ficaram lotadas. “Havia pessoas sentadas no chão, e até nas janelas”, contou. Para ele, foi também neste Congresso que a UFSJ teve maior presença de comunidades parceiras, envolvidas na extensão. “Ainda não somos um espaço em que eles transitam com facilidade, mas nós avançamos muito nisso, neste congresso”, afirmou. Para ele, esse vem sendo o resultado da produção de conhecimento desenvolvido no dia-a-dia com a comunidade.

Apesar dos ótimos resultados do evento, Marcos Vieira Silva ainda apresentou um ponto negativo. Ele disse que não gosta da maneira como os trabalhos são avaliados, por critérios muito produtivistas e quantitativos. “A conquista de uma produção de conhecimento deve ser vista pela sua qualidade”, disse. “Não precisamos de uma produção de conhecimento ‘produtivista’”.

O pró-reitor de Ensino de Graduação, Murilo Cruz Leal, disse que “há alguns anos os jovens não tinham na universidade a menor possibilidade de participação”. Hoje, graças ao progresso da UFSJ, a instituição não enfrenta mais este problema. Ele apresentou a ideia de que hoje o ensino precisa ser mais dialógico e participativo, de forma que a conduta de autoridade dos mestres e doutores passe a dar lugar o contato e interações permanente com novas gerações, suas perspectivas mais soltas, imaturas e entusiasmadas, “já que eles serão o futuro corpus acadêmico que hoje nós representamos”, disse.

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