segunda-feira, 26 de março de 2012

Congresso amplia participação de comunidades e atrai público interno

Foto: André N. P. Azevedo
Trio de Madeiras se apresenta antes da mesa-redonda, no encerramento do X Congresso

João Barreto e Walquíria Domingues
Com o tema “Produzindo o conhecimento e envolvendo comunidades”, o X Congresso de Produção Científica da UFSJ contou com a apresentação de 512 trabalhos e atraiu um público de quase três mil pessoas.

O auditório lotado já anunciava que a programação de premiação seria tão prestigiada quanto o congresso. Sucesso de público. Para abrir os trabalhos, às 19h30min, da sexta-feira, um trio de sopros executa uma música especial para o evento, principalmente para os estudantes, algo como o hit parade do videogame: a trilha sonora do Mario Bros. A alegria contagia o ambiente e dá o tom dá noite. Animação de sobra para horas de entrega de prêmios, acompanhados de muitas palmas e poses para fotos. 

A solenidade de entrega dos prêmios de destaque e menção honrosa é o coroamento de uma semana de muito trabalho das equipes da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PROEX), Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPE), do fim de uma certa tensão por parte dos apresentadores de trabalhos, das viagens de professores e estudantes de outros campi e de muita expectativa, das trocas de informações entre participantes e das perspectivas abertas por um evento desse porte.

O principal evento científico da UFSJ, o Congresso de Produção Científica, chegou a sua décima edição. Realizado entre os dias 19 e 23 de março, o evento comemorou os 25 anos da universidade e marcou uma década de valorização da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. O tema escolhido para 2012 – Produzindo o conhecimento e envolvendo comunidades – buscou chamar a atenção de todos para a necessária troca de saberes entre a academia e a sociedade.

O congresso, que reuniu o XIX Seminário de Iniciação Científica (SIC), a X Semana de Extensão Universitária (SEMEX) e o I Seminário de Iniciação à Docência (SID), teve 512 trabalhos inscritos, sendo 358 do SIC, 116 da SEMEX e 35 do SID.

Percepções da décima edição
Pró-reitores fazem o balanço do congresso
Na mesa de encerramento, sob o tema “Produzindo conhecimento, envolvendo comunidades: o desafio da indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão”, os pró-reitores de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Antônio Luiz Assunção, de Extensão e Assuntos Comunitários, Marcos Vieira Silva, e de Ensino de Graduação, Murilo Cruz Leal falaram sobre os objetivos alcançados no congresso deste ano e os desafios futuros nas áreas de ensino, extensão e pesquisa, tentando conciliar cada vez mais a comunidade acadêmica com a sociedade.

Para Antônio Luiz Assunção, os alunos foram os grandes responsáveis pelo sucesso desta semana. “É necessário fazer um agradecimento especial aos alunos, que mostraram que nós tínhamos razão quando apostamos na sua qualidade”, disse. Para o pró-reitor, o momento é propício para considerar a demanda por novas formas de atuação na sociedade.

A produção do conhecimento, portanto, precisa servir ao bem comum. “O ensino superior deve dar conta de um número cada vez maior de estudantes, bem como direcionar suas ações para as demandas do mercado. Nós temos que atentar para que nossas ações não transformem universidades em instituições essencialmente reativas, com pouca pretensão à proatividade”, afirmou.

A comunidade acadêmica da UFSJ conseguiu assumir seu lugar como protagonista e centro de produção científica, mas também de formação e ação social. Segundo Antônio Assunção, o Programa de Iniciação Científica (PIBIC), por exemplo, tem uma produção científica de alta qualidade, mas o seu foco está na formação do aluno como pesquisador, para que ele seja capaz de responder no futuro as demandas da sociedade.

O congresso foi o espaço ideal para se pensar nestes parâmetros. “É nesse espaço de integração, pesquisa, ensino, extensão, que a universidade pode avaliar sua ação no mundo e avaliar os impactos do conhecimento que produz, bem como prever as demandas da sociedade, da região na qual se insere”, falou Antônio Assunção. “Mostramos aos alunos que a sua formação, através de um ensino de qualidade, não é apenas um retorno pessoal, uma condição para alcançar postos mais altos, mas antes de tudo, incutindo nesses estudantes o compromisso com o social”, disse.

Extensão, ensino, academia e comunidade
“A emoção faz parte da extensão”, falou o Pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, Marcos Vieira Silva. Emocionado com o progresso e o sucesso da X SEMEX, ele apresentou os números do Congresso (ver no Box desta matéria), e mostrou sua satisfação com os resultados alcançados. “O nível das produções da SEMEX foi muito superior que nos anos anteriores”, disse.

Marcos Vieira ficou espantado com a quantidade de pessoas que participaram do X Congresso. O público foi de quase três mil pessoas. As salas onde foram apresentados todos os trabalhos ficaram lotadas. “Havia pessoas sentadas no chão, e até nas janelas”, contou. Para ele, foi também neste Congresso que a UFSJ teve maior presença de comunidades parceiras, envolvidas na extensão. “Ainda não somos um espaço em que eles transitam com facilidade, mas nós avançamos muito nisso, neste congresso”, afirmou. Para ele, esse vem sendo o resultado da produção de conhecimento desenvolvido no dia-a-dia com a comunidade.

Apesar dos ótimos resultados do evento, Marcos Vieira Silva ainda apresentou um ponto negativo. Ele disse que não gosta da maneira como os trabalhos são avaliados, por critérios muito produtivistas e quantitativos. “A conquista de uma produção de conhecimento deve ser vista pela sua qualidade”, disse. “Não precisamos de uma produção de conhecimento ‘produtivista’”.

O pró-reitor de Ensino de Graduação, Murilo Cruz Leal, disse que “há alguns anos os jovens não tinham na universidade a menor possibilidade de participação”. Hoje, graças ao progresso da UFSJ, a instituição não enfrenta mais este problema. Ele apresentou a ideia de que hoje o ensino precisa ser mais dialógico e participativo, de forma que a conduta de autoridade dos mestres e doutores passe a dar lugar o contato e interações permanente com novas gerações, suas perspectivas mais soltas, imaturas e entusiasmadas, “já que eles serão o futuro corpus acadêmico que hoje nós representamos”, disse.

terça-feira, 20 de março de 2012

UaiPhone: evolução e planos do projeto


Os fotógrafos Toni Pires e Bruno Figueiredo, que fazem parte do UaiPhone, falaram um pouco com o Observatório da Cultura sobre o projeto. Em uma conversa informal e descontraída, os dois explicaram sobre a evolução, as perspectivas e planos do grupo, que já conta com 30 membros espalhados em 4 países.



Casa cheia - Foto em Pauta

Vídeo em time lapse do público durante o 2º Festival de Fotografia Foto em Pauta

domingo, 18 de março de 2012

Cláudia Jaguaribe une o novo e o velho para criar fotografias

CAROL ARGAMIM GOUVÊA
Foto: Carol Argamim Gouvêa
Cláudia Jaguaribe
“Toda pessoa que fotografa carrega com ela não só um imaginário, mas um arquivo fotográfico”, afirma Cláudia Jaguaribe no Ciclo de Ideias O que está nas gavetas? O retorno do olhar a produções guardadas e seus desdobramentos. O encontro aconteceu na tarde de ontem no Foto em Pauta e discutiu como nossos materiais antigos podem influenciar nossa fotografia atual. 

Cláudia talvez seja uma das pessoas mais indicadas a falar sobre o assunto. A fotógrafa, que já foi artista plástica, sabe bem mesclar trabalhos novos com antigos, reutilizar fotos, criar fotografias através de experiências. 

E falando em criar, ela realmente “cria” fotografias: corta e recorta as fotos, dispõe imagens de formas diferentes, usa de arte gráfica e efeitos para que nasça algo inteiramente novo e original. “Eu tenho muito claro na minha cabeça que tem muita imagem no mundo. Eu não quero fazer só mais uma foto. Eu quero identidade. E eu não me importo se para isso tenha que ter artificialidade”, explica.

Projeto Olho da Rua 
Um exemplo de como Cláudia utilizou seus arquivos para criar algo original pode ser visto em seu trabalho Olho da Rua. Ela fotografou inúmeras guaritas em São Paulo, na expectativa de fazer um ensaio sobre a vigilância na cidade. Entretanto, acabou descobrindo que outro fotógrafo fazia uma exposição com algo parecido e arquivou o material. Tempos depois, Cláudia teve uma nova idéia e voltou às fotos antigas, dispondo-as em um enorme quadro negro e criando um mapa de São Paulo feito de guaritas.

A fotografa explica, entretanto, que na maioria das vezes só volta aos arquivos depois de começar um trabalho novo, para só então ver se algo antigo pode ser utilizado. “Eu começo algo novo e depois volto no arquivo. Eu preciso sempre de uma motivação, uma coisa nova”, diz Cláudia.

sábado, 17 de março de 2012

Palestra discute a fotografia feita com celular

Carol Argamim Gouvêa e Walquíria Domingues

                                           Fotos: Íris Marinelli
Cláudio Edinger e seu iPhone

“Antes era uma carroça. Já o iPhone é um foguete”, brinca Claudio Edinger sobre a fotografia com celular. Edinger deu uma declaração polêmica no Foto em Pauta do ano passado, ao afirmar que, quando fosse lançado o iPhone 10, as câmeras digitais iam acabar. Nesse ano, o festival abordou a temática no Encontro Uaiphone “É possível fazer telefonemas com essa câmera?”, que contou com a participação de Edginger, Clício e Toni Pires.

O Encontro, que aconteceu hoje no Centro Cultural Yves Alves, discutiu de forma aprofundada os impactos e novos caminhos da “iPhoneography”, baseando-se principalmente nas idéias do projeto Uai Phone, que completou um
O Fotógrafo Toni Pires
ano em janeiro de 2012. O projeto, que já conta com 30 fotógrafos espalhados em 4 países, busca trazer a idéia de que a boa fotografia pode ser feita com qualquer equipamento, desde que exista o olhar apurado e sensível.


Segundo Toni Pires, o celular é mais prático e discreto,permitindo maior aproximação com o público. “Como repórter fotográfico eu sinto que eu incomodo menos”, brinca. Já para Clício, a maior vantagem do iPhone é a possibilidade de enviar instantaneamente as fotos do celular para uma rede social, como o Instagram ou até mesmo o Facebook. Isso cria uma interação muito maior entre fotógrafo e público, assim como permite que pessoas comuns passem a compartilhar suas próprias fotos.

A partir daí, as pessoas começaram a exibir muito mais fotos, o que, aos olhos de alguns fotógrafos, banalizou a atividade. “Essa enxurrada de fotos foi ruim para o fotógrafo publicitário, mas é uma função educativa, benéfica para a fotografia. É uma posição egoísta dos profissionais que criticam as fotos de iPhone”, explica Clício.
Clício Barroso


A opinião é compartilhada por Edinger, que acredita que as pessoas estão ficando mais letradas em imagens, entendendo melhor a linguagem fotográfica. Mas isso, segundo ele, não significa que todos se tornarão fotógrafos profissionais. “Você ter lápis e papel não significa que você vai escrever um romance maravilhoso. É preciso ter uma visão fotográfica”, diz.

Apesar de os três fotógrafos defenderem o iPhone, eles explicam que tudo depende da situação e do objetivo. “O aparelho tem suas limitações. Você tem que ter um propósito para escolher o equipamento certo para cada situação”, afirma Toni Pires. “Cada equipamento enxerga de um jeito e o iPhone é um deles”, acredita Edinger. Clício exemplifica as utilidades do celular ao dizer que “não dá, por exemplo, para usar grandes equipamentos dentro de um metrô”.




Guerra na Líbia é tema da exposição de Maurício Lima

André N. P. Azevedo
Fotos: André N. P. Azevedo
O premiado fotógrafo Maurício Lima 
Vale conferir a exposição "Libya Hurra" do premiado fotógrafo Maurício Lima, sobre os conflitos na Líbia. As fotografias que fazem parte do festival Foto em Pauta podem ser visitadas no  Marcenaria Tiradentes  (R. dos Inconfidentes, 233), em Tiradentes, retratam a dor e a destruição dos conflitos da chamada “primavera árabe”.

Em seus 12 anos de carreira, Lima, que é natural de São Paulo, concentrou seu trabalho nas questões sociais e internacionais, principalmente as que envolvem conflitos de guerras e suas consequências. Seu trabalho já foi publicado em veículos estrangeiros, como na Newsweek, no Le Monde, na Der Spiegel, no The New York Times, na Magazine e TIME, agência da qual Eduardo Lima foi considerado o fotógrafo de notícias do ano, em 2010, pelo ensaio “Afeganistão Apocalíptico”.


Segundo Lima, fotografar os conflitos na Líbia não estava em seus planos. “Eu estava no Afeganistão, mas queria descobrir o que realmente estava acontecendo naquele país que culminou na morte de três colegas fotógrafos”. Maurício Lima presenciou 14 dias de guerra civíl, que acabou com a morte do ditador Khadaffi e permaneceu por mais 40 dias pós-guerra. Ele conta que diferente do Afeganistão, o povo líbio conseguiu se restabelecer rapidamente. "Acho que por o país ser rico, ter o petróleo como fonte de renda, eles conseguiram voltar a uma certa normalidade em um curto espaço de tempo".


Sobre o processo de fotografar em regiões de conflito, Lima conta que a forma de aproximação é um dos pontos mais importantes para conseguir realizar um trabalho bem feito.  "Os rebeldes costumam pedir para você tirar fotos posadas e somente após isso você é liberado para retratar o conflito em si", explica.


"Libya Hurra" em exposição no Foto em Pauta
O principal motivo de fotografar regiões de conflito não é a exploração da violência e muito menos um artifício pessoal para experiência. "É simplesmente tentar mostrar para as pessoas um lado mais humano de uma situação em que os as pessoas se matam em por um ideal", diz Maurício Lima, que pretende voltar ainda esse ano ao país para registrar a transição entre o pós-guerra e a reconstrução do país.


Questionado se não temia pela vida ao trabalhar em situações-limite, Maurício Lima explica que sua integridade física depende do seu medo.  "O medo estabelece o limite em que você se expõe pra fazer uma imagem".







sexta-feira, 16 de março de 2012

Fotografia de natureza: registro, preservação e conscientização

Violeta Cunha
Fotos: íris Marinelli
Palestrantes do Encontro da Fotografia de Natureza Brasileira
Na manhã desta quinta-feira, 16, o Foto em Pauta, trouxe o debate sobre fotografia de natureza. A mesa foi composta pelos grandes nomes da área: Valdemir cunha, Gustavo Pedro, Luiz Cláudio Marigo e Roberto Murta.

Um dos temas debatidos foi a importância das imagens feitas por esses profissionais, tanto para o instrumento de conservação, como para conscientização. Para Luiz Cláudio Marigo, a fotografia exerce um papel importante na busca pela preservação do meio ambiente.

Roberto Murta. 
O fotógrafo Gustavo Pedro destacou a atividade da Associação de Fotógrafos de Natureza, a AFNATURA. Ele explicou que o surgimento da associação se deu a partir da necessidade dos profissionais dessa área, que trabalhavam de forma muito solitária, e assim viram a importância de uma representação como grupo.

Para Gustavo Pedro, “o fotógrafo de natureza muitas vezes é acusado de roubar imagens do patrimônio público para ganhar dinheiro com isso, mas não é bem assim que funciona. Nosso trabalho está diretamente ligado à preservação e, assim, precisava de uma legislação que o apoiasse. O fotógrafo de natureza é a espécie, no momento, que mais corre perigo de extinção”, disse.

Para os palestrantes, a fotografia de natureza derruba o mito de que ela é apenas fauna e flora. Para Luiz Cláudio Marigo, as pessoas desconhecem a natureza e pensam que ela é “somente mato e bicho”. “Algumas comunidades estão acabando e nem chegamos a ter conhecimento de sua existência”, completou.

Neste contexto, Valdemir Cunha desenvolve um grande trabalho fotografando comunidades que convivem diretamente com a natureza e fazem parte dela. “Nossa cultura está sustentada pela natureza, precisamos conhecer uma para compreender a outra”, afirmou Cunha.
Luiz Cláudio Marigo. 

Para ele, a fotografia forma um elo entre a população brasileira e o meio ambiental. É através dele que crianças, que vivem em centros urbanos, começam a entender o que é preservação. “Elas descobrem que existe muito mais do que prédios e a partir daí começam a entender o que é preservação”, afirmou.

Valdemir Cunha ainda alertou sobre a importância desse ramo da fotografia. "A fotografia de natureza aproxima e seduz muito mais do que o discurso engajado de um ambientalista”. Por este motivo, a preparação do profissional é importante e deve ser acompanhada de um estudo prévio sobre o objeto que se pretende fotografar.

Mesmo assim, os palestrantes contam que não são raros os casos em que fotógrafos de natureza descobrem espécies ainda desconhecidas, até mesmo sem a intenção. Por isso, um dos elementos deste tipo de fotografia é a surpresa.

A pedido da organização do evento, Luiz Claudio Marigo trouxe uma proposta de estética para a fotografia de natureza. Segundo ele, é uma estética que deve prezar pela naturalidade,espontaneidade, simplicidade, harmonia, sutileza, assimetria, beleza e diversidade.

Poética e experimentalismo na fotografia

Mariana Ferreira
                                   Foto: Mariana Ferreira
Pedro David e Eustáquio Neves
O segundo encontro do “Ciclo de ideias” do festival “Foto em Pauta”, que aconteceu no dia 15, recebeu dois fotógrafos do cenário contemporâneo brasileiro, Eustáquio Neves e Pedro David. Eustáquio discorreu sobre suas influências e a repercussão de seu trabalho, e os dois profissionais foram apresentados por Miguel Aun, o fotógrafo homenageado do festival.

Natural de Juatuba, foi em uma comunidade remanescente quilombola na cidade de Diamantina (onde reside), que Eustáquio descobriu uma forma de retratar suas origens. Alguns de seus temas são o negro, ofertas de emprego, vida urbana, caos urbano-industrial e futebol. Com estas temáticas, Eustáquio conta que houve uma ruptura no seu trabalho com a fotografia comercial, e assim ele passou a se dedicar mais ao seu lado artístico.

Talvez por sua graduação em Química Industrial, ou mesmo por sua constante inquietação, Eustáquio desenvolveu uma linha de trabalho que valoriza a interferência em negativos e a sobreposição de várias imagens, como forma de transmitir o excesso de informação na sociedade contemporânea. “Foi uma forma que encontrei de contar várias histórias ao mesmo tempo”, afirma. Ele ainda explica que a interferência que faz em suas fotos não é para resolver um problema com a imagem.

Foto: Mariana Ferreira
Eustáquio Neves apresenta seu trabalho
Reconhecido internacionalmente por sua arte, Eustáquio conta que, após expor no “7h International Month of Photograph”, em Houston, e ser aclamado pela crítica, essa inquietação constante em seus trabalhos só aumentou. “Ninguém pode agradar tanto”, brincou.

Eustáquio diz ainda possuir suas fotos/obras em mente quando vai fotografar. “Não me acomodo num único processo de produção apenas porque deu um bom resultado, estou sempre mudando”.




quinta-feira, 15 de março de 2012

Tiago Santana e os seus sertões

 Foto: Mariana Ferreira
Tiago Santana e sua fotografia do "Chão de Graciliano", trabalho em que retrata sua terra natal

Violeta Cunha

A sensibilidade do olhar de Tiago Santana faz transbordar emoção em seu trabalho. Na palestra desta quinta-feira, no “Foto em Pauta”, evento que reúne fotógrafos e profissionais do ramo em Tiradentes durante os dias 14 e 18 de marco, Tiago apresentou parte de sua produção e falou um pouco sobre o processo de elaboração dos seus trabalhos “Chão de Graciliano” e “Benditos”, que retrata sua terra natal, Juazeiro do Norte (CE), as características do local, sua intensidade e religiosidade.
                                                               Foto: André N. P. Azevedo                                       
Exposição de Tiago Santana no Foto em Pauta
Mediada por Rosely Nakagawa, renomada curadora e editora de imagens, a palestra tratou também do que possibilita ao fotógrafo o encontro consigo, com o lugar e com o outro. Segundo Tiago, foi por conta do mistério da visualidade do nordeste e especificamente em Juazeiro, que o estimulou a entrar no mundo da fotografia. A partir daí ele descobriu que já existia um movimento no Brasil que estuda e discute esta prática, tendo como integrante o própria Rosely Nakagawa.

Em 2007, o fotógrafo cearence teve o lançamento de um livro com suas fotos na coleção francesa Photo Poche. Tiago é o segundo brasileiro com uma publicação nesta coleção. além dele, apenas recebeu este mesmo prestígio o renomado fotógrafo Sebastião Salgado. 
                                                                                                                                                                                  Foto: André N. P. Azevedo 
Rosely Nakagawa e Santana durante o Ciclo de Ideias
A publicação de livros de fotografia também foi tema da palestra. Tiago lamenta que os profissionais brasileiros não tenham o devido reconhecimento sobre isto. “Existe um número muito grande de fotógrafos brasileiros que mereciam ter um livro e não tem”, comentou.

Durante a rodada de perguntas feitas pelo público, foi levantada a questão sobre “quando reconhecer-me como fotógrafo profissional? Rosely Nakagawa alerta: “Não é por que 90 pessoas curtiram instantaneamente minha foto, que exista aí qualidade”, disse.


Ensaio: I ♥ RUA

Tadeu Canavez

É tão comum vermos coisas interessantes, que na maioria das vezes essas coisas passam imperceptíveis. Basta ter um olho crítico pra certas coisas, como uma pichação, que quase sempre revela uma reivindicação, um protesto ou um sentimento de uma pessoa que deseja mudar o mundo, mas não enxerga outra maneira de chamar a atenção da população senão o "vandalismo", por exemplo. Essa palavra, na verdade, deveria designar pessoas que não conseguem enxergar a realidade brasileira e a diferença social, cada dia mais explícita.

Na rua nos sentimos livres, nos sentimos capazes. Ela proporciona infinitas artes, para qualquer pessoa que saiba assistir ao nascer do sol de uma lage ou entender a beleza de uma cidade histórica.


terça-feira, 13 de março de 2012

OC cobre Festival de Fotografia de Tiradentes


A equipe do Observatório da Cultura tem um árduo, porém gratificante trabalho neste mês de março: cobrir o II Festival de Fotografia de Tiradentes, que acontecerá entre os dias 14 e 18. O festival terá diversas atividades, como exposições, workshops, palestras, debates, leituras de portfólio, projeções de fotografias e atividades educativas voltadas para a comunidade local. 

A cidade de Tiradentes terá o prazer de receber profissionais de renome nacional e internacional, com produção artística representativa no cenário da fotografia brasileira. 

O festival, fruto do projeto Foto Em Pauta, que acontece em Belo Horizonte desde 2004, já foi apresentado para mais de 40 fotógrafos brasileiros, e sua edição em Tiradentes é coordenada pelo fotógrafo e professor da Puc Minas Eugênio Sávio.
O homenageado desta segunda edição é o fotógrafo mineiro Miguel Aun. Durante o festival, será celebrada a carreira de Aun em um bate-papo especial com o autor, acompanhado de projeção de fotos marcantes da sua trajetória artística. 
 

Para saber mais sobre o festival e conferir a  programação, visite o site: www.fotoempauta.com.br/festival2012

domingo, 11 de março de 2012

O pintor dos traços e das palavras

Foto: Divulgação
Oscar Araripe, o pintor (e escritor) que deu e dá à Tiradentes o prazer de sua morada
Walquíria Domingues

Oscar Araripe reuniu suas obras e textos num livro de arte publicado pela sua Fundação, narrando sua história e carreira, com valiosas telas, textos autorais e depoimentos críticos de intelectuais renomados do Brasil e exterior.

Há quase 15 anos visitei o estúdio e galeria pessoal de Oscar Araripe, em Tiradentes, com a turma da pré-escola. Eu tinha seis anos e, a pedido do pintor, escolhi desenhar um barquinho. Lembro-me nitidamente do desenho, que hoje simboliza para mim um meio de desbravar o mundo, o conhecimento, e fazer descobertas, sempre. Mal sabia que me tornaria algo que o próprio Araripe já teve a oportunidade de ser: jornalista. O barquinho me levou para o mundo, assim como a arte e a escrita leva grandes nomes, como Oscar, para o horizonte - da vida e das pessoas.

Com 70 anos, Oscar Araripe, que há 18 anos vive em Tiradentes, acaba de publicar um livro de arte que reúne uma seleção de suas obras e textos, narrando o decorrer de sua carreira como estudante - e formado - na Nacional de Direito, como jornalista no Correio da Manhã e no Jornal do Brasil, publicando ensaios e ficções, e por fim (mas que não significa um ponto final) como pintor.

O artbook, lançado nas principais capitais e cidades brasileiras, como Ouro Preto, Tiradentes, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, também será lançado fora do país. “Estarei expondo em Londres, na grande exposição de pintura e arte, sob os auspícios do Governo Chinês. Vai ser no Museu de Londres - de um a sete de agosto próximo. Vou lançar na ocasião o artbook, durante a exposição das Olimpíadas”, conta, em primeira mão, Oscar Araripe.

Apesar de aceitar expor e lançar seu livro em Londres, Araripe defende que a arte brasileira precisa ser cultuada, exposta e valorizada no Brasil. “Outro dia ouvi um marchand dizer que o ideal seria a arte brasileira no exterior. Não concordo. É claro que se um estrangeiro quiser comprar uma tela minha eu vendo, mas fico com dó, pois o melhor seria vender para os brasileiros ou os que moram no Brasil”, afirma Oscar. “A Pintura é uma arte contextualizada. Isso de arte globalizada é uma besteira e contribui para o processo de colonização cultural e, depois, simultaneamente, econômica do Brasil. Artista bobo é o que faz arte conforme a globalização quer”, acredita.

Com um ótimo projeto editorial, fruto do trabalho do próprio artista com a ajuda de sua esposa, Cidinha Araripe, e de amigos, o livro tem três partes, nas suas 348 páginas. A primeira parte – Uma Cronologia Inacabada – conta os fatos marcantes da vida e da trajetória do artista até ao dias de hoje. As segunda e terceira partes do livro trazem cerca de 330 telas de duas fases importantes da pintura do artista – “Os Pilares”, realizados entre 1986 e 1987 e “As Flores”, iniciada em 2004.

As imagens apresentadas, na maioria das vezes, vêm com fragmentos de textos autorais. Muitas das obras presentes no livro tiveram de ser catalogadas, já que estão espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. “O trabalho foi muito árduo. Mas nossa catalogação está em progresso. Felizmente, ao longo dos anos, temos feito uma catalogação, não como devia ser, mas, pelo menos, conseguimos até agora catalogar cerca de 1.500 obras”, conta Oscar sobre o que deu início ao Projeto Oscar Araripe, que é um site de catalogação de obras. O pintor conta que, se tivessem sido catalogadas todas as suas obras, ele teria cerca “de mais de 3 mil imagens, 1500 páginas de textos, umas mil fotografias e por aí vai, pois temos cartas, e-mails e uma linda memorabilia”, explica.

Mais que uma simples seleção de obras artísticas e textos biográficos, o livro lançado é uma memória da arte e do pensamento do pintor Araripe, que salienta em suas falas a idéia da arte, da vida, e da arte e vida. “Além dos meus teasers, que são textos provocativos sobre a Vida e a Arte, a Arte da Vida e a Vida da Arte, faço várias outras provocações. Uma das mais provocativas é que a arte inventou a vida, todas as vidas”, diz. “Você sabia, por exemplo, que o verdadeiro dinheiro é a pintura? Que as cores sequer existem e que o que existe são as tintas e que é o talento do artista que faz das tintas cores? Que eu não sou ‘artista plástico’, e sim e tão somente pintor?”, fala poeticamente o artista.

Durante toda a conversa percebe-se que Oscar ainda consegue manter os traços do bom escritor, e claro, do bom jornalista, papéis que, apesar da pintura, ainda se mantém vivos dentro de si. “Já fui e continuo sendo algumas coisas. Escritor, por exemplo, pois não separo escritura de pintura. Jornalista eu não pude ser mais, desde que em 1974 publiquei um livro de sucesso sobre a China e que fechou as portas para todos os meus trabalhos, dentro e fora da imprensa. Foi no tempo dos anos de chumbo, que eu prefiro chamar de anos de plutônio, ou melhor, de kriptonita, já que éramos jovens-superhomens lutando contra a ditadura militar”, relembra.
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