domingo, 25 de dezembro de 2011

Presépio da Muxinga é reabilitado

Foto Alzira Agostini H.
Cida Teixeira, atual responsável pelo presépio, no seu local de origem
Carol Argamim Gouvêa
Após alguns anos desativado, o tradicional Presépio da Muxingavolta a enriquecer o Natal de São João del-Rei. O presépio foireabilitado por José Imbroisi, que com a ajuda Wellington deOliveira e Ademir Soares, buscou fazer um resgate cultural ereligioso. Ele será exposto na Muxinga, na rua José Batista deSouza, nº11, a partir do dia 10 de dezembro, e integra a programaçãode Fim de ano e Férias cultural 2011 da Atitude Cultural.
Segundo Imbroisi a reabilitação foi feita porque o presépio “éum patrimônio que não pode se perder. Porque nós, que trabalhamoscom comércio, só vemos o Papai Noel, que é um desvirtuamento dacultura do Natal. O presépio é um pouco da cultura religiosa dacidade, que era muito mais fervorosa antigamente”.
Maria Aparecida Padilha Teixeira, atual responsável pelo presépio efilha de um de seus criadores, Ivo Teixeira Filho, explica que apósa morte de seu tio Sebastião Teixeira de Assunção, não havianinguém para fazer a manutenção do presépio, que acabou ficandofora de funcionamento. Segundo ela, o presépio foi levado para umamarcenaria para ser restaurado pelo Sr. Calixto. Entretanto, Calixtoficou doente e impossibilitado de fazer a reabilitação. MariaAparecida conta que passou a buscar ajuda para consertar o presépio:“Eu prometi para meu tio Sebastião que enquanto estivesse viva nãoia deixar o presépio acabar. E foi aí que o Imbroisi apareceuoferecendo fazer a reabilitação. Ele caiu do céu”.
Segundo Imbroisi, o trabalho foi feito com enorme preocupação emmanter as características originais do presépio, já que ele étombado pelo patrimônio. “Eu buscava engenheiros para decifrar osmecanismos, que era uma coisa assustadora. Foi quase um milagre verele funcionar, confesso que achei que não ia conseguir”, contaImbroisi.
Além da reabilitação, foi reformado o local original de criaçãoe visitação do presépio, na Casa da Muxinga. A reforma tambémseguiu as características originais do local, procurando nãodescaracterizar o ambiente. Segundo Maria Aparecida, é a primeiravez em 30 anos que o presépio volta ao local de origem.
Maria Aparecida se diz muito feliz com a reabilitação, pois “écomo se fosse uma missão cumprida. É um patrimônio da cidade, dahistória dela e ainda é uma coisa de família, que passou pelo meupai e meus tios e que não pode acabar. É uma coisa que funciona háanos e anos, que alegrou nossos antepassados”.
Imbroisi afirma que ficou preocupado pelo fato de que as pessoas,principalmente as crianças, estão muito acostumadas com as novastecnologias digitais, podendo não se interessar pelos mecanismosantigos do presépio. “Fiquei preocupado, mas quando levei minhafilha de oito anos para ver o presépio e vi como os olhinhos delabrilhavam, percebi que não havia porque me preocupar. O presépioencanta todo mundo”, conta Imbroisi. A opinião é compartilhadapor Maria Aparecida: “As crianças ficam fascinadas ao ver osbonecos mexendo, os sinos tocando. O Presépio da Muxinga é muitobonito”.

O Presépio

O Presépio da Muxinga é um dos mais tradicionais símbolos do Natal são-joanense. Começou a ser construído em 1929, pelos irmãos Ivo Teixeira Filho e Sebastião Teixeira da Assunção e foi adaptado aolongo dos anos até chegar a sua forma atual. 

Arquivo Família Teixeira Assunção
Sebastião Teixeira e Ivo Teixeira Filho, dois dos fundadores do presépio,

A principal característica do presépio são suas diversas figuras em movimento. Além dos símbolos comuns do Natal, como o menino Jesus na manjedoura, a obra conta com uma Igreja com os sinostocando, pastores, moinhos de vento, pescadores, serradores, mulherespassadeiras, rodas com elefantes e até um Papai Noel.
Tombado pelo IPHAN, já foi exposto em diversos pontos de São João del-Rei, como na prefeitura, no Largo São Francisco e no Museu Tomé Portes del-Rei. Em 2001, ficou em segundo lugar no concurso “Natalde Luz nas Gerais – Presépios de Minas”, realizado pela CEMIG.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Lendas de SJDR dão vida a passeio noturno na cidade



      Foto Íris Marinelli
As lendas são encenadas na rua, em frente aos principais pontos históricos de SJDR


Walquíria Domingues


São João del-Rei, que já foi Capital Brasileira da Cultura em 2007, tem o dom de eternizar suas tradições culturais. Ela possui peculiaridades como a Linguagem dos Sinos, que se tornou patrimônio nacional e o Ofício de Trevas, ritual religioso centenário realizado na Semana Santa, que não é mais praticado como aqui nem mesmo no Vaticano. O que também chama a atenção é uma série de lendas que instigam a imaginação e a curiosidade de moradores por gerações e também de turistas que visitam a cidade.

Criadas pelas antigas gerações, as lendas talvez não possuíssem nenhum registro escrito. Apenas foi passada de ‘boca em boca’ cada história, cada causo. Algumas das lendas contam histórias inacreditáveis, como o caso d’ O Senhor do Mont’Alverne: a aparição misteriosa de uma imagem em tamanho real do Senhor do Mont’Alverne, que foi levada para o altar-mor da Igreja de São Francisco de Assis, onde se encontra até hoje.

Outras lendas são a da “Chica mal-acabada”, “A missa das almas”, “A Bisbilhoteira” e o “O segredo”. Verdade ou não, imaginação ou não, as histórias atravessaram séculos, décadas, viajaram gerações e desembarcaram na atualidade. Todas as lendas podem ser lidas no portal www.sjdr.com.br, no livro "Contam que...” de Lincoln de Souza, ou vividas em um belíssimo passeio noturno turístico, com a encenação das histórias são-joanenses nas ruas e esquinas da cidade.

Durante a noite as ruas ganham vida e são vistas com outros olhos. Enquanto o guia apresenta a riqueza arquitetônica e cultural de São João del-Rei, das vielas e dos sobrados surgem personagens atípicos: uma senhora vingativa, uma velhinha e um padre amedrontados, uma bisbilhoteira, uma jovem louca, uma senhora ciumenta e vingativa, um coronel assustador.

A partir de 2007, estas lendas se tornaram teatro vivo de rua integrado a passeio turístico noturno, em um Projeto desenvolvido pela Coopertur – Cooperativa de Condutores de Turistas de São João del-Rei, o Lendas São-joanenses. “O Lendas começou com um grupo, um curso oferecido pela Unesco, chamado ‘Monumenta’, capacitando as pessoas para serem guias turísticos. E a maioria que fez o curso trabalhava durante o dia, então eles tinham que estudar a noite. Logo, eles iam passear a noite para estudar e ver os monumentos da cidade. O Cristóvão começou a perceber que a cidade a noite era maravilhosa. Daí a gente pensou em fazer um tour noturno. As idéias foram crescendo, e não queríamos só o tour”, conta Karla Vitalino, integrante do projeto. “Pensamos em contar as lendas, mas ainda faltava algo, então pensamos que encená-las era mais interessante”, diz.

Interessante é pouco. Os personagens vivos interagem com os turistas e participantes do passeio. A Dona Virgínia, papel interpretado por Monique Silva na lenda “A missa das Almas”, pede ajuda para subir as escadarias da Matriz do Pilar e por ali fica, afinal, depois de participar de um Ofício de Mortos à meia noite na igreja, diz que nunca mais entra em nenhum templo na cidade. “Que Deus me perdoe”, implora, “mas agora eu rezo só em casa”. 
 
                                                                                                                                      Foto André N. P. Azevedo
Equipe do Lendas São-joanenses, depois da apresentação
Tia Tudi, a Bisbilhoteira, do sobrado a vê indo embora, e conta seu causo, e assim as lendas se entrelaçam e vão sendo descobertas com atenção, admiração, sustos e risos. As pessoas se encantam, como Augusto, de Curitiba, que resolveu acompanhar o passeio. “Achei muito legal, e não tinha visto nada parecido. Na verdade eu fiquei surpreso com tudo, é muito melhor do que um guia simplesmente comentando o passeio. Com as histórias daqui é muito melhor e mais interessante entender e conhecer a cidade”, conta o turista, feliz com o passeio.

O Lendas São-Joanenses, que tem como principal finalidade difundir a valorização e preservação do patrimônio histórico cultural da cidade, conta com um grupo atual de 12 pessoas, envolvendo guias de turismo, atores e equipe de apoio, e todos são muito unidos. Monique Silva, que faz Teatro na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e um curso profissionalizante para atores da Cia teatral ManiCômicos, conta que é a segunda atriz do Lendas. Orgulha-se em dizer que a união do grupo a faz se sentir em família e que “quando falta um ator, o outro faz o papel, sem problemas. O pessoal é muito unido, desde o início, e isso é muito importante pra manter o projeto vivo”, diz. Karla acrescenta que isso mostra como todos têm a mesma importância dentro da equipe. “Ninguém é mais que ninguém”, fala.

Acreditando que é preciso conhecer para preservar, o passeio, que ocorre no terceiro sábado de cada mês, mas que também realiza apresentações para públicos fechados quando solicitado, tem contribuído para a preservação da cultura local e divulgação turística de São João, focando sempre o turismo. “Passamos nas pousadas e hotéis e entregamos nossos panfletos e tem grupos que fecham um pacote com a gente”, conta Monique Silva, que interpreta todas as personagens femininas das lendas, como a Dona Virgínia e a Chica Mal Acabada. Mas, apesar de o foco ser o turismo, a participação da comunidade em eventos culturais como este é tão bem vinda quanto à de turistas, e isto contribui para que não morra o que São João tem de mais rico, que é seu patrimônio material e imaterial.

O trabalho foi todo embasado no livro "Contam que...” de Lincoln de Souza. Monique Silva explica que a partir das leituras das histórias, eles mapearam as características dos personagens, “alguns ilustres da cidade, como o irmão Moreira, que realmente existiu e que tem uma homenagem sua até hoje na entrada da Santa Casa”, conta. A equipe analisou o psicológico de cada personagem, a postura deles através das narrativas, e assim conseguiram montar a estrutura física do teatro de rua, tudo de forma amadora, segundo eles, mas feito com muito carinho.

Apesar de hoje o espetáculo, seguido com explicações dos guias turísticos sobre a cidade, ser um primor de dedicação, a equipe está à procura de novos atores, que tenham disponibilidade noturna, e também de um diretor “para dar um profissionalismo e uma cobrança maior na equipe. Até hoje fizemos tudo muito no ‘achismo’, e queríamos alguém que nos guiasse melhor. Só temos medo de que o diretor chegue e queira mudar tudo. Nós queremos que continue como é, que é a nossa essência, a essência da cidade”, comenta Karla.

Apesar do considerado amadorismo, o trabalho conquistou em 2010 um troféu do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade de Preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. Cristóvão Vitalino, um dos coordenadores do projeto, mandou um material riquíssimo depois de ler o edital, e o Lendas São-Joanenses foi selecionado para concorrer em Minas, na categoria Salvaguarda de Bens de Natureza Imaterial. “O Jadir Janio (um dos coordenadores) e a Fabrícia (integrante do projeto) foram em Diamantina receber o troféu pela indicação”, conta Karla, muito orgulhosa, e isso fez com que o projeto fosse mais bem reconhecido, a nível nacional, e o mais importante, aqui na cidade. “Todo mundo já conhece o Lendas, e este era o sonho do Cristóvão. Aliás, ele tem dois sonhos. Primeiro que isso seja de fato uma realidade, e segundo que o Lendas ganhe uma mídia nacional, como já ocorreu no programa Terra de Minas e na TV Panorama”, conta Karla, que acompanha os sonhos do Lendas e os vêem sendo realizados.

O projeto, que também foi aprovado pela Lei Rouanet, e que já conseguiu 20% da verba com o patrocínio da Cemig, conseguiu contratar um figurinista “que vai nos ajudar a sair do achismo”, diz Karla, muito empolgada. “Uma vez um padre nos disse que na época retratada na lenda, os padres não usavam estola, por exemplo”. Para ajudar na verba, a fim de aprimorar o projeto, “é cobrada uma taxa de R$10, além da venda de suvenires do projeto, como camisetas, bonés, e os famosos bonequinhos dos Monges, os mascotes do projeto, além das Agendas, Cartazes e Calendários de mesa doados pela Atitude Cultural e projeto Ser nobre é ter identidade, também de São João.

Esta forma de fazer turismo, o Turismo Vivencial, vem ganhando muito espaço na área, mas como o Lendas, só mesmo fora do país. Giuliana Pitança, que hoje mora fora do Brasil, mas que foi criada em São João del-Rei, voltou à sua terra para prestigiar o projeto Lendas São Joanenses, em que a irmã, Márcia Pitança, é participante. “É muito legal a dedicação deles, eles tem um grupo muito interessante”. Ela conta que trabalha em Londres, mas mora numa cidadezinha chamada York. “É também uma cidade turística e muito antiga, e eles tem uma coisa bem parecida, que se chama Ghost Walk (Passeio dos Fantasmas). York tem a fama de ser a cidade mais mal assombrada do mundo. E no passeio, eles ficam na rua, no lugar turístico, e ficam chamando o pessoal pra vir acompanhar, todos os dias, às 19h no verão, e vão contando as suas histórias”, explica.

Assim, como em São João del-Rei, caminhar pelas ruas de York é descobrir surpresas históricas em cada esquina. A modalidade de tour e guias fantasmagórica, assim como as lendas de São João, caracterizou York e é inimaginável visitar a cidade sem ser detetive de fantasmas por um dia, no Ghost Creeper Tour of York, ou sem se amedrontar no York Horror Tour. Outros passeios característicos são o Ghost Trail of York (Rastros de Fantasmas em York), o Haunted Walk of York (Caminho Assombrado de York), The Ghost Hunt of York (O caça fantasmas de York) e o The Original Ghost Walk of York (O original passeio de fantasmas de York). Porém, nem todo passeio turístico de fantasmas é para exploração comercial: alguns casos são promovidos pelas autoridades para caridade, que é o caso da Igreja Paroquial Halifax, onde afirmam que é assombrada por um antigo sacerdote.

O Lendas, possivelmente o único passeio deste tipo no Brasil, tem se tornado um ícone para quem visita São João del-Rei, assim como os Ghost Walk de tornaram marca registrada em York, Inglaterra. Desta forma, como vem sendo tão bem feito pelo grupo Lendas São Joanenses, não só as lendas, mas toda a cultura da cidade continuará viajando pelo tempo à frente, se eternizando juntamente com a cidade. Jadir Janio, Karla Vitalino e Cristóvão Vitalino podem se orgulhar, afinal “Se você foi pra São João e não foi no Lendas, com certeza estará faltando alguma coisa”.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Presépio do Nono Rela

                                                                                                                                                        Foto Alzira Agostini H.
Nono Rela construindo o novo presépio do Natal de SJDR

Carol Argamim Gouvêa

O Natal de São João del-Rei irá ganhar um novo presente: o Presépio do Nono Rela. Criado pelo engenheiro elétrico João Carlos Rela, o Nono Rela, é baseado em presépios italianos e mostra o cotidiano de uma cidade da Idade Média em movimento. O presépio ficará em exposição entre 10 de dezembro e 6 de janeiro, no Museu de Arte Sacra, iniciativa que integra a programação de Fim de ano e Férias/Cultural da Atitude Cultural.
Segundo Rela, o presépio ainda não está completo e serão adicionados elementos novos a cada ano. No projeto original, estarão presentes 75 figuras em movimento, divididas em três partes: uma parte representará um cidade medieval, em outra haverá uma gruta de Belém (que é uma réplica de uma que existe na Itália, na Igreja de São Cosme e Damião), e no centro se encontrará São João del-Rei. No momento, São João ainda não faz parte do presépio.

O engenheiro explica que seu presépio é diferente do da Muxinga, tradicional obra são-joanense. “O da Muxinga é mais rudimentar, com coisas de madeira. Minha ideia inicial era fazer algo desse tipo. Depois de verificar outros presépios, vi outros conceitos, outras formas de movimento. Os movimentos do meu presépio são diferentes, mais humanizados. Tem muitos detalhes, enfeites e movimentos reais”, afirma.
                                                                                                                     Foto Alzira Agostoni H.
Detalhe do presépio, repleto de movimentos
Para Rela, a construção do presépio foi um desafio e uma boa forma de utilizar o tempo fazendo algo que gosta. “Como eu sou aposentado, não quero perder tempo. Sempre tive a ideia de fazer um presépio e comecei a fazer”, conta. Utilizando de seus conhecimentos de engenharia, e contando em alguns momentos com a ajuda do estudante de engenharia mecânica Hugo Agostini Haddad, Rela utilizou materiais que já tinha em casa para a construção. E os materiais vão desde um motor de máquina de lavar roupa eguarda-chuvas desmontados até papelão ondulado de pacote de bolacha. Brinquedos antigos e embalagens também foram utilizados, mas ele garante que “tudo está disfarçado, muito bem montado”.
Rela conta que desde criança gostava de presépios, que era uma tradição em sua casa. “Quando era criança, minha mãe montava o presépio e eu gostava de movimentar as imagens, aproximar os Reis Magos do menino Jesus com o passar dos dias, até o dia dos Reis Magos”, conta. Atualmente, ele afirma possuir 10 presépios em casa: “Tenho presépio mexicano, boliviano, italiano, brasileiro. Presépios grandes, pequenos, de vários tipos. Temos que manter a tradição”. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

São João del-Rei ganha “Casa dos Conselhos”

Foto: Alzira Agostini H.
Reunião na Casa dos Conselhos de SJDR
Carol Argamim Gouvêa

São João del-Rei irá ganhar um novo elo entre a população e a administração pública, em relação à cultura e ao turismo. Trata-se da Casa dos Conselhos, “Nossa São João”, que será inaugurada no próximo dia 9, às 18 horas. O espaço, que fica ao lado da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, irá servir como ponto de encontro de conselhos municipais, como os Conselhos de Patrimônio, Cultura e Turismo, o Convention Bureau e a Associação Amigos de São João del-Rei.

Além disso, essas entidades poderão utilizar a “Nossa São João” para reuniões próprias, tendo à disposição telefone, secretária, armários e mesa de reuniões. De três em três meses ocorrerá um “Conselhão”, constituído de uma reunião composta por todos os conselhos, que farão um planejamento e monitoração das atividades da Secretaria de Cultura e Turismo, decidindo as questões referentes à cultura são-joanense.

Segundo o Secretário de Cultura e Turismo, Ralph Justino, a “expectativa é que todo o planejamento na área de cultura e turismo seja realizado pela Casa dos Conselhos”. Para ele, esta é uma forma moderna de administrar, pois é participativa e aumenta a governança no município. A opinião é compartilhada pela presidente da Associação de Amigos de São João del-Rei, Alzira Agostini Haddad: “Um conselho municipal é uma forma maravilhosa de dividir a gestão publica. São pessoas que representam uma instituição e que, de graça, voluntariamente, trabalham pela cidade. Se os gestores públicos percebessem a importância dos conselhos, a cidade daria saltos na questão da gestão”.

Ralph Justino também explica que “a ideia é dar mais ouvidos à iniciativa privada para que possamos planejar melhor as ações da cultura e turismo de São João del-Rei e monitorar o andamento dos projetos”. Segundo ele, a iniciativa pode permitir maior unificação das instituições culturais da cidade. “Os conselhos muitas vezes tem pessoas comuns em sua estrutura e projetos que também podem ser do interesse mútuo. Queremos realizar a cada três meses a reunião do Conselhão, que será com todos os conselhos. Dessa forma todos podem acompanhar o que cada conselho está realizando e poderão dar idéias e fazer cobranças para a secretaria”, diz.

Para Alzira, a “Nossa São João” irá garantir também a sobrevivência dos conselhos. “Eu considero essa iniciativa maravilhosa, porque os conselhos sobrevivem de uma forma inacreditável, porque não têm investimento, espaço ou articulação. Agora tudo vai melhorar com esse novo espaço”, afirma. Segundo ela, a atuação dessas entidades é de extrema importância para a cidade: “O conselhos orientam, instituem referências. Eles se esforçam para que as leis sejam obedecidas, para que haja normas”.

Na reunião de inauguração da “Nossa São João”, que acontecerá no próximo dia 9, será debatida a regularização das placas e toldos do Centro Histórico de São João del-Rei, atendendo a um decreto municipal. Estão convidadas todas as associações, vereadores, secretários municipais, imprensa e população.
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