quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Comenda da Liberdade e Cidadania

Foto: Mayra Melo
Medalhas da Comenda da Liberdade e Cidadania foram entregues à 150 personalidades

Walquíria Domingues

Evento homenageou o Tiradentes e agraciou com medalhas personalidades políticas, culturais, ambientais e sociais mineiras e brasileiras.

A medalha “Comenda da Liberdade e Cidadania” foi entregue, pela primeira vez, no dia 13 de novembro, em uma solenidade nas ruínas da Fazenda do Pombal. O evento, que homenageou 150 personalidades do mundo político, cultural, ambiental e econômico, comemorou o nascimento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A comenda, instituída por meio de decreto conjunto (de 06/09/2011) dos prefeitos de São João del-Rei, Tiradentes e Ritápolis, foi parte das comemorações cívicas do “Dia da Liberdade”, na Fazenda do Pombal, berço do Tiradentes, que visa reviver seu sonho e seus ideais de liberdade e cidadania.

O projeto que institui o dia da Liberdade em Minas foi aprovado na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, no ano passado. “Essa ação partiu do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei e da Academia de Letras de SJDR. Essa história vem de uns quatro anos pra cá”, conta Adenor Simões, responsável pela produção do evento. Ele também explica que há alguns anos já se fazia uma pequena comemoração no Pombal, em homenagem ao dia do batizado do Tiradentes, que é 12 de novembro. Depois surgiu um novo grupo que criou o Instituto da Liberdade. “E foi esse instituto, juntamente com as três prefeituras é que criaram uma lei conjunta, que culmina com a cerimônia de entrega das medalhas”, explica Adenor.

Atrações e eventos celebram liberdade
A programação do dia 13 começou às 7 horas da manhã, com o apito da Maria Fumaça, seguido do repique e sinfonia dos sinos das igrejas de São João del-Rei. Depois todos seguiram para a Fazenda do Pombal, para que os agraciados, convidados e autoridades fossem credenciados junto à Chancelaria.

Com a apresentação da Banda da Polícia Militar de Minas Gerais, a apresentação do Grupo Teatral de Tiradentes, do sobrevôo de balão sobre a Fazenda, e da apresentação do hino da Comenda da Liberdade e Cidadania por Marcus Viana, a solenidade foi abrilhantada. A comemoração é um novo marco para homenagear devidamente Tiradentes, um herói que há muito vem sido visto somente como um mártir. “Talvez de imediato não se tenha percebido, mas este outro modo de olhar o passado com certeza indica uma nova direção que - como Joaquim José - sonhamos para o presente e para o futuro”, diz o jornalista Emílio da Costa, em seu blog Tencões e Terentenas.

Antiga disputa
A Fazenda do Pombal é objeto de desejo das três cidades organizadoras da Comenda. Há registros na Biblioteca Nacional e na Catedral do Pilar de SJDR de que a Fazenda, onde nasceu Tiradentes, pertencia a São João del-Rei, como ele próprio declarou ao ser preso. A Coroa Portuguesa chegou a demarcar a área e o Pombal passou a ser de São José d’El Rey (hoje Tiradentes), e só se tornou território de São João d’El Rey em 1755. Mas depois de mais de duzentos anos, em 1963, o Pombal passou a ser uma área de Ritápolis. Agora, em consenso, as três cidades, que já entraram até na justiça para decidir qual seria o município de Tiradentes, sentem-se o berço do herói. Ano que vem a cidade de Tiradentes recebe o evento, e em 2013, Ritápolis será a anfitriã.

Os agraciados
Além do governador Antonio Anastasia, do senador Aécio Neves, do arquiteto Oscar Niemeyer, e dos ministros da cultura e da justiça, foram agraciados com a medalha personalidades políticas, culturais, ambientais e sociais de São João del-Rei, Tiradentes e Ritápolis. O decreto conjunto estabelece que a comenda condecora cidadãos mineiros, brasileiros e estrangeiros que se destacaram no incentivo, apoio e divulgação de atividades relacionadas a cidadania, liberdade e responsabilidade social, a cultura, preservação ecológica e ambiental, a história e ao civismo. “A responsabilidade de escolha dos agraciados ficou distribuída entre as três prefeituras, as três câmaras, o IHG/SJDR, a Academia de Letras de SJDR e também a chancelaria do Instituto da Liberdade”, explica Adenor Simões.

A chancelaria e o conselho, integrado pelo chanceler da Medalha, Eugênio Ferraz; pelo vice-chanceler, Wainer de Carvalho Ávila; pelo secretário, Francisco José dos Santos Braga; e pelo vice-secretário, Auro Aparecido Maia de Andrade, além do comitê formado pelos prefeitos municipais e presidentes das câmaras municipais escolheram grandes nomes, importantíssimos na história de São João del-Rei, como Abgar Campos Tirado, grande maestro, pianista, compositor e literato, e Jota Dangelo, dramaturgo, diretor, ator e carnavalesco.

“Eu acho que essa homenagem de Tiradentes é uma coisa extraordinária. Eu acho muito louvável a cerimônia de hoje e fico muito grato de ter sido indicado para receber a medalha, me sinto muito honrado”, disse Abgar Tirado, que defendeu seu ponto de vista a respeito da naturalidade de Tiradentes. “Na verdade ele nasceu em SJDR. Quando houve essa divisão com Ritápolis, o Pombal passou para Ritápolis. A cidade de Tiradentes reivindica também a sua naturalidade, já que ele morou lá quando criança. Então é justo que as três cidades participem, embora eu, no meu bairrismo, gostaria que estivesse continuando como SJDR, por que o Pombal está tão perto”, afirmou.

Já Jota Dangelo achou a idéia completamente válida. “Essa comenda vem, na verdade, unir estas três cidades, porque as três foram o berço de Tiradentes. Portanto, essa divergência hoje não tem mais sentido. E ao mesmo tempo as três cidades se sentem orgulhosas de prestar esta grande homenagem, exatamente no dia do batismo de Tiradentes, perante o país todo”, explicou. O dramaturgo ainda disse que se sentiu muito honrado em receber a medalha. “Evidentemente os agraciados se sentiram honrados com essa comenda, inclusive porque não é tanto pelo mérito dos agraciados, pelo menos no meu caso, mas pela generosidade dos promotores desta comenda”, disse.

Para o Claudionor, considerado o “fundador do Kibom” em São João del-Rei, a Comenda foi emocionante e inesquecível. “Pra mim foi uma grande surpresa. Sinto-me até constrangido de estar no meio desse pessoal. Nos dias de hoje, o meu passado tem história mesmo. Estou satisfeito por terem se lembrado de mim”, disse Claudionor, que com um sorriso, falou: “estou aqui, no meio dessa gente importante... Vou colocar minha medalha lá no bar”, referindo-se ao Bar do Kibom, totalmente reformado.

Considerando os ideais de liberdade e cidadania, Helvécio Reis, Reitor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), também agraciado com a Medalha, disse que aprovou a articulação dos três municípios em torno de Tiradentes e do conceito de liberdade. “Eu acho que a palavra ‘liberdade’ e a palavra ‘cidadania’ devem ser hoje um tema constante e sempre lembrado na nossa vida cotidiana”, afirmou.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

5º Felit agita fim de semana em São João del-Rei

André N. P. Azevedo

Íris Marinelli
Ziraldo faz sucesso com as crianças
São João del-rei recebeu entre os dias 9 e 13 de novembro de 2011, a 5ª edição do FELIT – Festival de Literatura de São João del-rei. O evento, que teve o cartunista e escritor Ziraldo como homenageado agitou a cidade durante o último final de semana.

Diferente das edições anteriores, em 2011 o Festival aconteceu no Largo do Carmo, no centro histórico da cidade, e contou com oficinas e palestras durantes os cinco dias do evento.

Segundo o curador do FELIT José Eduardo Gonçalves, a mudança de endereço acabou sendo positiva. “A chegada do festival às ruas não foi apenas uma mudança de endereço, foi uma mudança da essência do próprio festival, mostrando que esse não é um evento apenas para que gosta de livros, mas para quem gosta de cultura”, afirma.

Para Gonçalves, a escolha de Ziraldo como homenageado contribuiu para o sucesso do festival. “Esse ano nosso foco era o público infanto-juvenil e o sucesso do Ziraldo com as crianças é impressionante”, diz.

Apesar de ser um festival literário, o evento contou também com o lançamento do filme “Uma professora muito maluquinha”, baseado no livro de mesmo nome escrito pelo Ziraldo e que teve grande parte de suas cenas gravadas em São João del-Rei.
                                                      André N. P. Azevedo
Reinaldo Figueiredo no 5º Felit
O FELIT teve ainda diversas atrações voltadas para o público adulto. Na quinta-feira, dia 10, Ziraldo abriu o primeiro dia das discussões literárias, na seção intitulada Palavra Aberta, que ocorreu no Conservatório de Música, na qual, o autor falou um pouco sobre sua carreira e sobre a educação básica no Brasil.

Na sexta-feira o público foi contemplado com a mesa redonda “O humor na imprensa –1964 a 2011 – Só dói quando eu rio”, que contou com a participação de Ziraldo e do humorista Reinaldo Figueiredo. O debate comparou o humor de hoje, cm o que era feito pelo “O Pasquim”, jornal fundado por Ziraldo e outros humoristas, durante a Ditadura Militar (1964-1984).

Além das mesas redondas, o público teve ainda o “1º Roteiro Gastronômico do Felit”, que reuniu diversos restaurantes da cidade. Além de deliciar, que passasse por no mínimo quatro restaurantes cadastrados concorria a um livro do Ziraldo.

Ziraldo
                                                                                                                       André N. P. Azevedo
Ziraldo foi o homenageado do 5º Felit
Em entrevista concedida ao Observatório da Cultura, o autor homenageado do 5º FELIT, falou um pouco sobre o festival e sobre o lançamento do filme “Uma professora muito maluquinha”. Segundo o autor, o livro (que deu origem ao filme) é inspirado em uma professora que ele teve na infância. “É muito difícil você escrever uma história sem ter um modelo, eu tive vários professores na minha vida, mas teve uma principal que eu me inspirei, chamava Catarina como a personagem e era completamente maluquinha”, conta.

O objetivo do livro e consequentemente do filme é, segundo Ziraldo, é: “Passar para as pessoas o meu sonho de como eu quero que seja a educação fundamental no Brasil”, diz. Para Ziraldo, as pessoas tem que fazer com que o cinema, a televisão e a internet ajudem na educação. “Temos que reinventar a educação todo dia.”

Para Ziraldo é importante que as crianças não cheguem ao computador, ao mundo virtual, sem ante passar pelo livro. “O livro é a base”, explica. Para o autor a coisa mais importante que uma criança pode aprender no ensino fundamental é ler, escrever e contar. “A literatura é maior do que a vida, na literatura você pode inventar o que você quiser”, diz.

sábado, 12 de novembro de 2011

Humor e Imprensa ontem e hoje

André N. P. Azevedo
Reinaldo Figueiredo, Ricky Goodwin e Ziraldo falam sobre o humor na imprensa.

Walquíria Domingues

As teses de Ziraldo encheram de risos e reflexões o auditório do Conservatório Estadual de Música Pe. José Maria Xavier, no dia 11 de novembro, e foram compartilhadas no palco juntamente com Reinaldo Figueiredo, um dos fundadores do tablóide O Planeta Diário e integrante do grupo Casseta & Planeta, e Ricky Goodwin, jornalista há 43 anos e especialista em Humor, que integrou a equipe do Pasquim por 13 anos. A conversa, que tratou de falar do humor na imprensa entre 1964 e 2011, fez parte do Festival de Literatura de São João del-Rei, FELIT, que aconteceu entre os dias 9 e 13 de novembro, no centro histórico da cidade.

A plenária se iniciou com os convidados relembrando a época da ditadura militar, em que os cartunistas se tornaram chargistas, cenário do nascimento do jornal O Pasquim, semanário brasileiro, conhecido pela forte oposição ao regime militar, que durou 22 anos. A charge, instrumento humorístico altamente crítico-político, ganhou espaço na imprensa durante o regime. “Sempre que a tirania se estabelece, as pessoas começam a atacar a tirania com o humor. Daí surge o Pasquim, em plena ditadura”, conta o escritor Ziraldo.

Ditadura militar x Ditadura econômica
Certo de que aqui no Brasil os cartunistas, desenhistas e chargistas eram autodidatas, e que passaram bem longe das escolas de belas artes, Ziraldo conta que sua escola e a de seus colegas era assinar as revistas brasileiras, como O Cruzeiro, e até mesmo O Pasquim. Com relação ao periódico, que podia ser fechado a qualquer momento pela censura do regime, apareceram muitos jovens interessados em ingressar no mundo do “bom humor”. Foi assim que Ziraldo e a equipe do Pasquim (Jaguar, Millôr Fernandes, Fortuna, Henfil, Ivan Lessa, Paulo Francis, dentro outros grandes nomes), conheceram Reinaldo Figueiredo. “Nós levamos um ano pra ouvir a voz dele”, brinca Ziraldo, que apesar de revelar a timidez de Reinaldo, o considera um dos responsáveis por reinventar o humor na televisão, com o Casseta & Planeta.

Com relação ao humor e à TV, surgiram muitas críticas. “A TV não cria tendência, ela que domina tudo”, arrisca Ziraldo, que ataca com mais precisão a Rede Globo: “A TV Globo não cria inteligência. Como dizia Millôr: escreva seu texto para o leitor mais inteligente. Mas a TV diz: faça seu texto para o telespectador mais burro”, critica o escritor. Ainda enfurecido pelo humor ruim na televisão brasileira, Ziraldo arranca risos do público ao falar dos atuais programas humorísticos: “O Zorra Total consegue ser pior que a Praça É Nossa, e tenho vontade de mandar matar os Caras de Pau”, brinca.

O escritor e desenhista reclama que o humor da ditadura era um humor inteligente, e que o público prezava pela criatividade da criação, mas que hoje não é mais assim. Ainda sobre o Pasquim, Ziraldo se orgulha em dizer, depois da plenária, que o periódico mudou a linguagem do jornalismo e do humor brasileiro, e foi um alento para as pessoas da época. “Em vez de a gente ficar em casa se queixando, a gente foi à luta, a gente foi protestar, discordar, a gente foi correr risco”, diz. O que falta hoje para o país é isso, e a “tese” de Ziraldo foi aprovada pelos convidados Reinaldo e Ricky Goodwin.

Humor Bom x Humor Ruim
O jornalista e especialista em humor Ricky Goodwin indaga se o humor hoje está decadente ou diferente, e se não vem sendo censurado pela ditadura econômica e pelos grandes donos da mídia. Mas Reinaldo Figueiredo acredita que, apesar de sempre haverem impasses com relação ao humor, com a democracia e a liberdade, aumentaram a probabilidade de surgir muitas coisas ruins. Um dos fundadores do O Planeta Diário, Reinaldo prefere acreditar que “o que falta é a educação do público, pra saber dizer o que é humor bom e o que é humor ruim”, diz.

Ele relembra algumas capas históricas do jornal mensal humorístico, que fez surgir o Casseta Popular, depois transformado em Casseta & Planeta. “Presidente está indo longe demais: depois da China, Sarney vai à merda”, e “Brasil aliviado: Tancredo já está cagando e andando”, levantaram risos do público da plenária, que tiveram a oportunidade de ouvir a história das manchetes, que só podiam existir, é claro, depois da abertura do regime militar. “No Planeta Diário nós fizemos um ‘teste-drive’ da democracia, com manchetes meio absurdas”, recorda Figueiredo.
 

Capa de O Pasquim, de 1971
Com a bela frase de que “fora do livro não há salvação”, Ziraldo faz várias críticas ao uso indevido da internet, estas apoiadas por Figueiredo. “Na internet tem uma quantidade absurda de coisas ruins. Mas você não pode coibir os caras de fazer piada ruim, você pode só comentar, criticar. Isso está dentro do jogo da democracia”, explica Reinaldo. É preciso saber ir até onde o bom conteúdo está. “Mas quantos por cento dos usuários vão atrás dessas informações?”, lamenta Ziraldo. Infelizmente, o conhecimento, hoje ao alcance de todos, não é procurado pela maioria das pessoas, inclusive pelas que tem acesso à internet. Dentro do humor, a busca pelo melhor também deve acontecer. “A piada de mau gosto vai existir sempre, e quanto mais tivermos liberdade, mais vão existir coisas em quantidade, e quantidade e qualidade não é a mesma coisa”, avalia Reinaldo.

Com relação a esses tipos de manchete, Ziraldo também se lembra de uma capa do Pasquim que causou alvoroço na época. “Todo paulista (que não gosta de mulher) é bicha” foi uma manchete que fez esgotar em poucas horas toda a tiragem daquela edição do jornal. Ziraldo conta que ao ler que todo paulista é bicha, em letras garrafais, o leitor se indignava tanto que não via a minúscula informação entre a frase, que a fazia ter sentido. Foi esse tipo de humor que enfrentou o regime e fez surgir grandes nomes da arte, da charge e do jornalismo brasileiros. “A gente parecia ser muito corajoso”, brinca Ziraldo.

Conhecimento, humor e educação
Preocupados com o rumo que a população brasileira está tomando com relação à educação, a conteúdo e à procura de conhecimento e informação, os convidados levantaram uma rica discussão. “Enquanto você não transformar o Brasil num país de leitores, não há esperança de mudar”, inicia Ziraldo, que continua dando conselhos “Se não passar pelo livro, não chega à internet inteiro. Se as crianças gostassem de ler, elas aprenderiam o resto com o pé nas costas”, diz.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Literatura e jornalismo na 5ª FELIT

Walquíria Domingues


"Vocês são privilegiados por poder contar com este evento maravilhoso, com tantos profissionais bons que vão estar aqui”, diz o jornalista Lucas Figueiredo, convidado especial da palestra de abertura oficial do 5ª Festival de Literatura de São João del-Rei. O evento, que aconteceu no anfiteatro do CTAN (UFSJ), no dia 26 de outubro, teve como tema a interface entre a literatura e o jornalismo, foco do evento desde ano, e apresentou para a comunidade acadêmica e representantes culturais da cidade as atrações da quinta edição do FELIT.

O festival, realizado pela Via Comunicação e pela Quarteto Filmes, foi apresentado pelo coordenador geral Lúcio Teixeira, produtor cultural e jornalista, e pelo curador José Eduardo Gonçalves, natural de São João del-Rei, escritor, editor e também jornalista. O evento acontecerá entre os dias 09 e 13 de novembro, no Largo do Carmo e entorno e homenageará Ziraldo, “cartunista, jornalista, chargista, editor cultural, um dos maiores cartazistas e ilustradores que o Brasil já teve”, elogia o curador do evento. Além de ter a presença de Ziraldo do dia 10 até o dia 13, o festival trará muita variedade de atividades.

O FELIT abrirá sua programação no dia 9, no Teatro Municipal, com uma reunião do Núcleo de Interiorização de Cultura da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, com 200 autoridades da região do Campo Das Vertentes. Depois disso virão muitas oficinas, exposições, exibições de filmes, entrevistas, plenárias, apresentações literárias, encontros, lançamentos, espetáculos e estréia. E o evento ainda irá contar com a presença confirmada de Reinaldo Figueiredo, Luiz Ruffato, Ana Paula Maia, Fabrício Carpinejar, Mônica Aquino, Ângela Lago, Ronaldo Simões Coelho, Ana Martins Marques, Sônia Haddad, entre outros.

No primeiro dia de discussões literárias, o escritor Ziraldo terá um bate-papo com o jornalista e curador do evento, José Eduardo Gonçalves, na sessão intitulada Palavra Aberta. Depois o cartunista se encontrará com alunos do ensino fundamental da cidade, no Cine Glória, para exibição do filme “Uma professora muito maluquinha”, que teve em sua produção gravações em SJDR.

Em sequência, o FELIT abrirá a primeira mesa redonda, com o tema “O humor na imprensa – 1964 a 2011 – Só dói quando eu rio”, que terá como debatedor, além de Ziraldo, Reinaldo Figueiredo. As outras plenárias irão tratar a nova literatura mineira e brasileira, a literatura infantil e a formação do leitor, o diálogo poético e as narrativas contemporâneas. Serão 16 profissionais presentes no festival, mediando e participando das plenárias e outras atividades.

Novidades literárias

“Mais que um festival que reúne escritores, é um espaço de debate que envolve pessoas com a palavra como um instrumento de trabalho. Não só os escritores, prosadores, poetas, filósofos, dramaturgos, mas também jornalistas”, afirma José Eduardo Gonçalves. Para o curador do evento, todas as profissões que tem a palavra como sua ferramenta de trabalho são muito bem abrigadas no festival. “Não é todo dia que a cidade pode receber 16 profissionais bacanas: escritores, jornalistas, que de alguma forma te colocam pra pensar no mundo que você vive, no seu tempo, na sua história”, explica.

O festival terá atividades peculiares e novidades para este ano. Além da Sessão Maldita, que traz apresentações literárias produzidas por autores convidados, abertas à participação do público, do Espaço Criança, das intervenções artísticas, do Café Literário, de shows, da feira de livros e do lançamento do livro “Minhas histórias malucas”, escrito pelos alunos da Oficina de Extensão do FELIT (Oficina de Formação de Jovens Autores), haverá também o 1° Roteiro Gastronômico de SJDR.

Os cardápios dos restaurantes participantes serão inspirados na obra e personagens de Ziraldo. Pratos com nomes inusitados, como “Predileto do Tininim”, “Kibe do Pererê Frito”, “Charutinho Maluquinho” e “Lentilhas do Pasquim” darão um sabor especial ao evento. “Como uma forma de envolver mais a cidade, este ano lançaremos o primeiro roteiro gastronômico. Doze restaurantes de SJDR elaboraram um cardápio especial pra apresentar para a população, com nomes inspirados em personagens do Ziraldo”, explica o jornalista Lúcio Teixeira. O convidado especial da palestra de abertura, Lucas Figueiredo, que o diga. O renomado jornalista fez questão de dizer aos alunos da UFSJ: “Fiquei com água na boca com o que vocês vão ter neste festival”, diz.
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