quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A hélice de dois gumes


Walquíria Domingues
Divulgação/ Beatriz Lefèvre
Elvira, o Liquidificador e as tragédias humanas
“Gosto de meter as hélicesnas palavras e nas idéias”, diz o protagonista de “Reflexões de umLiquidificador”. A frase, que soa poética, vem do próprio liquidificador, noúltimo longa-metragem de André Klotzel. O renomado cineasta brasileiro, de “AMarvada Carne” (1986) e “Memórias Póstumas” (2001), esteve no último dia 30visitando os alunos de Comunicação Social da Universidade Federal de São Joãodel-Rei (UFSJ) para exibição do filme e umbate-papo após a seção do longa. Convidado pelo coordenador do curso deComunicação Social, Jairo Faria Mendes, o produtor e diretor de “Reflexões de um Liquidificador”compartilhou várias idéias a respeito do filme e do mercado cinematográfico.
André N. P. Azevedo
André Klotzel, produtor e diretor
O último longa de AndréKlotzel, carregado de humor ácido e de bons atores, retrata bem o trabalho deuma das revelações do cinema independente brasileiro dos anos 80. “Eu querosempre fazer um filme que eu gostaria de assistir”, diz Klotzel. Isso explica oporquê do diretor e produtor não ter sido desta vez também o roteirista, comoocorria em seus trabalhos anteriores. Mesmo acreditando que é muito difícil terempatia com o roteiro, o de “Reflexões de um Liquidificador”, de José Antôniode Souza, encantou Klotzel logo de início. “Gostei do tom de fantasia misturadocom o tom de realidade”, diz.

O filme, que custou doismilhões de reais, teve a história embasada na vida de uma dona de casa, Elvira (Ana Maria Torre), e de seu liquidificador (Selton Mello), que ganha vida apósa troca de hélices e começa a reclamar a certa altura da capacidade que tem deentender a tragédia das pessoas. Segundo Klotzel, “são poucos elementos, poucoslugares, elementos muito típicos”. Um bom exemplo é a casa, usada como principallugar do longa, que foi escolhida a dedo, por ter o perfil dos personagens Elvira e Onofre (Germano Haiut), e de seu estilo de vida, pacato, velho,atrasado.

O aparelho doméstico,porém, foi o que deu mais trabalho. O antigo modelo Walita teve sua cúpulaaumentada e foram usados três liquidificadores, com três motores diferentes.“Um deles vibrava, outro era um motor normal e o outro era um motor elétricoque não fazia barulho, mas que ajudava no diálogo que devia ocorrer para a Ana Maria Torre saber o momento de atuar”, diz André Klotzel. O protagonista dahistória surreal ligava e desligava sozinho, a distância, eram alteradas suasvelocidades e “como tínhamos que fazer um tape atrás do outro, tínhamos 30 copos deacrílico iguais”, conta o cineasta.

As cenas, transitando sempre do horror para o cômico foram trabalhadas com muito cuidado. O que Klotzel queria desde o início era que os momentos trágicos não se tornassem patológicos, um típico filme de terror. Por isso, como no momento em que Elvira tritura o corpo de Onofre no liquidificador, a música foi “claramente leve”,como explicou o cineasta. O filme tentou, de certa forma, trabalhar com osentimento das pessoas, não banalizar o trágico e ter uma leve ponta de humor.Afinal, como diz o liquidificador, “o sentimento humano é uma hélice de doisgumes”.

O evento
André N. P. Azevedo

Um assunto muito abordadona conversa entre Andre Klotzel e os alunos foi sobre o mercadocinematográfico, suas limitações e dificuldades. Para o cineasta, se nãoexistir lei de incentivo à cultura no Brasil, não existe cinema. “E não é só noBrasil, mas também na Europa e na América Latina como um todo”, lamentaKlotzel, que conta como o cinema americano toma conta do mercado mundial, numaparcela de 80%. Ele deu um exemplo claro de como o cinema independente está comdificuldades de expansão no país. “O Tropa de Elite teve 12 milhões deespectadores. O meu filme teve 30 mil espectadores. A disparidade é imensa”,diz. Mas há o lado positivo, já que paralelamente aos longas, está a expansão domercado audiovisual, que é imensa, segundo Klotzel.

Os cursos de cinema sãohabilitações em Comunicação e a comunicação deve ser vista de forma integrada,de acordo com Jairo Faria Mendes, que julgou a presença de Klotzel muitoimportante para o curso que coordena. “Além disso, com as novas tecnologiastodas as pessoas podem produzir filme. Por isso, os alunos de comunicação têmque estar acompanhando a produção cinematográfica e precisam conhecer bem oprocesso de realização audiovisual”, diz.

Ensaio: Contos de Fadas

"Contos de Fadas" transmite através do olhar fotográfico de Mariana Fernandes a beleza, os sonhos e a imaginação das histórias infantis.

O ensaio produzido para disciplina Linguagem Fotográfica do curso de Comunicação Social da UFSJ, está sendo exibido no Observatório da Cultura. É possível ter acesso à apresentação de slides com as fotos no final deste post ou na página Fotografia.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Curta-documentário: Alexandre

O curta-documentário da semana traz como personagem Alexandre Campos, maquinista da Maria-Fumaça em São João del-Rei. Essa não é a primeira vez de Alexandre no Observatório da Cultura, uma vez que já foi publicado um perfil sobre o maquinista, intitulado "O homem da máquina".

O curta foi produzido durante a oficina "Experiência Multimídia", ministrada por Leo Caobelli, Paulo Fehlauer do Coletivo Garapa, durante o 24º Inverno Cultural da UFSJ.



Alexandre from Coletivo Garapa on Vimeo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A solidão e as panelas


André N. P. Azevedo                                                                                                                                                                                                                                                                             André N. P. Azevedo
D. Anita da Silva Valim
O que é a solidão? D. Anita da Silva Valim vive sozinha desde que se tornou viúva há oito anos. Em sua casa, que fica no centro histórico de São João del-Rei, as paredes feitas de adobe estão caindo e a única fonte de luz vem da janela que dá para a rua. Imagens de santos completam a simples decoração do lugar que possui panelas em todos os cantos. Não importe onde os olhos apontem, as panelas estão lá e são sua única companhia, junto com um gatinho vira latas.

D. Anita é paneleira. A arte de consertar panelas foi aprendida com seu falecido marido João da Conceição Valim. “Meu marido era funileiro, paneleiro e eletricista, era muito requisitado, por isso eu ajudava no conserto das panelas, depois que ele morreu eu continuei com a profissão”, conta D. Anita, enquanto bate, com uma força impressionante para uma senhora de 86 anos, as panelas com um martelo, para desamassá-las. 

A rotina de D. Anita começa às 7 horas, quando ela sai para fazer compras. “Faço compras todos os dias porque sempre preciso comprar alguma peça para as panelas, então aproveito para comprar verduras e a ração do meu gato”, explica D. Anita, que apesar de ter dois filhos e ser madrasta de outros sete, convive apenas com seu gatinho de estimação. O fato de viver sozinha não a incomoda. Muito pelo contrário. “Gosto de viver assim, em paz, sabe?”, confessa.
                                                                                                                                   
Paz. É incomum alguém nos dias atuais afirmar que vive em paz, mas não fica difícil entender D. Anita, que trabalha há 20 anos no mesmo lugar, fazendo sempre a mesma coisa. Com uma profissão quase extinta, além de ser basicamente classificada como um trabalho para homens, já que desamassar, martelar e parafusar é um serviço muitas vezes pesado, mas nas mãos de D. Anita, ganha graça e beleza. Vê-la trabalhar enquanto cantarola músicas antigas realmente transmite a tão desejada paz.                                                                                                                                                                                                                                                                      André N. P. Azevedo
D. Anita vive da arte de consertar panelas há 20 anos

D. Anita faz seu trabalho com dedicação. “Eu também sou cozinheira, por isso conserto as panelas como se fosse para mim. Toda cozinheira tem a sua panela predileta e normalmente são essas que as pessoas trazem para consertar, por isso não gosto de atrasar a entrega”, explica.

A paneleira de São João del-Rei vive do conserto das panelas e ganha o suficiente para levar a vida, e com a simplicidade do seu dia-a-dia responde, afinal, o que é a solidão. Para D. Anita, solidão pode ser felicidade. “Gosto muito do que faço, por isso nunca pensei em fazer outra coisa. Sou feliz assim.”

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Curta-documentário: Mercado Municipal

O vídeo dessa semana é um documentário sobre o Mercado Municipal "Dona Regina Detomi Cipriani", de São João del-Rei.

O curta é resultado da  oficina "Documentando em Audiovisual", ministrada por Adriano Medeiros, durante o 24º Inverno Cultural da UFSJ.






Para mais vídeos clique aqui, ou acesse a seção vídeos na barra superior do nosso blog.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Alice no país dos cães



Carol Slaibi
                                                                                                     Carol Argamim Gouvêa                
Alice divide seu carinho e afeto com os seus 70 cães



"A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível"
                                                     Trecho do livro Alice no país das Maravilhas, de Lewis Carroll

Ao telefone, minutos antes de pegar a lotação, pergunto a minha entrevistada como faria para chamá-la em casa. Acompanhada de uma risada saborosa, ela me responde.

- A minha campainha irá me avisar.

Mesmo estranhando essa resposta, parti em direção ao Alto das Águas. Lugar tranquilo, rodeado de verde e um céu espetacular.

14h. Estou na Rua João de Barro. Todas as ruas daquele paraíso tem nome de pássaros. Caminho pela estradinha de terra deserta. Logo que passo em frente a uma casa verde de tijolinhos, um som de 70 latidos começa, e a fundo uma voz feminina pedindo silêncio. Pronto, tinha chegado ao local combinado. Minutos depois, aparece ao longe, uma criatura com o sorriso aberto e um olhar doce. Alice de Almeida Coelho Ferreira. Alice, para muitos.

Minha proposta de um perfil a incomodou a princípio. Ela faz questão de reafirmar que a vida dela não é grandiosa. Então teria que analisar nas entrelinhas uma vida repleta de causos e acasos.

A primeira coisa que fez ao chegarmos à sala foi mostrar a foto dos quatro filhos na tela do computador. Logo depois a foto dos pais, acima do sofá, em suas bodas de ouro. A tela do computador, a todo o momento passava a frase de Edmund Burke: “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens de bem nada façam”. Quando eu perguntei o porquê da frase, a resposta veio de imediato.
                                                                                                                                 Carol Argamim Gouvêa
Idealista, Alice pratica sempre o bem
- Nós temos que ser idealistas. Às vezes, temos uma ideia fora dos paradigmas, fora do conservadorismo e as pessoas acham que a gente é louca por fugir do padrão. Nós temos que ter coragem. Plasmamos aquele pensamento e quando você se dá conta, você faz. Assim foi quando comecei a construir aqui todo mundo foi contra. ‘É muito longe’, ‘Não tem nada lá’, ‘Você vai ficar sozinha’. Aí eu pensei, ‘Eu quero isso mesmo, plantar árvore, ter bichos’ e construí.

Há 18 anos morando nas águas e 20 como integrante da Sociedade São Francisco de Assis de proteção aos animais, Alice cuida de 70 cachorros. Todos abandonados na rua ou mal tratados em lares. Seu gasto com ração chega a 25 kg por dia, e mesmo assim ela não se cansa. Durante nosso papo, ela pediu licença para chamar a atenção da Gringa porque latia demais. Coloco-me a calcular quanto do seu sustento e dedicação são voltados para esses cachorros de rua. Meu pensamento é interrompido quando ela volta cantarolando.

Sua paixão por cuidar de cães, pelo visto, é genética. Seus pais adotavam cachorros abandonados para criarem, mas nunca estimularam essa caridade nos filhos. Uma causa que todos aderiram sem esforço, incluindo netos. O primeiro cachorro criado por Alice foi Guito, quando ela tinha apenas cinco anos. Um vira lata, preto e branco. Guito morreu com 18 anos, cego e surdo. Uma perda que transparece em sua feição ao falar de seu companheiro.

A meu pedido, descemos para poder ver de perto o canil. Alice entra pela portinha, toda cercada e avisa que irá soltar os cães em grupos afins. Espero ansiosa do lado de fora da grade, com os nervos à flor da pele por ouvir tantos latidos. A porta abre e cachorros desesperados vêm em direção à grade para poder verificar quem é o intruso do dia. Logo atrás vem Alice, segurando um Yorkshire e conversando com eles. Conhece todos por nomes e reconhece o latido de cada um.
                                                                              Carol Slaibi
- Todos aqui têm uma história. Esse aqui, por exemplo, foi minha neta que trouxe. Ela é fisioterapeuta e tratava de uma senhora. O cachorrinho era tão maltratado que minha neta se recusou a cuidar da senhora porque não aguentava mais o ver ser maltratado. Ela disse que o neto da senhora pisou na patinha dele até quebrar, se ele fizesse xixi apanhava. Por fim, ele tinha medo de sair do quartinho. Minha neta me perguntou se eu aceitaria cuidar. Aceitei e esta comigo agora.

Depois de brincar com todos, Alice pegou um pauzinho e dando três toques na parede falou em tom casual: “A hora do recreio acabou, vamos entrar”. Todos entraram sem olhar para trás ou desviar. O recreio tinha mesmo acabado.

Nascida em 13 de julho, aos 72 anos, Alice diz gostar de tudo e por isso se considera um pouco fora dos padrões. Já declarou para sua família que enquanto for viva vai criar bichos sim. E não se restringe a cachorros. Já teve gatos, tucano e mico. Todos estavam abandonados na rua e, depois dela, conseguiram proteção. O número 70 espanta, mas nem a própria Alice consegue explicar como chegou a esse total.

- Foi chegando. Só que agora não posso pegar mais porque estou no limite, mas eu me considero feliz. No meu perrengue financeiro eu não fiquei sozinha um minuto. Todos conhecidos me ajudaram e eu sempre tinha a companhia dos meus cachorros. Como que eu não vou ser feliz?

Num tempo em que “merda” era palavrão e usar calça jeans não era para  mulheres, Alice sempre foi à frente do seu tempo. Usava biquíni, calça jeans, burlava missa para ir ao cinema, mas nunca se envolveu com bebidas ou cigarros. Casou grávida de oito meses e nem a costureira que fez seu vestido reparou. Na verdade, quem desconfiou de sua gravidez foi o namorado.

- Muitas meninas estavam casando grávidas, mas era tudo escondido. A moça que fez meu vestido de noiva não notou. Só o meu cachorro sabia. Casei dia 1º de maio, e minha filha nasceu dia 23 de junho, foi um escândalo que você nem imagina.  Além disso, acho que foi o primeiro casamento à noite.
        
Se cismasse com alguma coisa, fazia. Nunca seguia ninguém, mas também não era de caçar briga. Prefere que as coisas sejam resolvidas na conversa. Não segue horários ou situações padronizadas. Isso se reflete na criação de seus cães.
                                                                                                                                 Carol Argamim Gouvêa
- Eu não gosto de horário rígido, gosto que eles fiquem mais à vontade. Não posso acostumá-los com horário, senão eles vão sofrer porque eu preciso sair. Quando eu era menina, na hora do almoço tínhamos que esperar o papai chegar. Depois mamãe rezava e aí sim, íamos comer.  Às vezes eu nem ia. Passava meu tempo pendurada no pomar comendo frutas. Esse era meu almoço, e eu quero que eles sejam assim, livres.

- Eu adoro meu nome! Olha meu coelho branco de pelúcia. Eu não sou Alice?
Existe alguma dúvida?



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Jornalista lança coletânea de perfis em São João del-Rei





André N. P. Azevedo


Perfis biográficos e entrevistas com artistas e pensadores como Adélia Prado, José Saramago, Robert Kurz e Waly Salomão fazem parte do livro “Retratos Erráticos”, do jornalista Régis Gonçalves, lançado em São João del-Rei, durante o 24º Inverno Cultural da UFSJ.

                                        Carol Argamim Gouvêa
Em entrevista concedida ao Observatório, Régis Gonçalves conta detalhes sobre seu livro e sua carreira.

Observatório da Cultura: Como surgiu a ideia de fazer o livro?

Régis Gonçalves: Bom, eu militei durante muitos anos no jornalismo cultural em Belo Horizonte e tive a oportunidade de desenvolver uma experiência relativamente nova, pelo menos no jornalismo brasileiro, foi fazer esse gênero de reportagem: perfil.

Eu acho que depois que esse material é publicado, ele, no jornal ou na revista, se transforma e se torna um material muito perecível e eu achei que valia apena resgatá-lo em formato livro para perenizar esses depoimentos.

Então, portanto, o livro resgata esses depoimentos desses personagens que são importantes; pessoas importantes do cenário cultural brasileiro e como disse alguns da cena internacional também, para que sejam salvos daquele esquecimento que dizem: “O jornal no dia seguinte, depois de publicado, tem sua utilidade maior embalar peixes”.

Então acho que pelo menos esse mérito o livro teve. Acho que pela importância dos personagens vale a pena ser lido, ser manuseado.

OC: Como começou a escrever perfis?

RG: Eu era redator, e não repórter, mas fui escalado algumas vezes para fazer entrevistas com autores literários ou artistas plásticos, músicos, ensaístas e outros personagens da cena cultural brasileira e alguns estrangeiros também.

OC: Quanto anos de trabalho “Retratos Erráticos” abrange?

RG: Tenho mais ou menos 40 anos de jornalismo. Trabalhei na área política, de economia, mas tive a oportunidade de trabalhar no jornalismo cultural basicamente quando fui trabalhar no jornal O Tempo, logo no início, quando o jornal foi fundado em Belo Horizonte.

Eu tive uma breve passagem pela editoria de política e depois na editoria “Magazine”, que é o caderno de cultura do jornal.  Fiquei cinco  anos lá, mas depois que sai do jornal eu continuei publicando em outros lugares e até no próprio Tempo.

OC: Por quanto tempo trabalhou no livro?

RG: Olha, eu trabalhei nesse livro quase dois anos, resgatando o material que estava nos arquivos digitais dos jornais e revistas onde eles foram publicados. Foi um trabalho quase braçal.
                                                                                                                                 Carol Argamim Gouvêa
Obra reúne ao todo 39 perfis biográficos e entrevistas
OC: Por que o nome “Retratos Erráticos”?

RG: Os retratos, por flagrarem situações vividas, ou ideias pensadas em certo momento pelos entrevistados, adquirem um caráter errático, escorregadio e, obviamente, não definitivo.

OC: Com a internet, leitores digitais como o iPad, você acha que ainda tem espaço para o jornalismo impresso?

RG: Acho que sim. O jornalismo está passando por uma grande transformação e o webjornalismo é uma nova fronteira para o  jornalismo convencional. Mas eu acho que essa substância do trabalho jornalístico, ele vai permanecer independente do suporte e do material. Mesmo que a informação seja digital, seja um jornal impresso, seja a TV, o rádio, ou mesmo se estiver em um livro, a prática jornalística nunca vai acabar. Eu acho que a substância do trabalho jornalístico é a pesquisa, a investigação jornalística. E isso é insubstituível.



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Curta-documentário: Nilson


O Observatório da Cultura é um blog que tem como finalidade evidenciar a cultura de São João del-Rei e região em diferentes formatos, como texto, fotografia e vídeo.

É justamente na parte de vídeos que o Observatório traz novidades. A partir deste mês serão publicados curtas-documentário. 

O primeiro curta-documentário é resultado da oficina "Experiência Multimídia", ministrada por Leo Caobelli, Paulo Fehlauer do Coletivo Garapa, durante o 24º Inverno Cultural da UFSJ.




Nilson
Porteiro e sineiro da Igreja de São Francisco de Assis





quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O Corpo Mudo



André N. P. Azevedo

Desenvolvida por um coletivo de seis alunos do curso de Comunicação Social da UFSJ, a exposição fotográfica "O corpo mudo" foi exibida de forma itinerante durante o 24º Inverno Cultural da UFSJ. A exposição que conta com diversos olhares sobre o corpo estará em exibição no Observatório da Cultura.


A estudante de jornalismo e idealizadora da exposição, Ruzza Lage, 23, conta nesta entrevista os detalhes da construção da exposição.

Observatório da Cultura: Como surgiu a ideia da exposição?
Ruzza Lage: A exposição surgiu da ideia de reproduzir através de fotografias os diversos significados representados pelo corpo. O trabalho foi desenvolvido por um coletivo de seis alunos do curso de Comunicação Social da UFSJ e levou ao público o que havia sido proposto: a produção de vários olhares sobre o tema. 

OC: Quanto tempo levou a construção da exposição?
RL: A construção da exposição como um todo durou aproximadamente quatro meses. Cada aluno envolvido produziu individualmente suas fotos que foram editadas e apresentadas ao coletivo para que esse fizesse o trabalho de seleção. Já com as fotografias editadas e selecionadas, a equipe se dedicou à montagem do vídeo que foi apresentado no Inverno Cultural. 

OC: Por que o nome "O corpo mudo"?
RL: O corpo fala por si só. Assim como a fotografia o faz. Enquadrar e emudecer diversas manifestações corporais foi a proposta da exposição que por isso levou o nome de O Corpo Mudo. 

OC: Como foi a recepção do público no 24º Inverno Cultural?
RL: A exposição contemplou quatro bairros afastados do Centro de São João del-Rei, a saber: Colônia do Marçal, Matosinhos, Senhor dos Montes e Tejuco. A pulverização do evento para que essas comunidades mais isoladas possam participar também da programação é muito importante e eu acho que a exposição contribuiu muito para o início dessa mobilização que deve se tornar ainda maior nos próximos anos.    O que falta agora é um trabalho mais eficaz  de divulgação nos próprios bairros.
É necessário criar uma aproximação mais significativa com os moradores, visto que muitos não conhecem ou pelo menos não participam ainda do evento. A recepção do público poderia ter sido melhor devido aos fatores citados acima, mas pude perceber interesse em todos os bairros, divergindo apenas o número de pessoas entre eles.



O Corpo Mudo from Andre N. P. Azevedo on Vimeo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Barbacine 77: cinema gratuito e diferenciado para Barbacena


Bruno Laviola
                                                                                                           Divulgação/Renata Soares 
Coletivo77 leva cinema gratuito de qualidade para Barbacena
É o primeiro e único cineclube aberto ao público de Barbacena. Gratuito, promove discussões e reflexões sobre o cinema. O seu início foi em maio de 2010. “O cineclube queria fomentar a cultura da cidade de forma independente. Começou com uma reunião de pessoas com o mesmo propósito”, conta Alex Guedes, coordenador do projeto. Ainda de forma embrionária, tinha as suas reuniões realizadas na Estação Ferroviária. 

Foi em novembro, em parceria com a FUNDAC (Fundação Municipal de Cultura), que o Barbacine 77 encontrou um espaço adequado para as exibições. Na inauguração, foi exibido o curta Dois pra lá dois pra cá, com presença da diretora  Marcela Bertolleti, o curta Logorama, ganhador do Oscar de Melhor Curta de Animação e um curta da DF5, distribuidora audiovisual do Circuito Fora do Eixo, maior rede de circulação de produção cultural independente nacional e parceira do Barbacine.

Em 2011, o cineclube estruturou-se ainda mais e passou a organizar ciclos de debate. Com sessões quinzenais, cada ciclo dura dois meses. São os próprios participantes que escolhem os quatro filmes a serão exibidos. O terceiro ciclo ainda está em andamento. O primeiro foi “A Metalinguagem no Cinema”, com filmes que falam sobre o próprio cinema. O segundo foi “Ingmar Bergman”, com a exibição de clássicos do cineasta sueco. Já o atual, que teve início em maio, é “Cinema e Filosofia” - Uma leitura artístico-filosófica em torno da obra de Lars von Trier e tem participação especial de Cássio Barreto, psicólogo e mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea. O próximo será bem propício: “Loucura”. Julho é tradicionalmente o mês da loucura em Barbacena e o 4º ciclo começará justamente um dia antes do início do festival.

Cineclubismo
Uma média de 20 pessoas vai a cada sessão. Um número até razoável, se considerado que a maior parte dos filmes não é comercial e apresenta um conteúdo mais denso. Além de ser gratuito, há uma característica básica capaz de definir o que é um cineclube: “A principal diferença é que, no cinema tradicional, quando o filme termina o pessoal vai embora para casa. Já no cineclube as pessoas ficam conversando a respeito”, diz Alex.

Não há um público específico. Jovens, adultos e idosos se fazem presentes nas diversas sessões. Entretanto, pessoas da faixa 25-35 anos são as que mais aparecem. São professores, universitários, ou apenas cinéfilos, que buscam um espaço diferenciado para as exibições.   
      
Professor na área de humanas, Leonardo Lisbôa conta como conheceu o cineclube: “Eu o conheci através de um cartaz que estava em um balcão de uma locadora que eu visito sempre. E aí procurei me informar para participar”. A maior parte das divulgações são online, através de redes sociais e no principal site que veicula notícias da cidade, o Barbacena Online.

Segundo Alex, montar um cineclube pode ser bem simples: “É mais a vontade de ver filme junto do que qualquer outra coisa. É uma questão de iniciativa. Não precisa de ter muita coisa”. Já Leonardo avalia a importância de tal movimento: “Uma vez, ouvi uma comparação crítica feita por uma pessoa com a qual tive que concordar: ‘Enquanto São João del-Rei é uma cidade voltada inteiramente para a cultura, Barbacena é para o verniz. A cultura que é bom, pouco é valorizada’. Mediante esta afirmativa, acredito que o cineclube é fundamental para mudar este estigma e a mentalidade do barbacenense.”


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