terça-feira, 26 de julho de 2011

Theodoro de Faria utiliza o ensino da música para preservar tradição

 Walquíria Domingues
Alzira Haddad
Banda Theodoro de Faria se apresenta em frente à Igreja de S. Francisco de Assis
Perto das sedes das bicentenárias Orquestras Ribeiro Bastos e Lira Sanjoanense, na casa 289, da Rua Santo Antônio, a Banda Theodoro de Faria, apesar de não ser orquestra é também melodia da cidade e importante para sua história e formação de novos músicos, motivo pelo qual existe hoje, ao passo de completar 110 anos em 2012. “Nós estamos com a idéia de lançar um livro contando a história da banda”, conta Tadeu Nicolau Rodrigues, componente da TF há quase 40 anos. E, “além do livro, vai ter concerto, encontro de banda...”, caso consigam apoio necessário para a comemoração de aniversário de sua rica história musical, que teve início na Ribeiro Bastos.
Nascimento da banda
Augusto Theodoro de Faria, músico da Orquestra Ribeiro Bastos, liderou outros músicos após uma desavença entre a equipe e fundou uma nova banda. A separação, que aconteceu em 1902, fez surgir a Banda do Sr. Augusto de Faria, como era chamada. Ele esteve à frente da corporação até 1917, quando Teófilo Inácio Rodrigues, com o mesmo idealismo de Faria, tomou a frente e iniciou o ensino musical prático para trazer novos integrantes. Fez isso durante 56 anos, lecionando música e prática instrumental, com muita dedicação e competência.
A escola de música da Banda foi e ainda é um celeiro musical. Lutando com muita dificuldade e falta de recursos, o mestre Teófilo fez tudo para dar continuidade às atividades. Como principal prova de amor à TF, fez de sua casa a sede de ensaios, sala de aula e arquivo musical. “Aonde ele ia morar, a banda ia sempre junto. Tínhamos que alugar uma casa que sempre tivesse uma sala grande, pra banda ensaiar”, conta o músico Tadeu Nicolau Rodrigues, filho de Teófilo, seu fiel seguidor na Banda. Ele ainda relembra que “em dia de ensaio não tinha jeito de ficar passando na sala. Papai xingava. Então a gente tinha que ficar lá pra dentro”, conta.
Teófilo Rodrigues ensinou música a todos os seus filhos, que retribuíram sendo atualmente uns dos responsáveis pela continuidade da TF e da música em SJDR.  “Levantávamos com música e deitávamos com música”, recorda Tadeu Nicolau, que é bombardinista, trombonista e trompetista. Há também seu irmão Teófilo Helvécio (trombonista, trompetista, saxofonista, compositor, arranjador e regente), além de Anizabel Rodrigues (flautista, cantora, regente e diretora da Escola de Arte Cantábile). “Como a boa árvore dá bons frutos, também seus filhos seguiram seus passos, tornando-se quase todos excelentes mestres e músicos”, escreve Abgar Campos Tirado, em sua homenagem à família de musicistas Rodrigues no Fim de Ano Cultural 2010, em SJDR.
Os instrumentos musicais eram adquiridos de segunda mão e o próprio Teófilo consertava e mantinha tudo com capricho. “Restaurava-os ele próprio quando necessário e cedia-os aos aprendizes, sempre buscando favorecer aqueles carentes de recursos”, afirma Abgar Tirado. Hoje, não há nada diferente. Os instrumentos continuam sendo bem cuidados, assim como os uniformes e todo o restante do acervo da banda. “A gente dá o ensino, depois pra tocar damos o uniforme e o instrumento”, conta Tadeu Nicolau, no momento em que ensina flauta doce para duas crianças.
Teófilo faleceu em 1973, mas a banda continuou com seu legado. Ele ainda conseguiu ver oficializado o nome da banda, em 1954, e também o Estatuto elaborado. Além disso, com o apoio da comunidade e do então Pároco do Pilar, Monsenhor Almir Aquino, a Theodoro de Faria teve o seu primeiro uniforme. A banda também passou a ter uma diretoria e uma sede, que ficou pronta em 1967, e para a Rua Santo Antônio se transferiram a banda, os ensaios e as aulas de música, deixando a casa dos Rodrigues.
De pai para filho
Em 1973, assumiu a direção da banda Oscar Gonçalves Filho, como regente, e Tadeu Nicolau Rodrigues, que deram continuidade aos trabalhos de ensino musical. Esta pode ser considerada hoje a espinha dorsal da banda. Os cursos de música ministrados na TF são de aulas individuais, que facilitam o aprendizado da forma mais prática possível. Assim, rapidamente, crianças e jovens passam a integrar a banda. Além disso, “ajuda na educação, no desenvolvimento da mente da criança, na postura”, considera Tadeu Nicolau.
A TF também tem a responsabilidade de tocar há mais de um século nas procissões e celebrações religiosas de São João. O vasto repertório da corporação, parte da história musical da cidade, concentra inúmeras composições de autores são-joanenses, músicas clássicas, fúnebres, hinos religiosos, marchas, músicas populares, etc. O arquivo musical, parte proveniente da Orquestra Ribeiro Bastos, reúne importantes manuscritos dos séculos XVIII e XIX. Mostrando as pastas muito organizadas numa pequena sala do porão da sede, Tadeu se orgulha: “Passa o tempo, a gente morre e não vai dar tempo da gente tocar tudo que tem aqui”.                                                                
                                                             Walquíria Domingues   Tradição e contemporaneidade
Brasão da Banda Theodoro de Faria
“A Ribeiro Bastos, a Lira Sanjoanense e a Theodoro de Faria tem esse tempo de vida justamente por causa das festas religiosas. Elas dependem das bandas e orquestras, e a gente tem que estar preparado pra tocar. Estes eventos fazem com que nós tenhamos continuidade”, conta Tadeu Nicolau. A banda está sempre preparada, pra qualquer celebração ou evento. Em cada festa apresentam uma ou duas músicas diferentes. “Vamos trocando o repertório pra não cansar”, diz.
Como fórmula de perseverança, além de ensaios diários, atualmente a TF conta com aproximadamente 60 músicos, na maioria jovens, frutos da escola de música, que por sua vez tem mais ou menos 40 alunos. Para ter acesso aos serviços e atividades da entidade, basta ter no mínimo oito anos de idade e estar matriculado nas escolas regulares de ensino. “O ensino didático de música é gratuito e temos o lema de ensinar aprendendo e aprendemos ensinando”, diz a diretoria da banda. Além disso, Tadeu acrescenta: “Nosso trabalho é voluntário. Estamos aqui quando a pessoa quer aprender”.
A jovem Janaina de Paula,   quase quatro anos na TF, é a única requintista Banda. “Além de requinta, também toco um pouco de violão, flauta e estou aprendendo trombone”, diz. Ela conta que quando entrou na TF passou a conviver com variados tipos de pessoas, e isso a ajudou muito a crescer na banda e na vida pessoal. “Meu conhecimento musical vem melhorando a cada dia e minha relação com as pessoas também. Desde os meus seis anos de idade eu criei um amor muito grande pela música e mesmo que eu não siga uma profissão musical, vou continuar dedicando um tempo para música, uma vez que ela me desperta prazer, pretendo levá-la comigo por toda a vida”, conta Janaína, que pretende nunca sair da TF e lá ajudar a formar novos músicos. “Seria um prazer muito grande repassar tudo que aprendi”, diz.
Ajuda do governo e comunidade
Em 2007, o Governo do Estado e a Fundação Banco do Brasil, doaram instrumentos e dois conjuntos de uniformes para a banda. Isto fez com que ela tivesse um novo impulso. Outra ajuda que a TF recebe, anualmente, vem da empresa Atitude Cultural e do Projeto Ser nobre é ter identidade, que doam kits de agendas, cartazes e calendários de mesa com temáticas são-joanenses, para serem vendidos pela entidade, em que o lucro é revestido para a mesma.  Muito agradecido pela ajuda, Tadeu Nicolau diz que todo o dinheiro que entra na banda, ela aplica justamente na manutenção de uniformes, instrumentos, e demais materiais, Xerox, etc. “Graças a Deus a banda hoje tem uma vida bastante organizada”, conta. Mas, apesar da tranquilidade de hoje, ainda há muito a ser feito, e uma história para continuar sendo escrita. “Tem gente que vê a banda passar, mas não sabe o trabalho que dá pra colocar a banda em funcionamento”, diz Tadeu Nicolau.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Coletivo 77 transporta a cultura para Barbacena

Bruno Laviola                                                                                                             Foto: Divulgação   
Integrantes do Coletivo 77 levam mais cultura para Barbacena

O Coletivo 77, como o próprio nome diz, nasceu do coletivo. Ele representa a iniciativa de um grupo diverso - profissionais do teatro, artes plásticas, fotografia, comunicação, entre outros - interessado em expandir a cultura da cidade. 77 é o horário exato da criação (7 horas e 7 minutos do dia 4 de julho de 2009).
Além do cineclube Barbacine 77, há outro grupo bem sedimentado no Coletivo: o Clube de Leitores 77. A proposta deste é promover e incentivar a leitura. Bem como o cineclube, o clube de leitores também tem reuniões quinzenais e é totalmente gratuito. Mensalmente, uma obra literária é escolhida, além de outras leituras intermediárias.  Após as leituras, há discussões sobre as obras.
Mas o Coletivo não fica só nisso. Além destes dois projetos já bem estruturados e organizados, há incontáveis eventos organizados no curto espaço de tempo de existência do Coletivo, entre eles o Festival Alambique do Rock e diversas coberturas em áudio e vídeo. “Nós somos híbridos entre algumas empresas que estão sendo “embrionadas” e o movimento. Movimentos que são as ações culturais”, conta Fred Furtado, diretor-fundador do grupo.
O 77 já tem vários projetos futuros em andamentos, ligados não só a cultura como ao social, entre eles a vinda da Cufa (Central Única das Favelas) para a cidade. “Uma semana depois da sugestão já estávamos articulando com a CUFA e a resposta deles foi muito positiva porque os movimentos não são desintegrados. Eles sempre rumam para chegar à mesma praça do centro da cidade e buscar uma coesão nas suas ações e ideologias. Então a gente vai lapidando toda essa área – cultural, social e empresarial também”,
Em pouco menos de dois anos, o Coletivo prepara-se para lançar em julho a casa Fora do Eixo, que é um local que converge o 77, Casa D Foto (que dá apoio fotográfico aos eventos), as reuniões da Cufa e tudo de relacionado ao grupo. O crescimento é a passos largos: “Eu não vou dizer que não esperava. Mas foi absurdamente surpreendente a velocidade com que tudo está acontecendo,” conta Fred.
Há uma variedade de planos em longo prazo, mas, quanto ao principal, Fred é confiante: “Eu quero que Barbacena possa se reconhecer e ser reconhecida enquanto cidade criativa. E com o Circuito Fora do Eixo eu posso trazer o Brasil inteiro para Barbacena. Isso também me possibilita levar Barbacena para lá também. É uma via de duas mãos”, diz. 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Resende Costa realiza 5º encontro de Bandas de Músicas

Cláudia Simões                                                                                                                  
                                                                                                                                                                                           Fotos:  Cláudia Simões
Jovens são maioria no 5º encontro de Bandas de Músicas
“Estava atoa na vida o meu amor me chamou pra ver a banda passar cantando coisas de amor”, cantou Chico Buarque em 1966. A canção, que se tornou um clássico da MPB desde então, exibe sua força e atemporalidade ao cantar poeticamente o que ainda é tradição nas cidades do interior de Minas: a unanimidade das bandas de música que, atraem multidões e despertam a alegria dos habitantes com a magia da música vinda do metal reluzente dos instrumentos.  Foi assim no dia 26 de junho, onde 13 bandas de música da cidade participaram do 5º Encontro de Bandas de Música de Resende Costa.


Maestro João Tomás Silvério, organizador do evento
No palco montado na praça principal da cidade, o maestro João Tomás Silvério, organizador do evento e regente da banda Santa Cecília, de Resende Costa, era só alegria: “Música não tem idade”, disse convicto. “É uma satisfação ver músicos veteranos, jovens e crianças participando com entusiasmo desse encontro que há 12 anos não se realizava. “Estamos felizes de ter conseguido trazê-lo de volta após mais de uma década”, completou Daniela Vale Silvério, filha do maestro e também na organização do evento. Além de Resende Costa, participaram bandas das cidades de Coronel Xavier Chaves, Santa Cruz de Minas, Rio das Mortes, Nazareno, Lagoa Dourada, São Braz do Suaçuí, Campo Belo, Jacarandira, Alto do Rio Doce, Bom Sucesso e Ibertioga, Tiradentes e São João del-Rei.

Unanimidade Brasil afora

Cidade que não tem banda é uma cidade morta”, diz o professor de música Thiago Souza, maestro da Banda União Musical Santa Cecília, de São Brás do Suaçuí. “Em Prados, minha terra natal, a banda municipal está presente em tudo, é a alma da cidade. Desde um funeral aos eventos mais festivos, a população espera a banda” completa Thiago.

À frente da Banda de São Brás (qual a grafia correta?), um dos destaques do Encontro em Resende Costa, o maestro fala da importância do repertório: São Brás é uma cidade de forte tradição musical, os jovens que tocam na banda, atuam também na orquestra da cidade, vem daí o diferencial. Além disso, procuro um repertório que agrade à faixa etária deles”, diz, referindo-se ao grande número de adolescentes na banda. Com entusiasmo de professor apaixonado, Thiago afirma que os meninos começam cedo, com 6 a 8 anos e o primeiro instrumento que experimentam é o sax horn, apelidado de “chiquinha”.
O mais popular, o que caracteriza as bandas é a tuba, que chega a pesar 14 quilos. Os veteranos, Geraldo Vicente dos Reis e Tarcísio Amâncio, ambos com 25 anos de banda, lembram que a instituição, fundada em 1957, nunca parou de atuar. 


“Tão importante quanto o fenômeno artístico, a banda de música desempenha esse importante papel de mobilizadora da comunidade nos seus momentos mais caros e solenes. Em São João del-Rei, como em tantas cidades Brasil , as bandas são chamadas a participar dos mais variados acontecimentos, marcando presença em eventos cívicos, solenidades, procissões religiosas e blocos carnavalescos”, confirm (confirma, prefira o verbo no presente quando você considerar a ação ou a fala com alcance além do momento) o professor e ex-diretor do Conservatório Pe. José Maria Xavier, Abgar Campos Tirado. 

Berçário Musical

No 5º Encontro de Bandas de Resende Costa, a juventude dos músicos impressiona. Na Banda de Bom Sucesso, onde jovens entre 12 a 15 anos são maioria, João Lucas da Silva, 15, já se decidiu pela carreira de músico profissional. “Minha escola é a banda e vou tentar o vestibular para Música na UFSJ e na UFMG”, diz João Lucas. Marcelo Augusto Pires, que toca bombardino, (Banda de São Brás) e Elvis Washington, tuba (Banda de Resende Costa), ambos de 17 anos, contam que tinham bronquite e a prática musical acabou com o problema. “A gente ensaia todo dia e o esforço para tirar o som é grande. Acho que foi um bom remédio para a bronquite”, acreditam os jovens.

Meninos de São Brás do Suaçui honram a tradição musical da cidade























O mascote da Banda Santa Cecília, de Resende Costa, é Pedro, de cinco anos. Ao lado do pai Alessandro Caldeira dos Santos, que toca sax tenor, participa de todas as apresentações e aguarda ansioso ter idade para entrar para a banda. Quanto ao instrumento, já escolheu: “vou tocar sax soprano”, disse decidido.

Com 45 integrantes, a Banda de Cel. Xavier Chaves, fundada em 1984 confirma a tendência de bandas jovens com a grande maioria formada por crianças e adolescentes. O maestro Jaime Luiz de Mendonça explica que a nova formação se deve à saída dos veteranos por motivo de estudo ou trabalho.

Theodoro de Faria

Por sua tradição e tudo que representa, a apresentação da centenária Banda Theodoro de Faria, de São João del-Rei, a mais esperada, foi sucesso. Do erudito ao popular, o repertório mesclou sucessos populares e exibiu talentos individuais em solos dos jovens musicistas, o que evidenciou o estilo próprio da banda.

Teófilo Rodrigues rege a banda Theodoro de Faria
Com sede na rua Santo Antônio desde 1967, os irmãos maestros Tadeu Nicolau e Teófilo Helvécio que regeram a banda em Resende Costa, se orgulham do esforço bem sucedido para construir a sede e escola de música e manter em funcionamento a instituição dirigida por seu pai por quase seis décadas. A tradição musical se perpetua nas mãos da família Rodrigues, desde que em 1917 o músico são-joanense Inácio Teófilo Rodrigues passou a dirigir a banda com  a mesma abnegação e idealismo de seu fundador, Augusto Theodoro de Faria, que hoje dá nome à banda. “A sala de nossa casa sempre foi escola de música, crescemos com a casa cheia de alunos do meu pai, que ensinava voluntariamente”, recorda-se o maestro Tadeu.

O Encontro de Bandas de Resende Costa acontece anualmente e o entusiasmo dos organizadores garante a próxima edição, prevista para primeira quinzena de junho de 2012. Se você mora em SJDR, a Banda Theodoro de Faria ensaia aos sábados, de 14 às 17h (Rua Santo Antônio, no 294 – Tejuco) e está presente em todos os eventos da cidade.

História

Guardiã da tradição musical brasileira, as bandas de música figuram entre as mais antigas instituições ligadas à divulgação da música regional, cumprindo papel de escola livre de música, verdadeiro conservatório do povo. Esse papel de reserva da cultura popular assumiu dimensões históricas a partir do século XVIII com a multiplicação das irmandades cecilianas – de Santa Cecília, protetora dos músicos - às quais os músicos geralmente se filiavam, mantendo forte vínculo com as instituições religiosas.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Revitalização do Museu Regional estima a arquitetura colonial mineira

Mariana Fernandes
                                                                                                               Fotos: Mariana Fernandes
Museu Regional terá fachada revitalizada
Desde a sua abertura, em 1963, o Museu Regional de São João del-Rei/ Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) é conhecido pelo importante acervo de objetos que retratam o cotidiano e o comportamento dos mineiros nos séculos XVIII e XIX. Contudo, o que muitos visitantes não sabem é a importância que se deve ao próprio prédio do museu como um patrimônio cultural arquitetônico.
Construído no Largo do Tamandaré, para abrigar a família e os negócios do Comendador João Antônio da Silva Mourão, o prédio de três pavimentos, que data de 1859, é símbolo da arquitetura colonial mineira e, está em processo de revitalização. A obra, orçada pelo Governo Federal em R$284.965,00, visa à restauração das fachadas e a readequação dos espaços internos do museu e, deverá ser concluída até o final deste ano.  
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), antigo DPHAN, em 1946, o prédio que hoje passa por reformas e restaurações, já foi alvo de ações contrárias à sua preservação. A história do museu começa após o falecimento do Comendador João Mourão, mais precisamente quando seus herdeiros vendem o prédio, em 1926, para interessados em construir um hotel no local. Na década de 40, com o aval da prefeitura do município, o prédio começa, então, a ser demolido parcialmente, contestando as orientações do IPHAN.
A favor de uma ideia tradicional de progresso, periódicos da época, como O Correio e Diário do Comércio, também, publicaram matérias em apoio à demolição do prédio velho e, assim, o caso foi parar na Presidência da República. Entre os sócios da empresa compradora do imóvel, estava Tancredo Neves, que juntamente à prefeitura, levou o caso para o Presidente Dutra. Entretanto, este deu ganho de causa ao IPHAN e, desapropriou o prédio por utilidade pública.
Após a desapropriação do prédio, o IPHAN iniciou as obras de reforma e restauração, visando à criação do Museu Regional. Deste modo, o intuito inicial do Patrimônio era a preservação dos monumentos e prédios, o acervo foi inserido posteriormente, funcionando como salvaguarda do conjunto arquitetônico. Esta primeira reforma, idealizada pelos modernistas, especialmente por Lúcio Costa, cuidou de harmonizar o estilo colonial do casarão com as novas propostas e necessidade do museu. “O prédio, por fora, se manteve no estilo do casario colonial, muito embora sua construção date do período imperial, e traz, por isso mesmo, outros elementos que vão além da construção simples, branca, limpa e reta.
Obras deverão ser concluídas no final deste ano
Como o Comendador era um homem rico, colocou na sua casa elementos estéticos do barroco tardio, do rococó e do neoclassicismo. A fachada do prédio tem, por exemplo, ornamentações e florões acima das janelas. E por dentro, o casarão ficou moderno, prezando por espaço, sem as antigas divisões de paredes”, explica o museólogo, Ryanddre Sampaio. Apesar do ecletismo, o modo predominante é o colonial e, essa nova reforma que se iniciou em abril deste ano, tem o objetivo de revitalizar esse estilo da casa.
O diretor do Museu Regional, João Luiz Domingues Barbosa, comenta que a restauração da fachada do prédio, hoje, faz-se necessária para a sua conservação: “O casarão é o principal acervo do museu. Por isso a obra está revisando a alvenaria e esquadrias de portas e janelas, recuperando os estuques decorativos e a pintura original do prédio”. A alvenaria estrutural da casa é mista de adobe, pedra e barro batido (técnica milenar de fazer tijolos, trazida pelos colonizadores portugueses). O beiral das janelas, que já havia caído, está sendo reconstruído com estuque, outro revestimento antigo, composto de cal, areia fina, pó de mármore e gesso.
Além da restauração da fachada, a obra visa readequar os espaços internos do museu. Novas salas administrativas e a inserção de um novo ambiente na exposição do andar térreo estão no projeto dessa reforma. “A missão do museu é retratar a vida e o cotidiano das famílias mineiras do período. E a divisão da exposição obedece à divisão lógica da antiga moradia. No térreo, onde funcionava o escritório e a loja do Comendador, temos artigos que falam da região, da cidade e da família. E estamos criando, portanto, um ambiente para falar, também, do comércio. Nos outros andares, onde eram os aposentos da família, os objetos da exposição são mais íntimos, como por exemplo, as mobílias e oratórios do interior das casas”, diz Ryanddre.
Ana Maria Oliveira explana sobre a arquitetura do museu
A história do casarão do Comendador se funde com a do Museu Regional. E quem for à exposição poderá saber mais sobre a arquitetura e os costumes da época. Com prévio agendamento é possível fazer uma visita guiada por Ana Maria Oliveira. Técnica em Assuntos Educacionais do museu, Ana Maria faz uma apresentação da exposição de longa duração: “falo da importância da preservação e conto a história dos nossos antepassados, como eles viveram e como eram as suas relações”, comenta.
A casa do Comendador era símbolo de poder e riqueza. Situada em uma posição privilegiada na época, ao lado do córrego, a casa larga ocupa a esquina de duas ruas, com a frente para uma praça. O prédio de estilo colonial foi construído sobre os limites do terreno e tem muitas portas e janelas para a entrada de luz. Ana Maria explica, também, as relações da família do Comendador com os espaços da casa: “o comércio do Comendador, no térreo, era de secos e molhados. Molhados eram os produtos alimentícios e, secos eram os vasilhames e ferramentas para a agricultura. No mesmo andar do comércio ficavam os escravos e animais, cujos nomes constam no testamento do Comendador. No segundo andar, havia um salão de recepção e um piano, indicando a inserção da família na vida social”.
Fundamentado na relevância do prédio do Museu Regional como patrimônio cultural arquitetônico colonial, que o diretor João Barbosa, considera sua revitalização como um ganho para a cidade de São João del-Rei, como mais um testemunho da sua história. O museu está aberto à visitação de terça a segunda, de 12h30 as 17h30, na Rua Marechal Deodoro, nº 12 e, sua reinauguração está prevista para outubro deste ano.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tchá Tchá, o tio do calçadão

André N. P. Azevedo
 André N. P. Azevedo

"Não sei falar português, mas sei fazer 'paz e amor'"
Tchá Tchá não sabe usar a máquina de cartão de crédito. Está acostumado a vender do jeito antigo, no boca-a-boca, negociando com o cliente, como aprendeu na Tanzânia, um país da África Oriental. Sua loja, localizada no calçadão da Sebastião Sete, no centro-histórico de São João del-Rei é famosa por “vender de tudo”, sendo possível encontrar roupas típicas da África, bonecas, cortadores de unha, coco-verde e naftalina.

Sempre de bom-humor, Tchá Tchá, que na verdade se chama Abdulaziz Nazarali Waljihirji, conta que se mudou para o Brasil sem saber uma palavra de português. “Não sabia falar nem bom dia”, diz.

Embora esteja sempre sorrindo, Tchá Tchá passou por dificuldade ao chegar ao Brasil. “Minha família perdeu tudo na Tanzânia, então eu vim morar com meu irmão aqui, mas briguei com ele no primeiro dia. E aí como faz?”, pergunta enquanto coça a cabeça.

No início virou camelô, batendo de porta em porta nas cidades vizinhas de São João del-Rei. O problema, segundo ele, é que ninguém comprava nada, já que não entendiam o que ele dizia. “Fui para Nazareno, bati em mais de 50 casas e vendi só uma pulseira. No final do dia, eu não tinha nem o dinheiro da passagem de volta. Sentei em uma praça e comecei a chorar”, lembra.
Apesar das dificuldades de comunicação, Tchá Tchá conseguiu conquistar muitos clientes que, além de comprar seus produtos, lhe ensinavam algumas palavras em português. “Aprendi a falar com os clientes”, diz.

O apelido vem dos tempos de camelô. Para chamar a atenção da população Tchá Tchá passava gritando: “Mamãe, olha o tio aí”, em hindu, língua que aprendeu com seu avô, que era indiano. O Tchá Tchá, que na verdade se escreve “चाचा”, significa tio.

Tchá Tchá vende de tudo um pouco em sua loja
Recentemente Tchá Tchá foi à Tanzânia visitar sua família e ficou seis meses por lá. Porém ao voltar, sua loja havia sido reformada pelo seu irmão. “Gostava mais da minha loja toda bagunçada, mas minha mulher gostou”, confessa.

Vaidoso, Tchá Tchá diz ter 18 filhos (todos homens), três mulheres e três amantes. Sempre que perguntam a sua idade, coça a cabeça e responde: “120 anos!”.



Apesar de aparentar-se um pouco velho, Tchá Tchá está longe de ter 120 anos, mas reclama da idade. “Com essa idade e a gente ainda tem que aprender a mexer nessas coisas”, diz, referindo-se a maquina de cartão de crédito.

Embora tenha feito carreira como vendedor, Tchá Tchá é famoso também por seus dotes culinários. Conhecedor de vários pratos árabes, Tchá Tchá faz questão de oferecer o seu amendoim com especiarias, que ele chama de “Viagra de pobre”, acompanhado por um copo de água de coco.

No início do ano que vem, Tchá Tchá deve retornar à Tanzânia novamente, mas não pretende ficar por muito tempo em seu país natal. “Da última vez que estive lá, trouxe muitas coisas da África e os clientes gostaram, vou aproveitar para trazer mais”, explica. “Gosto muito da Tanzânia, mas meu lugar é aqui. Quero morrer no Brasil.”, completa.



terça-feira, 12 de julho de 2011

Festa da Santíssima Trindade reúne romeiros em Tiradentes


Nathanael Andrade
                                                                                                                               Fotos: Nathanael Andrade
Fiéis acompanham a procissão da Santíssima Trindade em Tiradentes
Domingo frio de junho em Tiradentes. O dia ainda não amanheceu e uma grande movimentação de fiéis e ambulantes agita as ruas da pequena cidade: é dia da Santíssima Trindade, festa que atrai milhares de fiéis todos os anos ao pequeno santuário localizado no alto da colina do Mococa.

Dona Marilene chegou cedo. Veio de Barroso, num ônibus especialmente fretado para o dia santo. Trouxe consigo três filhos pequenos e uma vizinha. “Costumava vir aqui com meus pais, agora trago as minhas crianças”. É a fé passada de pai para filho a razão da perpetuação da tradição.
Catusa veio de Barbacena com os pais, tios e primos. “Alugamos uma van todos os anos e passamos o dia aqui. Assistimos missa e depois passeamos belas barracas Se tem aspas, não há necessidade de itálico”. Sr Sebastião, romeiro de primeira viagem e tio de Catusa, se emociona ao se aproximar do Santuário e quase não consegue falar. “Viemos para agradecer as graças alcançadas”, diz ele.
Os romeiros são, na sua maioria, gente da região. Vêm de São João del-Rei, Prados, Dores de Campos, Barroso, Barbacena, Lagoa Dourada, Ritápolis, dentre outras cidades, no entorno de Tiradentes. Tão logo chegam à cidade, se dirigem para o santuário. Em primeiro lugar a devoção, depois a diversão.   
Uma fila enorme se forma em torno da capela
Uma fila enorme que dá voltas em torno da capela conduz os fiéis até as imagens do Pai Eterno, do Filho e do Espírito Santo. Não há reclamação nesta espera. As pessoas aguardam resignadas, mesmo com o frio intenso. Enquanto os adultos conversam entre si, como velhos conhecidos, as crianças, muitas crianças, brincam ao redor. Alto falantes transmitem para o exterior as celebrações internas, que acontecem durante todo o dia, sempre com a igreja abarrotada de devotos.
Junto às filas muitos pedintes apelam para a caridade do próximo, num dia tão especial. Todos os anos o adro fica repleto deles, grande parte com sérios problemas de saúde. Vêm em busca de algum conforto material e também de um consolo espiritual, na esperança de um milagre, de uma cura. Esta é também a motivação de muitos peregrinos: obter graças e curas milagrosas para problemas do corpo e da alma.
Assim, para receber tanta gente, o Santuário possui uma estrutura completa e semelhante ao de outros locais de peregrinação. Além da capela dedicada à Santíssima Trindade, o complexo reúne diversas benfeitorias. A sala de Milagres, uma das mais curiosas, reúne milhares de fotos mensagens e ex-votos de agradecimento. Também fazem parte do “acervo” membros de gesso (pés, pernas, braços, cabeças) e aparelhos ortopédicos diversos, como um indicativo do milagre alcançado. Anexo à sala de milagres existe uma loja de artigos religiosos e um espaço seguro para se acender velas. Completam a estrutura um posto da Polícia Militar, chafariz, banheiros e um grande restaurante.
Pedintes apelam para a caridade do próximo
O senhor Nilson Barbosa, empresário na cidade, coordena os trabalhos do restaurante. Auxiliado pelos três filhos e por dezenas de voluntários, há anos se dedica a esta tarefa. Segundo ele, são servidas mais de mil refeições, gerando um lucro que vai para a manutenção da estrutura do templo.
Atentos a tudo e prontos para qualquer ação, o Corpo de Bombeiros Voluntários de Tiradentes, responde pelo atendimento de emergência aos fiéis. No momento em que conversávamos com o bombeiro voluntário Airton Fernando da Silva, uma senhora chegou amparada por familiares e reforçou as estatísticas: a maioria das ocorrências, segundo Airton, é de casos de oscilação de pressão e de quedas. Em casos mais graves, o paciente é encaminhado para o posto médico da cidade ou mesmo transferido para São João del-Rei.
 Fora do santuário, o clima é de um grande mercado. Uma vez cumprida a missão devocional, os milhares de visitantes se espalham pelo grande corredor formado pelas barracas que se espalham pelos dois lados da rua que conduz ao templo. Aos gritos, os vendedores tentam atrair a atenção dos possíveis compradores. Vende-se de tudo: peças de vestuário, eletrônicos de origem duvidosa, utensílios domésticos, alimentos, badulaques diversos, etc. Encontramos até uma barraca vendendo peixes ornamentais!
Elias é um destes comerciantes. Pernambucano, há 40 anos vive nômade pela festas religiosas de Minas Gerais. Possui duas barracas. Enquanto trabalha em Tiradentes, um sobrinho cuida da outra barraca numa cidade vizinha. “A barraca é minha casa de maio até outubro. Aqui eu durmo, aqui eu cozinho, aqui eu trabalho.” Entre novembro e abril, meses de chuvas intensas, administra, com a mulher, uma pequena mercearia e uma pensão em São Tomé das Letras. Como ele próprio disse: “Nasci com vocação para o comércio”.
João Silva, nordestino de Feira de Santana, BA, também adotou o comércio ambulante como profissão. “Faço isso há tanto tempo que até perdia a conta”. Com sua barraca de guloseimas, conheceu as principais festas de romeiros no Brasil. “Onde há fé, há fiel e onde há fiel, dá sempre pra se fazer algum negócio”, diz. Mesmo com a vida incerta e errante, João é decidido: “Não pretendo me aposentar nunca”.
A festa da Santíssima Trindade é uma das mais tradicionais romarias de Minas Gerais e tem suas origens no século XVIII, quando, por iniciativa de um eremita, foi erguida a pequena capela no ponto mais alto da então vila de São José del-Rei.
Fé e esperança trazem romeiros de toda a região para Tiradentes 
Os primeiros romeiros vinham a pé, a cavalo ou eram conduzidos em carros de boi pelas estradas poeirentas. Na falta de estrutura adequada para se alimentarem, adotavam a fruta da estação, abundante nos pomares da região: a mexerica. Isto explica a alcunha popular de festa RPM, ou seja, da Reza, da Poeira e da Mexerica.
Hoje já não há poeira e quase não se encontra uma barraca de mexericas em meio a uma infinidade de produtos em oferta. Ficou somente a reza, ou melhor, a devoção e a vinculação com a história e com o povo de Tiradentes. Valdo Rosa, tiradentino, afirma: “Os muitos eventos que acontecem aqui na cidade são, na sua maioria, para turistas. Esta festa é nossa". 
Mesmo com orgulho do passado e com o pé na tradição, a comissão da festa da Santíssima Trindade, não deixa de vislumbrar o presente e o futuro: há uma pagina do Santuário na internet (http://www.santuariosstrindade.com.br) na qual o devoto pode conhecer o santuário e a programação das festas, bem como pedir intenções de missas e até acender velas virtuais de sete dias. Estes são os novos caminhos para a Trindade: sem poeira e sem mexericas.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ensaio: Trabalhadores



Ana Gabriela Oliveira, Rafaella Dotta e Thayná Faria.


Cada trabalhador faz pulsar a vida da cidade. Ele se debruça sobre seu ofício e, enquanto o tempo passa, se apodera das linguagens, dos códigos de sua profissão, a experiência faz com que cada detalhe torne-se sinal: o trabalhador se apropria e se mistura com aquilo que faz.

Às vezes muitos anos no ofício geram paixão. Nas ruas ou escondido na oficina, o trabalhador personaliza, aperfeiçoa o que faz, cria e se identifica.

Outras vezes, o trabalho é cansativo e ingrato. Mas ainda assim o homem persiste, ou porque é isso mesmo o que quer fazer ou porque não foram tantas suas opções.

Quase sempre esses dois caminhos se atravessam na vida de um mesmo trabalhador, variando com o dia: cansaço e vontade, ingratidão e aperfeiçoamento.

É ele, entretanto e sempre, que faz viver a vida urbana como ela é. O trabalhador sabe que o que pulsa na cidade é dele e pra ele.



Confira nossos ensaios anteriores em nossa página no Picasa clicando aqui.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Heróis de guerra viram filme


Thiago Morandi
                                                                                         Fotos: Elisângela Guainara
O ator Marco Fugga como "Soldado Nêgo" em cena do filme "Heróis"

No dia 29 de junho de 1944, milhares de brasileiros embarcaram rumo aos campos de batalha na Itália. Em 22 de setembro, do mesmo ano, era a vez de três soldados fazerem história na II Guerra Mundial. Sozinhos enfrentaram, até a morte, uma companhia Nazista composta por aproximadamente 100 homens. Essa história está sendo retratada no filme Heróis, que começou a ser gravado dia 26 de abril em São João del-Rei.

O filme começou a ser elaborado em 2009, quando o diretor Guto Aeraphe, visitou o museu da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em São João del-Rei  e conheceu o pracinha da FEB, Capitão Ary, que contou dentre várias histórias, a dos três soldados. Para o diretor, essa “é uma história bacana, que nunca foi contada e é um gênero novo no cinema e por que não encarar esse desafio?”, após iniciativa, começou uma ampla pesquisa.

A partir da história desses três heróis de guerra, Geraldo Baêta da Cruz, 28 anos, natural de Entre Rios de Minas, Arlindo Lúcio da Silva, de 25, de São João del-Rei, e Geraldo Rodrigues de Souza, de 26, de Rio Preto, na Zona da Mata, será contada a história de outros pracinhas brasileiros, principalmente os que morreram na cidade italiana de Montese, onde ocorreu a morte dos três soldados e também onde ocorreu uma das mais sangrentas batalhas do conflito. 

Major Carlos disse que Guto procurou o Centro de Comunicação do Exercito e “o exercito se prontificou em apoiar a produção do filme por ter em vista a importância do fato ocorrido na Segunda Guerra para a FEB e para o exercito” e afirmou que assim divulga-se fatos de conhecimento somente dos militares para a população, transformando-os em patrimônio cultural para o Brasil.
                                                                                                                                                 

Cena do filme "Herói" de Guto Aeraphe
São aproximadamente 50 pessoas envolvidas na gravação. A equipe recebeu treinamento militar. Para o ator Isaque Ribeiro, “a preparação do 11º BI foi fundamental para chegar no Set de filmagem e se sentir seguro”. O também ator Enzo Silveira afirma que “o Exercito foi a melhor base para eles sustentarem os personagens”. Os atores ainda disseram que não prestaram serviço militar e que o treinamento que receberam foi como uma divida paga à nação, Marco Fuga, que também faz parte do elenco, chegou até comer larva durante o treinamento recebido pelos militares.

Toda a gravação está sendo realizada em áreas de treinamento do 11º BI. Segundo a equipe do filme vivenciar essa época e acompanhar o treinamento dos militares proporcionou a eles um respeito maior às forças armadas.

Os equipamentos utilizados para a filmagem são varias câmeras com a tecnologia DRSL’s, que são maquinas fotográficas que filmam em alta definição. Além disso, as armas e capacetes usados pelos atores são as mesmas utilizadas nos campos de batalha na Itália, as cenas contam ainda, com efeitos de explosão e também com barulhos de tiros feitos com armas de verdade.

Guto Aeraphe pretende lançar o filme em meados de setembro ou outubro de 2011, em seu blog [http://www.heroisofilme.blogspot.com/] é possível acompanhar parte do processo de concepção e produção do média-metragem. Uma sessão de pré estréia será especialmente preparada para São João del-Rei.

Um pouco da história                                                                                               
Em uma dessas incursões, os pracinhas mineiros se viram frente a frente com uma companhia alemã composta de aproximadamente 100 homens. Era 14 de abril de 1945. Eles receberam ordens para se render, mas continuaram em combate até ficarem sem munição e serem mortos.

O detalhe é que, em vez da vala comum, receberam honras especiais do Exército alemão. Admirado com a coragem e resistência do trio, o comandante nazista mandou enterrá-los e colocar sobre as covas, cruzes e placas com a inscrição: "Drei Brasilianis che Helden" ou “Três Heróis Brasileiros”.
Duas semanas depois a guerra terminara e a tomada de Montese em 16 de abril de 1945 foi a mais violenta, sangrenta, heroica: a maior conquista das tropas brasileiras. Somente em Montese, a FEB teve 426 pessoas mortas.

Alguns números
A FEB era composta de 25.344 brasileiros. Desses 15 mil fizeram parte da linha de frente de batalha, o restante auxiliou na retaguarda. 465 foram os heróis de guerra que o Brasil perdeu em solo Italiano. Mais de 2 mil morreriam depois de voltarem ao Brasil.

Dois generais alemães estavam entre os prisioneiros feitos pelos pracinhas. Foram capturados 892 oficiais e 19.689 soldados do Eixo (Itália, Japão e Alemanha).

Foram 239 dias de combate da divisão brasileira na Itália. 445 missões ofensivas realizadas pelo 1º Grupo de Caça da FEB, totalizando 2546 saídas individuais de aviões em combates e 6144 horas de Vôo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ensaio: Valsinha

O ensaio fotográfico dessa semana, intitulado "Valsinha" é uma "interpretação" da música Valsinha, de Chico Buarque de Holanda.

De acordo com Luis Gustavo Santos, um dos autores do ensaio, a ideia surgiu pelo fato da letra contar uma história. "É uma narrativa que nós tentamos produzir em fotos", explica.

As fotos foram tiradas na histórica Tiradentes. Além disso, o ensaio, todo em preto e branco, combina com a canção que é de 1971. 

Participaram desse ensaio:  Ana Luisa Fernandes, Luis Gustavo Santos, Mariele Velloso e Violeta Cunha



 

Você ainda pode conferir um vídeo com as fotos deste ensaio ao som da canção de Chico Buarque, neste link.
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