terça-feira, 28 de junho de 2011

Três motivos para visitar Tiradentes

Flavia Frota
                                                                                                                                            Wladimir Loyola
 Matriz de Santo Antônio  
Caminhar por entre o casario colonial desvendando os mistérios da Inconfidência, andar de Maria Fumaça e ouvir um concerto ao órgão numa das igrejas mais representativas do Barroco mineiro certamente são programas imperdíveis para aqueles que visitam Tiradentes, relíquia setecentista localizada na região centro-sul das Minas Gerais.

Da mesma forma, percorrer o comércio repleto de lojas charmosas com móveis de demolição e antigos, e objetos artesanais atrai e fascina a visão dos turistas, mas é preciso um olhar mais atento para descobrir os 3 motivos para visitar Tiradentes.  Afinal, apesar da caça ao ouro na região ter findado na segunda metade do século XIX, “garimpar ainda é preciso”. Assim como no passado, nem todas as relíquias de Tiradentes estão à mostra, é necessário perder-se entre os becos e ruelas para descobrir um dos atuais tesouros escondidos de Tiradentes: a infinidade de ateliers distribuídos pela cidade e abertos à visitação, porém com pouquíssima divulgação.

Eleita por diversos artistas plásticos como local de moradia, a cidadela conta com mais de vinte ateliers onde é possível não apenas adquirir objetos de arte, mas conversar com os artistas em seus ambientes de criação, acompanhando inclusive o processo de produção.
                                                                               Mariana Fernandes
1) Nicia Braga em meio às suas obras em seu ateliê
Nicia Braga, Valéria Lima e Luiz Cruz foram alguns dos que abriram seus “baús do tesouro” para esta reportagem.

Reconhecida ceramista de Belo Horizonte, Nicia Braga decidiu mudar para Tiradentes, após diversas visitas como turista em busca de um lugar para instalar seu estúdio de criação. Há três anos montou seu atelier na Santíssima Trindade e começou a ministrar aulas de cerâmica.

Nicia realiza pesquisas de materiais como argila e pedras de distintas cores e texturas e areia e o resultado desse trabalho são belíssimas esculturas, objetos decorativos e utilitários, além de uma linha exclusiva de jóias.

Atualmente, divide seu tempo entre a produção das obras e o término da construção de sua casa no bairro Parque das Abelhas. “A idéia é abrigar além da casa, o atelier, a loja e uma casa de hóspedes para possíveis interessados em realizar cursos de cerâmica”, conta.
Mariana Fernandes
2) Valéria Lima faz da arte uma terapia
Artista de várias facetas, Valéria Lima é psicóloga e professora de Educação Física, em sua formação original. Através da Arteterapia descobriu a possibilidade de se tornar uma artista e desde então e vem produzindo quadros, desenhos e esculturas.  “Comecei aplicando casacas de árvore sobre telas cobertas de terra. A partir daí passei a aplicar sementes e raízes sobre as telas. Só depois parti para a utilização de peças de ferro encontradas em ferros velhos ou descartadas por artesãos.”


Após a fase dos quadros, iniciou-se a produção de esculturas tendo como base a argila. “Minha primeira escultura foi feita em argila, tendo recebido uma aplicação de resina para obter uma coloração externa esverdeada que lembrasse o cobre até que finalmente descobrisse, através do uso do pó de cobre ou de ferro, a tonalidade que eu desejava.”

Valéria defende a idéia “de que todos podem revelar o artista que possuem dentro de si” e sua casa/ateliê foi projetada para receber visitantes. Além do ambiente de produção e dos corredores e varandas repletos de sua obra, há um espaço de convivência, onde não raro é possível presenciar outra faceta de sua alma artista: a de cantora, percussionista e violonista.

                                                                                                                                         Mariana Fernandes

3) Luiz Cruz ao lado de sua tela que retrata a Serra de São José



Dentre os artistas entrevistados, Luiz Cruz é o único nascido em Tiradentes. Durante sua adolescência e juventude, a convivência com os artistas que moravam na cidade durante as décadas de 70 e 80 lhe aguçou a curiosidade pelas artes plásticas e literatura. Tendo estudado cinco anos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e concluído seu bacharelado em Letras na Universidade Federal de Lavras, Luiz regressou à cidade contribuindo de forma enriquecedora para a produção artística local.

                                                        
Sobre a produção artística local da atualidade, Luiz possui uma visão interessante relacionada à questão do artesanato versus artes plásticas. Segundo ele, apesar do artesanato exercer uma concorrência desleal em termos comerciais, já que é impossível cobrar o mesmo valor por uma obra que um artista levou meses preparando e outra cujo artesão produziu em horas valendo-se de uma técnica que permite a produção de forma mais otimizada, o mesmo artesanato tem demonstrado enorme sabedoria ao valer-se de uma peça-base e a partir daí criar novos designs e adaptar outros materiais, demonstrando criatividade e nem sempre repetição. “Acredito na convivência paralela do artesanato e das artes”, finaliza Luiz.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Costurando histórias


Cláudia Simões
Cláudia Simões
Enny Ramos: alegria e talento na mesma medida 
Costurar é muito mais, que unir pontos de agulha, sobretudo em Minas, onde o ofício preservado de geração em geração, agregou valores do bordado, da pintura e de toda forma de artesanato para se tornar único. É essa diversidade mineira na forma de ver e sentir o mundo, traduzindo-o convicções próprias que alimenta o que é uma das mais prósperas linguagens de Minas: a moda.     

Fruto da observação, da sensibilidade e da criatividade aliadas à técnica, a moda é hoje uma das mais fortes expressões artísticas de Minas. O seguimento que movimenta a economia, gera milhares de empregos e ganha as páginas das revistas especializadas, nasceu das mãos que fiam e tecem, tingem e bordam, costuram. Mãos que trabalham e transformam a matéria simples em obra de arte que encanta os sentidos.

Costureiras, com muito orgulho

Comprar o tecido, os aviamentos, dar asas à imaginação: quem, sobretudo do sexo feminino, nunca viveu essa aventura? A arte de costurar – dádiva dos escolhidos – fascina, encanta e se destaca através dos tempos, na riqueza do ofício, na arquitetura dos moldes, na mágica do resultado.
                                                         
Dediquei minha vida à costura e quero continuar, até quando Deus me permitir. Minha maior alegria é ver a satisfação da cliente ao provar a roupa feita por mim” diz a veterana Enny Ramos, 62, 40 dos quais costurando profissionalmente. Órfã aos sete anos, Enny conta que aos 10 já costurava à mão as próprias roupas, acreditando ter herdado o dom da mãe costureira. Vinda da Colônia do Giarolla, foi morar na cidade com D. Irene Ferreira de Almeida que a matriculou nas aulas de corte e costura para se aperfeiçoar.  Sobre o que mais gosta de costurar, não tem dúvidas: Gosto de fazer roupa bonita”, diz.

Artista das mais versáteis e talentosas, Enny mantém cativa uma clientela fiel que não abre mão de seu trabalho. “Sou cliente da Enny onde quer que ela esteja”, enfatiza Aline Rusnam, referindo-se às mudanças de endereço do atelier. “Além da excelência do trabalho, o melhor de Enny é o entusiasmo, o alto astral, o brilho nos olhos, além da paciência.

Mãe do maestro Marcelo Ramos, doutorando em regência nos Estados Unidos, Enny conta que uma de suas maiores alegrias foi fazer a casaca com que o filho caçula regeu em BH seu primeiro concerto como titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG). “Foi como se a casaca me desse a confiança e a força que eu tanto precisava naquele momento”, avalia Marcelo, em visita a SJDR no mês de maio, onde lançou o CD comemorativo pelos 80 anos da Sociedade de Concertos Sinfônicos.

Para honrar os compromissos assumidos, muitos natais e aniversários da família ficaram sem a dona da casa, sem tempo sequer para assar um peru ou cantar parabéns para os filhos, relembrou Enny. Ela  também fez questão de falar de alegria, como tantos carnavais vitoriosos com fantasias de sua autoria na Escola de Samba São Geraldo; as roupas de santo para as procissões da cidade; os figurinos para teatro e ballet, trajes de misses, de formandas, de noivas e damas de honra. “Do atelier da Enny, a roupa já sai abençoada”, entusiasma-se Bosco Canaveze, carnavalesco e amigo de longa data.

Nilda Maria Tavares Gomes, mineira de Prados é dessas profissionais que o tempo não ofuscou o brilho, ao contrário, tratou de lapidar. Aos 73 anos, 60 dos quais dedicados à costura, é puro vigor e entusiasmo quando o assunto é roupa, tecido, moda e suas histórias. E continua costurando. “Para mim nunca faltou trabalho”, informa ao ser questionada sobre a automatização das confecções.   
                                                                                     Cláudia Simões
Nilda Maria: domínio artístico e tecnológico
Neta de alfaiate, avó e mãe costureiras, trouxe do berço o refinamento para o ofício. Estilista autodidata de raro talento, apurou o dom e ao longo de décadas cumpriu uma trajetória marcada pela minúcia e persistência, tão necessárias a arte de criar e costurar.

“Aos 13 anos já costurava em Prados e aos 15 fui para São Paulo. Lá aprendi o “Corte Orione” e fui trabalhar na Confecção Nassim Basil, no centro. Até hoje não parei mais”, acrescenta com orgulho de olhar para trás. “Pego um tecido, retalhos, rendas – adoro renda - e já vejo a roupa pronta, conta, enquanto exibe sacos e sacos de retalhos e histórias.

Foi com essa criatividade que transborda que chegou a Belo Horizonte e ganhou a confiança da alta sociedade da capital. “Foi D. Zizi Caldas, filha do juiz de Prados e casada com o médico Alexandre Caldas, que me apresentou às melhores famílias de Belo Horizonte. Costurei na casa de todos, até do governador Milton Campos”, recorda. Chamada para trabalhar em grandes confecções e ateliês, nunca aceitou.

“Preferia minha liberdade. Cada dia na casa de um. Tomava banho, almoçava, me tornava uma pessoa da família” relembra. Essa profissional da costura que fazia roupas sob medida para as famílias abastadas não existe mais, mas era comum nos anos 60, 70 e até 80.  “Algumas dessas profissionais até moravam com a família, recorda a são-joanense descendente de libaneses Zoé Mansur, que viveu os anos dourados em plena juventude.

“Nossa família tinha a Olívia, que morava conosco e fazia todas as roupas da casa, até roupas de cama. Minha mãe comprava tecidos em peça, escolhíamos os modelos através de figurinos franceses comprados no Rio de Janeiro e a Olívia executava tudo à perfeição. Parece que se passaram 100 anos”, comenta.

Como Olívia e Nilda, São João del-Rei era pródiga em artistas anônimas, guerreiras na batalha diária de produzir o maior número de peças possíveis. Sozinhas, faziam com louvor todas as etapas do trabalho, da criação ao acabamento, passando pela embalagem e controle de qualidade. Arrimo de família, como se dizia na época, as histórias de vida se pareciam, se entrelaçavam.

A costura garantia o sustento da família, sem tempo para o descanso. A sala e o quarto transformados em local de trabalho e o entre sai da freguesia, sempre bem-vinda. Busco da memória e vejo muitas: Áurea, Almerita, Hilda, Cidinha, Haidèe, Geny, Helena, Maria, Malvina, Mercês e tantas outras. Este texto é dedicado a estas artistas – as costureiras – e sua arte sem fronteiras – a costura. Para honra e glória dos mineiros.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Vídeo: Salve o Divino!

Desde o ínicio do mês o Observatório da Cultura ganhou uma nova seção, intitulada Vídeos, que será atualizada semanalmente.

O vídeo dessa semana é uma homenagem aos "Folieiros do Divino" que todo ano animam a tradicional e popular "Festa do Divino".

terça-feira, 14 de junho de 2011

Centro Cultural Yves Alves: charme e cultura na histórica Tiradentes

Flavia Frota
                                                                                                                            Wladimir Loyola
Centro Cultural Yves Alves é referência na histórica Tiradentes
O Centro Cultural Yves Alves é hoje o local de referência no município de Tiradentes para os amantes da cultura.

O prédio, cuja fachada original é setecentista, é uma construção datada de 1998, resultante de um projeto de intelectuais que sonhavam em resgatar a cultura da cidade e oferecer um espaço de convivência e conhecimento para a comunidade local, turistas e visitantes.

Yves Alves, homenageado postumamente quando da inauguração do espaço, foi um desses intelectuais e grande incentivador da preservação do patrimônio de Tiradentes.

Localizado na rua mais charmosa da cidade, a Rua Direita, o local oferece uma programação semanal variada composta por duas sessões de cinema adulto distintas as quintas e sextas-feiras, uma sessão de cinema infantil aos domingos, e uma atração especial (espetáculos teatrais, de dança, música, humor ou ainda mágica) todos os sábados às 20h30min.

Administrado desde novembro do ano passado pela FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, através do SESI – Serviço Social da Indústria e do IER – Instituto Estrada Real, o Centro Cultural tem atraído grandes nomes da música brasileira como Pery Ribeiro, Victor Biglione, Mauro Senise e Gilson Peranzzetta.

Além do cinema e dos espetáculos, são exibidas, a cada mês, duas exposições temporárias, e promovidas diversas oficinas e cursos de capacitação profissional relacionados a Turismo e Hotelaria.


O Centro Cultural conta ainda com um programa de atendimento ao público estudantil e Posto de Atendimento Turístico capaz de orientar sobre os atrativos da cidade e região, e garantir uma estada diferenciada.

O prédio, cuja fachada original é setecentista, é uma construção datada de 1998, resultante de um projeto de intelectuais que sonhavam em resgatar a cultura da cidade e oferecer um espaço de convivência e conhecimento para a comunidade local, turistas e visitantes.

Yves Alves, homenageado postumamente quando da inauguração do espaço, foi um desses intelectuais e grande incentivador da preservação do patrimônio de Tiradentes.
               
Localizado na rua mais charmosa da cidade, a Rua Direita, o local oferece uma programação semanal variada composta por duas sessões de cinema adulto distintas as quintas e sextas-feiras, uma sessão de cinema infantil aos domingos, e uma atração especial (espetáculos teatrais, de dança, música, humor ou ainda mágica) todos os sábados às 20h30min.
Wladimir Loyola
Centro Cultural Yves Alves: parada obrigatória na rua direita
Administrado desde novembro do ano passado pela FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, através do SESI – Serviço Social da Indústria e do IER – Instituto Estrada Real, o Centro Cultural tem atraído grandes nomes da música brasileira como Pery Ribeiro, Victor Biglione, Mauro Senise e Gilson Peranzzetta.

Além do cinema e dos espetáculos, são exibidas, a cada mês, duas exposições temporárias, e promovidas diversas oficinas e cursos de capacitação profissional relacionados a Turismo e Hotelaria.

O Centro Cultural conta ainda com um programa de atendimento ao público estudantil e Posto de Atendimento Turístico capaz de orientar sobre os atrativos da cidade e região, e garantir uma estada diferenciada.


O prédio, cuja fachada original é setecentista, é uma construção datada de 1998, resultante de um projeto de intelectuais que sonhavam em resgatar a cultura da cidade e oferecer um espaço de convivência e conhecimento para a comunidade local, turistas e visitantes.

Yves Alves, homenageado postumamente quando da inauguração do espaço, foi um desses intelectuais e grande incentivador da preservação do patrimônio de Tiradentes.

Localizado na rua mais charmosa da cidade, a Rua Direita, o local oferece uma programação semanal variada composta por duas sessões de cinema adulto distintas as quintas e sextas-feiras, uma sessão de cinema infantil aos domingos, e uma atração especial (espetáculos teatrais, de dança, música, humor ou ainda mágica) todos os sábados às 20h30min.

Administrado desde novembro do ano passado pela FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, através do SESI – Serviço Social da Indústria e do IER – Instituto Estrada Real, o Centro Cultural tem atraído grandes nomes da música brasileira como Pery Ribeiro, Victor Biglione, Mauro Senise e Gilson Peranzzetta.

Além do cinema e dos espetáculos, são exibidas, a cada mês, duas exposições temporárias, e promovidas diversas oficinas e cursos de capacitação profissional relacionados a Turismo e Hotelaria.

O Centro Cultural conta ainda com um programa de atendimento ao público estudantil e Posto de Atendimento Turístico capaz de orientar sobre os atrativos da cidade e região, e garantir uma estada diferenciada.

O prédio, cuja fachada original é setecentista, é uma construção datada de 1998, resultante de um projeto de intelectuais que sonhavam em resgatar a cultura da cidade e oferecer um espaço de convivência e conhecimento para a comunidade local, turistas e visitantes.
                                                                                   Wladimir Loyola
Anfiteatro usado para apresentações ao ar livre
Yves Alves, homenageado postumamente quando da inauguração do espaço, foi um desses intelectuais e grande incentivador da preservação do patrimônio de Tiradentes.

Localizado na rua mais charmosa da cidade, a Rua Direita, o local oferece uma programação semanal variada composta por duas sessões de cinema adulto distintas as quintas e sextas-feiras, uma sessão de cinema infantil aos domingos, e uma atração especial (espetáculos teatrais, de dança, música, humor ou ainda mágica) todos os sábados às 20h30min.

Administrado desde novembro do ano passado pela FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, através do SESI – Serviço Social da Indústria e do IER – Instituto Estrada Real, o Centro Cultural tem atraído grandes nomes da música brasileira como Pery Ribeiro, Victor Biglione, Mauro Senise e Gilson Peranzzetta.

Além do cinema e dos espetáculos, são exibidas, a cada mês, duas exposições temporárias, e promovidas diversas oficinas e cursos de capacitação profissional relacionados a Turismo e Hotelaria.

O Centro Cultural conta ainda com um programa de atendimento ao público estudantil e Posto de Atendimento Turístico capaz de orientar sobre os atrativos da cidade e região, e garantir uma estada diferenciada.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Associação Cultural resgata musicalidade popular


Thamiris Franco
                                                                                                                             Divulgação
Cortejo nas ruas de São João del-Rei
No ano de 2002, surge em São João del-Rei o Grupo Mucambo – Percussão e Cultura Popular, que possui como proposta explicar o contexto histórico e cultural das manifestações musicais populares, principalmente o maracatu. Para isso, seus membros realizam pesquisas de campo e estudos históricos. O grupo se tornou uma Associação no ano de 2008, após André Marques, atual presidente, perceber que o principal objetivo não é a realização de apresentações, mas sim pesquisar, ensinar e difundir a cultura popular afro-brasileira. Sem sede própria, a Associação conta com o apoio do  Conservatório Estadual de Música "Padre José Maria Xavier"  que concede um espaço para promover uma oficina que ajuda a realizar os objetivos propostos.

De acordo com André Marques, o interesse em fundar o grupo surgiu após sua participação em uma oficina de Maracatu no Inverno Cultural. Após o término desta, ele se interessou pelo assunto e continuou estudando e pesquisando o estilo. “Eu já fazia parte de uma banda que tinha influência do manguebeat (estilo musical criado em Recife que mistura maracatu, funk, hip hop e música eletrônica), após terminar a oficina no Inverno Cultural viajamos para Recife, lá vivenciei a cultura popular de perto e tive a oportunidade de aprender mais sobre o maracatu. Então quando retornei para São João del-Rei, percebi que aqui tinha ritmos parecidos como o Congado, Folia de Reis e Umbanda, como eu já me identificava com estes estilos resolvi criar o grupo”.

No início, os membros do Mucambo realizavam apresentações em festas culturais da cidade como na Festa do Rosário, além de participações no Inverno Cultural. Débora Fantini, vice presidenta da Associação, explica que com o decorrer do tempo e com um conhecimento mais profundo das manifestações populares eles perceberam que na verdade não constituíam um grupo com o ritmo Maracatu como os do Recife, mas o que eles faziam era estudar a cultura popular. “Então fizemos uma revisão geral, ainda não formávamos uma Associação e em 2008 decidimos parar de realizar um pouco das apresentações e estudar mais. Assim reunimos psicólogos, historiadores, músicos e fundamos a Associação”, informa.

Atualmente, a Associação realiza uma Oficina de Percussão Popular com duração de dois anos. André informa que no primeiro ano os alunos aprendem noções básicas de musicalização, percussão, ritmos e todo o contexto que permeia a linguagem do maracatu, também é ensinado como tocar os instrumentos: alfaias, gonguê, caixas, ganzá, pandeiros, congos e agogôs. O repertório é eclético, mas sempre dentro da linguagem rítmica brasileira. No segundo ano de curso, é ensinado como os alunos devem se comportar em um palco, elaborar um cenário e produzir um espetáculo. “Ao final, o aluno que se interessar a fazer parte da Associação pode se inscrever e submeter um processo de seleção”, diz Débora.

Eliana Silva, aluna do curso, diz que resolveu fazer a oficina, pois gosta muito de percussão e já conhecia o trabalho desenvolvido pela Associação. Já Leandro de Souza conta que entrou para o curso, porque tinha dificuldades de expor em público, além de gostar de aprender música. “Quando eu terminar o curso, pretendo continuar estudando os ritmos brasileiros, pois gosto muito e foi um jeito que consegui de desinibir. Aqui temos uma relação muito boa. Todos são amigos. Quando um erra, procuramos sempre ajudar; os que sabem mais auxiliam os que têm mais dificuldades”, diz Leandro de Souza.

André Marques comenta que a Associação, além da oficina, promove aulas-espetáculos, isto é, uma aula em que é informado o contexto histórico dos ritmos musicais e utilização de cada instrumento, além de ser um meio para divulgar os objetivos da Associação. Também o Mucambo é convidado por escolas para palestrar sobre a cultura musical popular. Ainda que as apresentações não seja o principal foco elas ocorrem. “As apresentações se dividem em cortejos de ruas e ás vezes teatrais, mas só fazemos quando recebemos algum convite para participar de eventos”, diz André Marques.


Marques diz que a Associação não possui nenhum apoio financeiro. “Para realizarmos a manutenção dos instrumentos utilizamos o dinheiro de cachês e das mensalidades dos alunos. A questão é que não procuramos patrocinadores, pois nosso vínculo maior é de pesquisa, nosso perfil se aproxima muito da academia, a gente prefere manter um caminho autônomo. Esse conhecimento que passamos é desconhecido, é um buraco na educação brasileira, então queremos que as pessoas compreendam nossa herança cultural africana e que entendam como que ela se articula com o que somos hoje”, informa.



sábado, 11 de junho de 2011

Ensaio: "Between Love and Hate"

O ensaio chamado "Between Love and Hate", feito por Quéfrem Vieira para a disciplina Linguagem Fotográfica do curso de Comunicação Social da UFSJ, está sendo exibido no Observatório da Cultura. É possível ter acesso à apresentação de slides com as fotos no final deste post ou na página Fotografia, através deste link.

O ensaio, cujas fotos intercalam sentimentos de amor e ódio, foi inspirado na música "Between Love and Hate", de onde vem seu título, da banda novaiorquina The Strokes. Variados estilos, ângulos e abordagens foram escolhidos como forma de experimentar diferentes possibilidades, posto que o ensaio for feito para uma matéria de faculdade.

Lembramos aos leitores que o Observatório atualiza a página Fotografia semanalmente.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Circo-teatro para todos: sonho, fantasia e realidade


Carol Slaibi
                                                                                                      Carol Slaibi
Circo-teatro para todos: diversão e realidade
“O circo trabalha com o sonho, com o lúdico, com a fantasia e com o sublime e, na medida em que as pessoas desenvolvem essas habilidades, elas se colocam de uma maneira mais intensa na vida.” É assim que o professor Cláudio Alberto dos Santos define o projeto Circo-teatro para todos.  O coordenador acredita que essa atitude tem a capacidade de auxiliar nas questões pessoais e sociais por trabalhar com a felicidade. “A gente não é só diversão, a gente é a diversão que busca conhecer a realidade. O nosso combustível é a felicidade. Então o circo é isso, ele traz a felicidade”, completa.

O projeto tem o objetivo de fomentar a pesquisa, a discussão, a extensão e a noção de performance teatral. Esta, entendida pelo grupo como um comportamento duplamente restaurado, partindo do pressuposto que quase todo comportamento é cultural, é aprendido. A performance se torna um salto mortal sob esse comportamento por ser executado em base de uma ação fora do contexto habitual. “Por exemplo, quando uma pessoa faz uma peça, ela faz parte um plano simbólico, e a performance trabalha com a noção do simbólico. Ela repõe as noções de habilidades físicas, performativas que as pessoas precisam ensaiar, que desenvolvem ao longo de um tempo de treino”, explica o professor.  

O grupo de alunos do curso de Teatro da UFSJ se reúne de segunda a sexta, no Campus Tancredo Neves, e costuma trabalhar exclusivamente com uma atividade por dia. Às quartas-feiras, os alunos se encontram no Campus Dom Bosco, para se dedicar mais ao Circo e atividade social com a comunidade, do que propriamente aos ensaios. As crianças e adolescentes que freqüentam as atividades se encantam com as cores, brincadeiras e práticas, e pedem para repetir a atividade ou para começá-la. “Reunimos no Dom Bosco para sermos um ponto de referência. Dessa forma, todas as pessoas que gostem de circo e atividades ligadas ao circo, ou habilidades de rua, possam vir e trocar experiências” comenta.

                                                                                          Carol Slaibi
Alunos aprendem técnicas teatrais e de circo
Apesar de ensaiar e trabalhar os fundamentos de técnicas teatrais e de circo, a perspectiva do grupo é montar espetáculos e performances e se apresentar para a comunidade. “Estivemos em Ibertioga, Prados, Resende Costa, Tiradentes, até aqui em São João del-Rei. Já andamos um pouquinho. Tivemos um convite para ir pro Valo do Jequitinhonha e, outro para o Rio de Janeiro. Estamos conseguindo espaço”, comenta Cláudio.  Ao ser questionado sobre os ensaios do grupo, o professor revela: “Quando vamos apresentar, muitas vezes, é de madrugada que trabalhamos. Mas o maior retorno é ver que o interesse pelo circo, pela arte esta sendo estimulado e esta obtendo resultados”.

Principio do prazer

O aluno do 3° período de Teatro, Tato Brazil, comenta que sua vontade sempre foi trabalhar com as habilidades que o Circo dispõe, além da parte cênica de interpretação. “Acho que nós, como atores, temos que buscar sermos perfeitos e, para ser um ator perfeito, temos que saber dançar, cantar, interpretar, dominar essas habilidades específicas”. Numa oficina, Tato aprendeu que às vezes o ator encara o palco com muito medo do que pode acontecer, porque tem alguma limitação. “Para mim, o projeto me forneceu segurança. De que eu vou pro palco sabendo um pouco de tudo. Mesmo que eu não use, eu aprendi”, confessa.

Lucas Campos Vieira Franco, do 5° Período, já revela que o que o motivou a participar do projeto foi à linguagem que o professor Cláudio utiliza. “Trabalhávamos a biomecânica do meio, algumas técnicas mais voltadas para teatro, mas o que me fez engajar mesmo no projeto e estar até hoje foi a ideia da arte circense”. O estudante já pretende levar a ideia do projeto à frente. “Quero juntar a arte circense com o teatro de rua. Pretendo fazer uma junção dessas duas linguagens de uma forma muito parecida ao Xamã, pois é uma forma muito interessante. Para semear mesmo aonde não tenha a arte”, completa.

Arte unitária

Tanto Circo-teatro para todos quanto outro projeto do professor Cláudio intitulado Nave de Dionísio, nasceram do projeto mãe: o Xamã. Este, que conta com a participação de todos os alunos do curso de teatro, intensifica o estudo das práticas de habilidades físicas, de dança, de movimento e ritmo, ligado às tradições de circo. O grupo, coordenado pelo professor Cláudio, também pesquisa a relação que o teatro pode ter com os espaços urbanos. “Quando eu entrei na UFSJ já existia essa semente aqui. Os outros projetos surgiram pela necessidade de nos vincularmos a algum tipo de atividade formal. Além de visibilidade, que é sempre muito importante”, revela.

Conhecido como o arquétipo da raça humana, o Xamã é a figura que conseguiu reunir em si habilidades que se encontram dispersas no mundo. Desenvolve artes como: acrobacia, teatro, música, arquitetura, escultura, malabarismos, ilusionismos e ventríloqua.  Seja na África, América do Norte ou na Ásia, o porta voz dos espíritos também está ligado ao mundo da cura e do poder dos rituais de pajelança. “A nossa ideia, por traz do nome Xamã, é buscar uma arte mais unitária. Como por exemplo: a dança, o teatro, a música, as artes do circo e a performance. O Xamã é essa figura que reúne tudo”, finaliza Cláudio. 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

UaiPhone, o celular dos mineiros


Walquíria Domingues
                                                                                                                         Beni Jr.

São João del Rei – MG, onde busco inspiração… #2 [são joão del-rei Phone]


“A idéia partiu do Bruno Figueiredo”, conta Beni Jr, fotógrafo são-joanense integrante do projeto UaiPhone. Com 22 fotógrafos profissionais, espalhados em cinco países, o blog da turma reúne apenas fotos feitas com iPhone, documentando o mundo com olhares apurados, no Brasil, Espanha, Inglaterra, Irlanda e Itália. Como “qualquer cena é digna de registro”, de acordo com a apresentação do projeto, que nasceu em janeiro deste ano, é claro que o registro do que se vê pode e deve ser feito com qualquer tipo de aparelho que capte imagens, como o novo brinquedinho dos adeptos à fotografia como profissão: o iPhone.
                                                                                 Bruno Figueiredo
Bruno Figueiredo, Londres
Com suas câmeras portáteis, aplicativos e telefones, os fotógrafos espalhados pelo globo transformam seus modernos e pequenos equipamentos em poderosas câmeras fotográficas, e registram o cotidiano com a sensibilidade que só um fotógrafo tem. André Americo, Arnaldo Carvalho, Bruno Figueiredo, Bruno Magalhães, Bruno Mancinelle, Cesar Tropia, Claudio Versiani, Cristiano Trad, Emmanuel Pinheiro, Erica Kawamoto, Ferdinando Ramos, Leo Lara, Marcelo Prates, Marcus Desimoni, Mel Boechat, Netun Lima, Pedro Silveira, Raquel Brust, Tomás Arthuzzi, Toni Pires e Vanessa Wozcniaki. Os artistas da luz são mineiros, em sua maioria de Belo Horizonte/MG, mas também têm seu representante em São João del-Rei, Beni Jr.

“Nós, fotógrafos, adoramos fotografar a todo o momento, se a gente pudesse, a gente sairia com uma câmera a tiracolo”, explica Beni Jr da necessidade que o fotógrafo tem de sempre registrar o que vê. Mas como, infelizmente, os olhos não fotografam (ainda!?) o iPhone veio para tentar, pelo menos, suprir esta falta. Beni diz que como “o fotógrafo geralmente é muito curioso”, ter sempre em mãos um aparelho que tira fotos se torna indispensável, já que “a gente quando vai a qualquer lugar observa muito”, conta.

O projeto UaiPhone começou quando o fotógrafo mineiro Bruno Figueiredo fez fotos documentando Londres com iPhone. Ele, que mora em Londres há um tempo, conta por telefone a origem da idéia. “Tem um gaúcho que mora comigo, que uma vez fez uma piada: você conhece o celular de mineiro? Eu falei não. E ele disse, UaiPhone. Eu achei aquele nome muito bom e pensei, esse nome é o nome do meu projeto”.                                                   
                                                                                                                                   Beni Jr.
Apple

As primeiras fotos foram postadas no Facebook. A idéia começou a agradar Emanuel Pinheiro, fotógrafo de Belo Horizonte, e Netun Lima, também de BH, deu a idéia de fazer um blog. “Nós fomos os três primeiros, e depois convidamos mais fotógrafos”, conta Bruno Figueiredo. Ele convidou Cláudio Versiani, que foi Editor de Fotografia do Correio Braziliense e hoje reside em Barcelona, Espanha, e Toni Pires, que era Editor de Fotografia do jornal Folha de São Paulo e hoje é Editor de Fotografia da Isto é Dinheiro. Depois vieram mais e mais artistas da imagem, que hoje completam 22.

Como dizia Henri Cartier Bresson, um dos mais importantes fotógrafos do século XX, considerado por muitos o pai do fotojornalismo, o momento é único, decisivo, e ele nunca mais volta. Com a tecnologia, registrar o momento decisivo no cotidiano ficou muito mais fácil do que nas primeiras décadas do século XX, é claro. “Às vezes eu estou almoçando, olho para o prato e consigo ver um desenho, uma forma, aí eu tiro uma foto e mando”, relata Beni Jr, tendo em mãos seu iPhone. Ele acredita que os celulares ainda vão evoluir muito, e “a câmera fotográfica vai acompanhar isso dentro do celular”.
                                                                  Beni Jr.
Beni Jr, São João del-Rei
A turma do UaiPhone e Claudio Edinger são ótimos exemplos de que “se você tiver o conhecimento da fotografia, você consegue tirar fotos belíssimas”, como analisa Beni Jr. Hoje qualquer um pode tirar fotos, e mesmo ocorrendo certa banalização da fotografia, quem é profissional, trabalha de acordo com a ética e pode dessa forma usar qualquer plataforma de mídia para realizar seu trabalho, mesmo que haja perigo em se fotografar a todo o momento. “Você tem que ter critérios”, acrescenta Beni. Tomás Arthuzzi, fotógrafo integrante do projeto, que mora na Irlanda, diz que encara a tecnologia como uma faca de dois gumes. “Da mesma forma que ela abre portas para milhões de pessoas, ao mesmo tempo, banaliza a fotografia de certa forma. Logo, cabe a nós diferenciar fotos feitas com um pensamento e certo estudo das que são realizadas ao acaso, sem necessariamente um preparo técnico. É uma linha tênue que as divide, mas eu acho que isso vem para o bem de um modo geral”.

Novas experiências
“Num tempo muito curto o projeto alcançou uma visibilidade muito boa”, conta Bruno Figueiredo, que se orgulha de já ter palestrado para estudantes sobre o projeto na Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec). “A palestra foi muito legal, primeiro porque a gente usou o Skype para fazer a palestra. Eu falei aqui de Londres o tempo inteiro conectado, e o Cristiano Trad estava lá, no auditório”. Além de introduzirem os conceitos do projeto, mostraram que não querem fazer somente fotos com iPhone, e sim também discutir a importância desta prática hoje. 
                                                                                                
                                                                                                                                            Bruno Figueiredo
Waterloo Station
O que também os surpreende é uma proposta para exposição das fotos. “Estamos aguardando um patrocinador aprovar o projeto. Caso seja aprovado, a exposição vai acontecer no Belo Horizonte Music Station, talvez um dos maiores festivais de música que acontecem em BH, na estação do metrô”, conta Bruno Figueiredo. A exposição vai poder provar que o resultado é sempre o mesmo, usando qualquer equipamento. Como diz Beni Jr, o que vale é o sentimento e não o equipamento. “Uai, afinal de contas, fotografar é um trem bom pra caramba”, brinca Toni Pires.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Turista é responsável por reforma de ponte em SJDR



André N. P. Azevedo
                                                                                                                                      André N. P. Azevedo
Passarela será reformada
Uma cidade turística é aquela tem um grande potencial para receber turistas, seja por suas belezas naturais, sua cultura, ou sua história. Parte-se do preceito que para receber bem os visitantes, deve-se manter a cidade limpa, os monumentos conservados e realizar ações que valorizam a cultura local.

Não é o que se vê em São João del-Rei. Famosa pelo seu passado inconfidente, pelas suas igrejas barrocas, suas pontes de pedras bicentenárias e por seu conjunto arquitetônico singular, a cidade encontra-se suja, com pichações em monumentos, placas informativas quebradas e pontes importantes em estado deplorável.

Um exemplo é a passarela que dá acesso ao antigo complexo ferroviário que abriga o mais antigo trem de passageiros em funcionamento no Brasil, a Maria Fumaça, que liga São João del-Rei à vizinha Tiradentes. A ponte encontra-se com sua ferragem torcida e com o cimento trincado. “A ponte nunca foi reformada, foi apenas pintada quatro vezes”, reclama Dalmir Tabanez de 58 anos e que há 34 trabalha como vendedor ambulante nas proximidades da passarela.

No entanto, há dois anos, a cidade recebeu a visita do engenheiro civil e professor universitário, Ilo Borba, 62 anos. “Fui a São João del-Rei para resgatar um pouco da história de vida de meu pai, que serviu o exército na cidade durante a década de 30”, diz.

Em sua visita a cidade, Borba, que é natural de Recife-PE, constatou o estado precário da passarela, tendo se comprometido a elaborar um projeto para reformá-la sem custos para a cidade. “Acho que se meu pai fosse vivo era o que ele desejaria que fosse feito”, conta.
                                                                      Arquivo Pessoal
Ilo Borba em sua visita a São João del-Rei

O projeto ficou pronto no início de 2010, mas necessitou passar pela análise da Secretaria de Cultura e Turismo da Cidade de São João del-Rei, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (CMPPC) e somente agora, mais de um ano depois, é que o mesmo foi aprovado.

De acordo com relator do projeto no CMPPC, Messias Neves, 85 anos, a demora se justifica porque “antes de se iniciar qualquer obra no centro histórico de São João del-Rei precisa-se averiguar se ela se enquadra no estilo arquitetônico da cidade”, explica. Apesar do longo período de análise, as obras que têm valor estimado em 195 mil reais, foram aprovadas por unanimidade pelo Conselho.

Além disso, se depender dos membros do CMPPC, depois da conclusão da reforma (que ainda não tem data pra iniciar) a ponte passará a se chamar "Passarela Tenente Jonas Borba" em homenagem ao pai de Ilo Borba, autor do projeto. “Acho que é uma homenagem mais do que justa e que deveria servir de exemplo aos são-joanenses”, afirma Neves.

O problema, de acordo com Neves, é que muitos proprietários de imóveis no centro histórico não entendem o trabalho do CMPPC. “Acham que o Conselho é um atraso para cidade”, afirma. Segundo ele, as pessoas da cidade não dão valor à arquitetura histórica da cidade. “É uma vergonha que tenha que vir algum turista pra fazer algo pra cidade”, desabafa. 
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