segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O único culpado do caso PC Farias


André N. P. Azevedo

                                                                                                                         Fotos: André N. P. Azevedo
"Não existe essa de jornalista investigativo"
O curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFSJ recebeu a visita do jornalista Lucas Figueiredo, que veio à cidade para o lançamento do 5º Festival de literatura de São João del-Rei (Felit). No encontro, que ocorreu no último dia 26, no anfiteatro da biblioteca do Ctan, Figueiredo falou um pouco sobre de sua carreira e seus livros.

Lucas Figueiredo é o tipo de jornalista que quase todo estudante de jornalismo desejaria ser. Com apenas 20 anos de carreira, foi repórter da Folha de São Paulo, trabalhou no Estado de São Paulo, foi colaborador das revistas Caros Amigos, Playboy, Superinteressante, Nossa História, Revista MTV, além de uma publicação belga, Defue Sud. No rádio, fez coberturas no Peru para a rádio BBC brasileira.

Possui ainda cinco livros publicados: MORCEGOS NEGROSPC Farias, Collor, máfias e a história que o Brasil não conheceu (Record, 200),  MINISTÉRIO DO SILÊNCIO – A história do serviço secreto de Washington Luís a Lula – 1927-2005 (Record, 2005), O OPERADOR – Como (e a mando de quem) Marcos Valério irrigou os cofres do PSDB e do PT (Record, 2006), OLHO POR OLHO – Os livros secretos da ditadura (Record, 2009) e o recente trabalho, BOA VENTURA! – A corrida do ouro no Brasil (1697-1810) – A cobiça que forjou um país, sustentou Portugal e inflamou o mundo (Record, 2011).

Os prêmios de Figueiredo são um caso a parte. Entre os mais importantes estão, Folha (1997), Prêmio Esso (2007, 2005 e 2004), Jabuti (2010), Vladimir Herzog (2009 e 2005) e Imprensa Embratel (2005).  Recebeu também, pelo site Jornalistas & Cia o mérito Grandes Jornalistas (2010), por estar entre os quinze repórteres brasileiros mais premiados no período entre 1995-2010.

Uma das reportagens mais famosas de Figueiredo é a do “caso PC Farias”, que revela os esquemas de corrupção do ex-tesoureiro de Collor e foi publicada na Folha de SP. Durante a investigação, que levou quatro anos, o jornalista reuniu provas na Itália, Suíça, EUA, Argentina, Uruguai e é claro, em Alagoas.

A reportagem resultou em seu primeiro livro, intitulado “Morcegos Negros”. Segundo o autor, o livro surgiu por um acaso, “Em uma reportagem grande como essa existem fatos que não cabem no jornal. Além disso, eu anotava detalhes físicos das pessoas que entrevistava, quando dei por mim, o livro já estava praticamente pronto”, explica.

O nome, “Morcegos Negros” surgiu do nome do avião “Morcego Negro” que PC Farias usou para transportar mafiosos italianos. “Morcego Negro era ideia da minha mulher, mas resolvi colocar no plural por imaginar um “morcego negro”, carregando um bando de outros morcegos (os mafiosos)”, conta.

O livro foi um sucesso de vendas, ficando 14 semanas na lista dos mais vendidos da revista Veja. O jornalista conta que se surpreendeu com a vendagem do livro. “Nem a editora imaginava que fosse vender assim”, conta. Depois do início promissor como escritor de livros, Lucas Figueiredo deixou o emprego no jornal e resolveu se dedicar um pouco mais a literatura. “Ganhei uma boa quantia com Morcegos Negros, o que me possibilitou deixar os jornais e revistas por um tempo para me dedicar à literatura”, explica Figueiredo.

Apesar do sucesso de vendas, Lucas Figueiredo se diz o único condenado do esquema de corrupção que ele descobriu, “Gastei 1/3 do que ganhei com o livro pagando advogados para me livras de processos, que acabei perdendo. Fiquei mais desapontado ainda quando Collor foi eleito senador”, diz.

Figueiredo conta também que todos os seus livros surgiram sempre de alguma matéria. “Procuro fazer sempre alguma matéria que me motive, algum escândalo, alguma denúncia por exemplo.”  Ainda segundo o jornalista, “não existe essa de jornalista investigativo, todo jornalista tem que investigar, seja sobre o que for a matéria”.

“Antes eu achava que com as reportagens e os livros eu estava fazendo justiça, mas quem tem que cobrar justiça é a sociedade e infelizmente a sociedade briga muito pouco por isso.  Acho que fiz a minha parte”, conclui Figueiredo.

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