terça-feira, 9 de agosto de 2011

Jornalista lança coletânea de perfis em São João del-Rei





André N. P. Azevedo


Perfis biográficos e entrevistas com artistas e pensadores como Adélia Prado, José Saramago, Robert Kurz e Waly Salomão fazem parte do livro “Retratos Erráticos”, do jornalista Régis Gonçalves, lançado em São João del-Rei, durante o 24º Inverno Cultural da UFSJ.

                                        Carol Argamim Gouvêa
Em entrevista concedida ao Observatório, Régis Gonçalves conta detalhes sobre seu livro e sua carreira.

Observatório da Cultura: Como surgiu a ideia de fazer o livro?

Régis Gonçalves: Bom, eu militei durante muitos anos no jornalismo cultural em Belo Horizonte e tive a oportunidade de desenvolver uma experiência relativamente nova, pelo menos no jornalismo brasileiro, foi fazer esse gênero de reportagem: perfil.

Eu acho que depois que esse material é publicado, ele, no jornal ou na revista, se transforma e se torna um material muito perecível e eu achei que valia apena resgatá-lo em formato livro para perenizar esses depoimentos.

Então, portanto, o livro resgata esses depoimentos desses personagens que são importantes; pessoas importantes do cenário cultural brasileiro e como disse alguns da cena internacional também, para que sejam salvos daquele esquecimento que dizem: “O jornal no dia seguinte, depois de publicado, tem sua utilidade maior embalar peixes”.

Então acho que pelo menos esse mérito o livro teve. Acho que pela importância dos personagens vale a pena ser lido, ser manuseado.

OC: Como começou a escrever perfis?

RG: Eu era redator, e não repórter, mas fui escalado algumas vezes para fazer entrevistas com autores literários ou artistas plásticos, músicos, ensaístas e outros personagens da cena cultural brasileira e alguns estrangeiros também.

OC: Quanto anos de trabalho “Retratos Erráticos” abrange?

RG: Tenho mais ou menos 40 anos de jornalismo. Trabalhei na área política, de economia, mas tive a oportunidade de trabalhar no jornalismo cultural basicamente quando fui trabalhar no jornal O Tempo, logo no início, quando o jornal foi fundado em Belo Horizonte.

Eu tive uma breve passagem pela editoria de política e depois na editoria “Magazine”, que é o caderno de cultura do jornal.  Fiquei cinco  anos lá, mas depois que sai do jornal eu continuei publicando em outros lugares e até no próprio Tempo.

OC: Por quanto tempo trabalhou no livro?

RG: Olha, eu trabalhei nesse livro quase dois anos, resgatando o material que estava nos arquivos digitais dos jornais e revistas onde eles foram publicados. Foi um trabalho quase braçal.
                                                                                                                                 Carol Argamim Gouvêa
Obra reúne ao todo 39 perfis biográficos e entrevistas
OC: Por que o nome “Retratos Erráticos”?

RG: Os retratos, por flagrarem situações vividas, ou ideias pensadas em certo momento pelos entrevistados, adquirem um caráter errático, escorregadio e, obviamente, não definitivo.

OC: Com a internet, leitores digitais como o iPad, você acha que ainda tem espaço para o jornalismo impresso?

RG: Acho que sim. O jornalismo está passando por uma grande transformação e o webjornalismo é uma nova fronteira para o  jornalismo convencional. Mas eu acho que essa substância do trabalho jornalístico, ele vai permanecer independente do suporte e do material. Mesmo que a informação seja digital, seja um jornal impresso, seja a TV, o rádio, ou mesmo se estiver em um livro, a prática jornalística nunca vai acabar. Eu acho que a substância do trabalho jornalístico é a pesquisa, a investigação jornalística. E isso é insubstituível.



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