terça-feira, 2 de agosto de 2011

Barbacine 77: cinema gratuito e diferenciado para Barbacena


Bruno Laviola
                                                                                                           Divulgação/Renata Soares 
Coletivo77 leva cinema gratuito de qualidade para Barbacena
É o primeiro e único cineclube aberto ao público de Barbacena. Gratuito, promove discussões e reflexões sobre o cinema. O seu início foi em maio de 2010. “O cineclube queria fomentar a cultura da cidade de forma independente. Começou com uma reunião de pessoas com o mesmo propósito”, conta Alex Guedes, coordenador do projeto. Ainda de forma embrionária, tinha as suas reuniões realizadas na Estação Ferroviária. 

Foi em novembro, em parceria com a FUNDAC (Fundação Municipal de Cultura), que o Barbacine 77 encontrou um espaço adequado para as exibições. Na inauguração, foi exibido o curta Dois pra lá dois pra cá, com presença da diretora  Marcela Bertolleti, o curta Logorama, ganhador do Oscar de Melhor Curta de Animação e um curta da DF5, distribuidora audiovisual do Circuito Fora do Eixo, maior rede de circulação de produção cultural independente nacional e parceira do Barbacine.

Em 2011, o cineclube estruturou-se ainda mais e passou a organizar ciclos de debate. Com sessões quinzenais, cada ciclo dura dois meses. São os próprios participantes que escolhem os quatro filmes a serão exibidos. O terceiro ciclo ainda está em andamento. O primeiro foi “A Metalinguagem no Cinema”, com filmes que falam sobre o próprio cinema. O segundo foi “Ingmar Bergman”, com a exibição de clássicos do cineasta sueco. Já o atual, que teve início em maio, é “Cinema e Filosofia” - Uma leitura artístico-filosófica em torno da obra de Lars von Trier e tem participação especial de Cássio Barreto, psicólogo e mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea. O próximo será bem propício: “Loucura”. Julho é tradicionalmente o mês da loucura em Barbacena e o 4º ciclo começará justamente um dia antes do início do festival.

Cineclubismo
Uma média de 20 pessoas vai a cada sessão. Um número até razoável, se considerado que a maior parte dos filmes não é comercial e apresenta um conteúdo mais denso. Além de ser gratuito, há uma característica básica capaz de definir o que é um cineclube: “A principal diferença é que, no cinema tradicional, quando o filme termina o pessoal vai embora para casa. Já no cineclube as pessoas ficam conversando a respeito”, diz Alex.

Não há um público específico. Jovens, adultos e idosos se fazem presentes nas diversas sessões. Entretanto, pessoas da faixa 25-35 anos são as que mais aparecem. São professores, universitários, ou apenas cinéfilos, que buscam um espaço diferenciado para as exibições.   
      
Professor na área de humanas, Leonardo Lisbôa conta como conheceu o cineclube: “Eu o conheci através de um cartaz que estava em um balcão de uma locadora que eu visito sempre. E aí procurei me informar para participar”. A maior parte das divulgações são online, através de redes sociais e no principal site que veicula notícias da cidade, o Barbacena Online.

Segundo Alex, montar um cineclube pode ser bem simples: “É mais a vontade de ver filme junto do que qualquer outra coisa. É uma questão de iniciativa. Não precisa de ter muita coisa”. Já Leonardo avalia a importância de tal movimento: “Uma vez, ouvi uma comparação crítica feita por uma pessoa com a qual tive que concordar: ‘Enquanto São João del-Rei é uma cidade voltada inteiramente para a cultura, Barbacena é para o verniz. A cultura que é bom, pouco é valorizada’. Mediante esta afirmativa, acredito que o cineclube é fundamental para mudar este estigma e a mentalidade do barbacenense.”


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