quarta-feira, 6 de julho de 2011

Heróis de guerra viram filme


Thiago Morandi
                                                                                         Fotos: Elisângela Guainara
O ator Marco Fugga como "Soldado Nêgo" em cena do filme "Heróis"

No dia 29 de junho de 1944, milhares de brasileiros embarcaram rumo aos campos de batalha na Itália. Em 22 de setembro, do mesmo ano, era a vez de três soldados fazerem história na II Guerra Mundial. Sozinhos enfrentaram, até a morte, uma companhia Nazista composta por aproximadamente 100 homens. Essa história está sendo retratada no filme Heróis, que começou a ser gravado dia 26 de abril em São João del-Rei.

O filme começou a ser elaborado em 2009, quando o diretor Guto Aeraphe, visitou o museu da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em São João del-Rei  e conheceu o pracinha da FEB, Capitão Ary, que contou dentre várias histórias, a dos três soldados. Para o diretor, essa “é uma história bacana, que nunca foi contada e é um gênero novo no cinema e por que não encarar esse desafio?”, após iniciativa, começou uma ampla pesquisa.

A partir da história desses três heróis de guerra, Geraldo Baêta da Cruz, 28 anos, natural de Entre Rios de Minas, Arlindo Lúcio da Silva, de 25, de São João del-Rei, e Geraldo Rodrigues de Souza, de 26, de Rio Preto, na Zona da Mata, será contada a história de outros pracinhas brasileiros, principalmente os que morreram na cidade italiana de Montese, onde ocorreu a morte dos três soldados e também onde ocorreu uma das mais sangrentas batalhas do conflito. 

Major Carlos disse que Guto procurou o Centro de Comunicação do Exercito e “o exercito se prontificou em apoiar a produção do filme por ter em vista a importância do fato ocorrido na Segunda Guerra para a FEB e para o exercito” e afirmou que assim divulga-se fatos de conhecimento somente dos militares para a população, transformando-os em patrimônio cultural para o Brasil.
                                                                                                                                                 

Cena do filme "Herói" de Guto Aeraphe
São aproximadamente 50 pessoas envolvidas na gravação. A equipe recebeu treinamento militar. Para o ator Isaque Ribeiro, “a preparação do 11º BI foi fundamental para chegar no Set de filmagem e se sentir seguro”. O também ator Enzo Silveira afirma que “o Exercito foi a melhor base para eles sustentarem os personagens”. Os atores ainda disseram que não prestaram serviço militar e que o treinamento que receberam foi como uma divida paga à nação, Marco Fuga, que também faz parte do elenco, chegou até comer larva durante o treinamento recebido pelos militares.

Toda a gravação está sendo realizada em áreas de treinamento do 11º BI. Segundo a equipe do filme vivenciar essa época e acompanhar o treinamento dos militares proporcionou a eles um respeito maior às forças armadas.

Os equipamentos utilizados para a filmagem são varias câmeras com a tecnologia DRSL’s, que são maquinas fotográficas que filmam em alta definição. Além disso, as armas e capacetes usados pelos atores são as mesmas utilizadas nos campos de batalha na Itália, as cenas contam ainda, com efeitos de explosão e também com barulhos de tiros feitos com armas de verdade.

Guto Aeraphe pretende lançar o filme em meados de setembro ou outubro de 2011, em seu blog [http://www.heroisofilme.blogspot.com/] é possível acompanhar parte do processo de concepção e produção do média-metragem. Uma sessão de pré estréia será especialmente preparada para São João del-Rei.

Um pouco da história                                                                                               
Em uma dessas incursões, os pracinhas mineiros se viram frente a frente com uma companhia alemã composta de aproximadamente 100 homens. Era 14 de abril de 1945. Eles receberam ordens para se render, mas continuaram em combate até ficarem sem munição e serem mortos.

O detalhe é que, em vez da vala comum, receberam honras especiais do Exército alemão. Admirado com a coragem e resistência do trio, o comandante nazista mandou enterrá-los e colocar sobre as covas, cruzes e placas com a inscrição: "Drei Brasilianis che Helden" ou “Três Heróis Brasileiros”.
Duas semanas depois a guerra terminara e a tomada de Montese em 16 de abril de 1945 foi a mais violenta, sangrenta, heroica: a maior conquista das tropas brasileiras. Somente em Montese, a FEB teve 426 pessoas mortas.

Alguns números
A FEB era composta de 25.344 brasileiros. Desses 15 mil fizeram parte da linha de frente de batalha, o restante auxiliou na retaguarda. 465 foram os heróis de guerra que o Brasil perdeu em solo Italiano. Mais de 2 mil morreriam depois de voltarem ao Brasil.

Dois generais alemães estavam entre os prisioneiros feitos pelos pracinhas. Foram capturados 892 oficiais e 19.689 soldados do Eixo (Itália, Japão e Alemanha).

Foram 239 dias de combate da divisão brasileira na Itália. 445 missões ofensivas realizadas pelo 1º Grupo de Caça da FEB, totalizando 2546 saídas individuais de aviões em combates e 6144 horas de Vôo.

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