quinta-feira, 9 de junho de 2011

UaiPhone, o celular dos mineiros


Walquíria Domingues
                                                                                                                         Beni Jr.

São João del Rei – MG, onde busco inspiração… #2 [são joão del-rei Phone]


“A idéia partiu do Bruno Figueiredo”, conta Beni Jr, fotógrafo são-joanense integrante do projeto UaiPhone. Com 22 fotógrafos profissionais, espalhados em cinco países, o blog da turma reúne apenas fotos feitas com iPhone, documentando o mundo com olhares apurados, no Brasil, Espanha, Inglaterra, Irlanda e Itália. Como “qualquer cena é digna de registro”, de acordo com a apresentação do projeto, que nasceu em janeiro deste ano, é claro que o registro do que se vê pode e deve ser feito com qualquer tipo de aparelho que capte imagens, como o novo brinquedinho dos adeptos à fotografia como profissão: o iPhone.
                                                                                 Bruno Figueiredo
Bruno Figueiredo, Londres
Com suas câmeras portáteis, aplicativos e telefones, os fotógrafos espalhados pelo globo transformam seus modernos e pequenos equipamentos em poderosas câmeras fotográficas, e registram o cotidiano com a sensibilidade que só um fotógrafo tem. André Americo, Arnaldo Carvalho, Bruno Figueiredo, Bruno Magalhães, Bruno Mancinelle, Cesar Tropia, Claudio Versiani, Cristiano Trad, Emmanuel Pinheiro, Erica Kawamoto, Ferdinando Ramos, Leo Lara, Marcelo Prates, Marcus Desimoni, Mel Boechat, Netun Lima, Pedro Silveira, Raquel Brust, Tomás Arthuzzi, Toni Pires e Vanessa Wozcniaki. Os artistas da luz são mineiros, em sua maioria de Belo Horizonte/MG, mas também têm seu representante em São João del-Rei, Beni Jr.

“Nós, fotógrafos, adoramos fotografar a todo o momento, se a gente pudesse, a gente sairia com uma câmera a tiracolo”, explica Beni Jr da necessidade que o fotógrafo tem de sempre registrar o que vê. Mas como, infelizmente, os olhos não fotografam (ainda!?) o iPhone veio para tentar, pelo menos, suprir esta falta. Beni diz que como “o fotógrafo geralmente é muito curioso”, ter sempre em mãos um aparelho que tira fotos se torna indispensável, já que “a gente quando vai a qualquer lugar observa muito”, conta.

O projeto UaiPhone começou quando o fotógrafo mineiro Bruno Figueiredo fez fotos documentando Londres com iPhone. Ele, que mora em Londres há um tempo, conta por telefone a origem da idéia. “Tem um gaúcho que mora comigo, que uma vez fez uma piada: você conhece o celular de mineiro? Eu falei não. E ele disse, UaiPhone. Eu achei aquele nome muito bom e pensei, esse nome é o nome do meu projeto”.                                                   
                                                                                                                                   Beni Jr.
Apple

As primeiras fotos foram postadas no Facebook. A idéia começou a agradar Emanuel Pinheiro, fotógrafo de Belo Horizonte, e Netun Lima, também de BH, deu a idéia de fazer um blog. “Nós fomos os três primeiros, e depois convidamos mais fotógrafos”, conta Bruno Figueiredo. Ele convidou Cláudio Versiani, que foi Editor de Fotografia do Correio Braziliense e hoje reside em Barcelona, Espanha, e Toni Pires, que era Editor de Fotografia do jornal Folha de São Paulo e hoje é Editor de Fotografia da Isto é Dinheiro. Depois vieram mais e mais artistas da imagem, que hoje completam 22.

Como dizia Henri Cartier Bresson, um dos mais importantes fotógrafos do século XX, considerado por muitos o pai do fotojornalismo, o momento é único, decisivo, e ele nunca mais volta. Com a tecnologia, registrar o momento decisivo no cotidiano ficou muito mais fácil do que nas primeiras décadas do século XX, é claro. “Às vezes eu estou almoçando, olho para o prato e consigo ver um desenho, uma forma, aí eu tiro uma foto e mando”, relata Beni Jr, tendo em mãos seu iPhone. Ele acredita que os celulares ainda vão evoluir muito, e “a câmera fotográfica vai acompanhar isso dentro do celular”.
                                                                  Beni Jr.
Beni Jr, São João del-Rei
A turma do UaiPhone e Claudio Edinger são ótimos exemplos de que “se você tiver o conhecimento da fotografia, você consegue tirar fotos belíssimas”, como analisa Beni Jr. Hoje qualquer um pode tirar fotos, e mesmo ocorrendo certa banalização da fotografia, quem é profissional, trabalha de acordo com a ética e pode dessa forma usar qualquer plataforma de mídia para realizar seu trabalho, mesmo que haja perigo em se fotografar a todo o momento. “Você tem que ter critérios”, acrescenta Beni. Tomás Arthuzzi, fotógrafo integrante do projeto, que mora na Irlanda, diz que encara a tecnologia como uma faca de dois gumes. “Da mesma forma que ela abre portas para milhões de pessoas, ao mesmo tempo, banaliza a fotografia de certa forma. Logo, cabe a nós diferenciar fotos feitas com um pensamento e certo estudo das que são realizadas ao acaso, sem necessariamente um preparo técnico. É uma linha tênue que as divide, mas eu acho que isso vem para o bem de um modo geral”.

Novas experiências
“Num tempo muito curto o projeto alcançou uma visibilidade muito boa”, conta Bruno Figueiredo, que se orgulha de já ter palestrado para estudantes sobre o projeto na Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec). “A palestra foi muito legal, primeiro porque a gente usou o Skype para fazer a palestra. Eu falei aqui de Londres o tempo inteiro conectado, e o Cristiano Trad estava lá, no auditório”. Além de introduzirem os conceitos do projeto, mostraram que não querem fazer somente fotos com iPhone, e sim também discutir a importância desta prática hoje. 
                                                                                                
                                                                                                                                            Bruno Figueiredo
Waterloo Station
O que também os surpreende é uma proposta para exposição das fotos. “Estamos aguardando um patrocinador aprovar o projeto. Caso seja aprovado, a exposição vai acontecer no Belo Horizonte Music Station, talvez um dos maiores festivais de música que acontecem em BH, na estação do metrô”, conta Bruno Figueiredo. A exposição vai poder provar que o resultado é sempre o mesmo, usando qualquer equipamento. Como diz Beni Jr, o que vale é o sentimento e não o equipamento. “Uai, afinal de contas, fotografar é um trem bom pra caramba”, brinca Toni Pires.

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