segunda-feira, 13 de junho de 2011

Associação Cultural resgata musicalidade popular


Thamiris Franco
                                                                                                                             Divulgação
Cortejo nas ruas de São João del-Rei
No ano de 2002, surge em São João del-Rei o Grupo Mucambo – Percussão e Cultura Popular, que possui como proposta explicar o contexto histórico e cultural das manifestações musicais populares, principalmente o maracatu. Para isso, seus membros realizam pesquisas de campo e estudos históricos. O grupo se tornou uma Associação no ano de 2008, após André Marques, atual presidente, perceber que o principal objetivo não é a realização de apresentações, mas sim pesquisar, ensinar e difundir a cultura popular afro-brasileira. Sem sede própria, a Associação conta com o apoio do  Conservatório Estadual de Música "Padre José Maria Xavier"  que concede um espaço para promover uma oficina que ajuda a realizar os objetivos propostos.

De acordo com André Marques, o interesse em fundar o grupo surgiu após sua participação em uma oficina de Maracatu no Inverno Cultural. Após o término desta, ele se interessou pelo assunto e continuou estudando e pesquisando o estilo. “Eu já fazia parte de uma banda que tinha influência do manguebeat (estilo musical criado em Recife que mistura maracatu, funk, hip hop e música eletrônica), após terminar a oficina no Inverno Cultural viajamos para Recife, lá vivenciei a cultura popular de perto e tive a oportunidade de aprender mais sobre o maracatu. Então quando retornei para São João del-Rei, percebi que aqui tinha ritmos parecidos como o Congado, Folia de Reis e Umbanda, como eu já me identificava com estes estilos resolvi criar o grupo”.

No início, os membros do Mucambo realizavam apresentações em festas culturais da cidade como na Festa do Rosário, além de participações no Inverno Cultural. Débora Fantini, vice presidenta da Associação, explica que com o decorrer do tempo e com um conhecimento mais profundo das manifestações populares eles perceberam que na verdade não constituíam um grupo com o ritmo Maracatu como os do Recife, mas o que eles faziam era estudar a cultura popular. “Então fizemos uma revisão geral, ainda não formávamos uma Associação e em 2008 decidimos parar de realizar um pouco das apresentações e estudar mais. Assim reunimos psicólogos, historiadores, músicos e fundamos a Associação”, informa.

Atualmente, a Associação realiza uma Oficina de Percussão Popular com duração de dois anos. André informa que no primeiro ano os alunos aprendem noções básicas de musicalização, percussão, ritmos e todo o contexto que permeia a linguagem do maracatu, também é ensinado como tocar os instrumentos: alfaias, gonguê, caixas, ganzá, pandeiros, congos e agogôs. O repertório é eclético, mas sempre dentro da linguagem rítmica brasileira. No segundo ano de curso, é ensinado como os alunos devem se comportar em um palco, elaborar um cenário e produzir um espetáculo. “Ao final, o aluno que se interessar a fazer parte da Associação pode se inscrever e submeter um processo de seleção”, diz Débora.

Eliana Silva, aluna do curso, diz que resolveu fazer a oficina, pois gosta muito de percussão e já conhecia o trabalho desenvolvido pela Associação. Já Leandro de Souza conta que entrou para o curso, porque tinha dificuldades de expor em público, além de gostar de aprender música. “Quando eu terminar o curso, pretendo continuar estudando os ritmos brasileiros, pois gosto muito e foi um jeito que consegui de desinibir. Aqui temos uma relação muito boa. Todos são amigos. Quando um erra, procuramos sempre ajudar; os que sabem mais auxiliam os que têm mais dificuldades”, diz Leandro de Souza.

André Marques comenta que a Associação, além da oficina, promove aulas-espetáculos, isto é, uma aula em que é informado o contexto histórico dos ritmos musicais e utilização de cada instrumento, além de ser um meio para divulgar os objetivos da Associação. Também o Mucambo é convidado por escolas para palestrar sobre a cultura musical popular. Ainda que as apresentações não seja o principal foco elas ocorrem. “As apresentações se dividem em cortejos de ruas e ás vezes teatrais, mas só fazemos quando recebemos algum convite para participar de eventos”, diz André Marques.


Marques diz que a Associação não possui nenhum apoio financeiro. “Para realizarmos a manutenção dos instrumentos utilizamos o dinheiro de cachês e das mensalidades dos alunos. A questão é que não procuramos patrocinadores, pois nosso vínculo maior é de pesquisa, nosso perfil se aproxima muito da academia, a gente prefere manter um caminho autônomo. Esse conhecimento que passamos é desconhecido, é um buraco na educação brasileira, então queremos que as pessoas compreendam nossa herança cultural africana e que entendam como que ela se articula com o que somos hoje”, informa.



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