sexta-feira, 10 de junho de 2011

Circo-teatro para todos: sonho, fantasia e realidade


Carol Slaibi
                                                                                                      Carol Slaibi
Circo-teatro para todos: diversão e realidade
“O circo trabalha com o sonho, com o lúdico, com a fantasia e com o sublime e, na medida em que as pessoas desenvolvem essas habilidades, elas se colocam de uma maneira mais intensa na vida.” É assim que o professor Cláudio Alberto dos Santos define o projeto Circo-teatro para todos.  O coordenador acredita que essa atitude tem a capacidade de auxiliar nas questões pessoais e sociais por trabalhar com a felicidade. “A gente não é só diversão, a gente é a diversão que busca conhecer a realidade. O nosso combustível é a felicidade. Então o circo é isso, ele traz a felicidade”, completa.

O projeto tem o objetivo de fomentar a pesquisa, a discussão, a extensão e a noção de performance teatral. Esta, entendida pelo grupo como um comportamento duplamente restaurado, partindo do pressuposto que quase todo comportamento é cultural, é aprendido. A performance se torna um salto mortal sob esse comportamento por ser executado em base de uma ação fora do contexto habitual. “Por exemplo, quando uma pessoa faz uma peça, ela faz parte um plano simbólico, e a performance trabalha com a noção do simbólico. Ela repõe as noções de habilidades físicas, performativas que as pessoas precisam ensaiar, que desenvolvem ao longo de um tempo de treino”, explica o professor.  

O grupo de alunos do curso de Teatro da UFSJ se reúne de segunda a sexta, no Campus Tancredo Neves, e costuma trabalhar exclusivamente com uma atividade por dia. Às quartas-feiras, os alunos se encontram no Campus Dom Bosco, para se dedicar mais ao Circo e atividade social com a comunidade, do que propriamente aos ensaios. As crianças e adolescentes que freqüentam as atividades se encantam com as cores, brincadeiras e práticas, e pedem para repetir a atividade ou para começá-la. “Reunimos no Dom Bosco para sermos um ponto de referência. Dessa forma, todas as pessoas que gostem de circo e atividades ligadas ao circo, ou habilidades de rua, possam vir e trocar experiências” comenta.

                                                                                          Carol Slaibi
Alunos aprendem técnicas teatrais e de circo
Apesar de ensaiar e trabalhar os fundamentos de técnicas teatrais e de circo, a perspectiva do grupo é montar espetáculos e performances e se apresentar para a comunidade. “Estivemos em Ibertioga, Prados, Resende Costa, Tiradentes, até aqui em São João del-Rei. Já andamos um pouquinho. Tivemos um convite para ir pro Valo do Jequitinhonha e, outro para o Rio de Janeiro. Estamos conseguindo espaço”, comenta Cláudio.  Ao ser questionado sobre os ensaios do grupo, o professor revela: “Quando vamos apresentar, muitas vezes, é de madrugada que trabalhamos. Mas o maior retorno é ver que o interesse pelo circo, pela arte esta sendo estimulado e esta obtendo resultados”.

Principio do prazer

O aluno do 3° período de Teatro, Tato Brazil, comenta que sua vontade sempre foi trabalhar com as habilidades que o Circo dispõe, além da parte cênica de interpretação. “Acho que nós, como atores, temos que buscar sermos perfeitos e, para ser um ator perfeito, temos que saber dançar, cantar, interpretar, dominar essas habilidades específicas”. Numa oficina, Tato aprendeu que às vezes o ator encara o palco com muito medo do que pode acontecer, porque tem alguma limitação. “Para mim, o projeto me forneceu segurança. De que eu vou pro palco sabendo um pouco de tudo. Mesmo que eu não use, eu aprendi”, confessa.

Lucas Campos Vieira Franco, do 5° Período, já revela que o que o motivou a participar do projeto foi à linguagem que o professor Cláudio utiliza. “Trabalhávamos a biomecânica do meio, algumas técnicas mais voltadas para teatro, mas o que me fez engajar mesmo no projeto e estar até hoje foi a ideia da arte circense”. O estudante já pretende levar a ideia do projeto à frente. “Quero juntar a arte circense com o teatro de rua. Pretendo fazer uma junção dessas duas linguagens de uma forma muito parecida ao Xamã, pois é uma forma muito interessante. Para semear mesmo aonde não tenha a arte”, completa.

Arte unitária

Tanto Circo-teatro para todos quanto outro projeto do professor Cláudio intitulado Nave de Dionísio, nasceram do projeto mãe: o Xamã. Este, que conta com a participação de todos os alunos do curso de teatro, intensifica o estudo das práticas de habilidades físicas, de dança, de movimento e ritmo, ligado às tradições de circo. O grupo, coordenado pelo professor Cláudio, também pesquisa a relação que o teatro pode ter com os espaços urbanos. “Quando eu entrei na UFSJ já existia essa semente aqui. Os outros projetos surgiram pela necessidade de nos vincularmos a algum tipo de atividade formal. Além de visibilidade, que é sempre muito importante”, revela.

Conhecido como o arquétipo da raça humana, o Xamã é a figura que conseguiu reunir em si habilidades que se encontram dispersas no mundo. Desenvolve artes como: acrobacia, teatro, música, arquitetura, escultura, malabarismos, ilusionismos e ventríloqua.  Seja na África, América do Norte ou na Ásia, o porta voz dos espíritos também está ligado ao mundo da cura e do poder dos rituais de pajelança. “A nossa ideia, por traz do nome Xamã, é buscar uma arte mais unitária. Como por exemplo: a dança, o teatro, a música, as artes do circo e a performance. O Xamã é essa figura que reúne tudo”, finaliza Cláudio. 

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