Walquíria Domingues Fotos: Beni Jr.
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| O casamento de Rosi foi de parar o trânsito. O buquê foi jogado dentro do ônibus |
Ouro. Rococós. Altar. Véu e Grinalda.
Ritual tradicional. Os casamentos nas igrejas barrocas de São João del-Rei são
suntuosos, frequentes e cheios de normas, devoções e glamour, que atraem mais
de 40 casórios anuais por templo, segundo as secretarias das igrejas.
O aconselhado é começar os
preparativos há, pelo menos, um ano antes já que o mais importante e
requisitado é escolher o local da cerimônia religiosa e da festa, para que se
inicie a pesquisa da decoração, a lista de convidados, músicos, buffet e
serviços de filmagem e fotografia. A escolha da igreja, por sinal, é
praticamente certa quando os noivos já passaram pelos Largos de São João
del-Rei.
Os
templos
O Centro Histórico possui cinco
igrejas barrocas e centenárias, cenário surreal para o matrimônio. As mais
procuradas são a de São Francisco de Assis e de N. Sra. do Carmo, principalmente
por comportarem mais convidados, além da riqueza de detalhes e ornamentos. Na primeira,
por exemplo, de acordo Adriana Viegas, secretária do templo, há casamentos
todos os finais de semana, exceto na Quaresma e Semana Santa. “Marcar com muita
antecedência é essencial”, afirma.
Somente neste ano, a igreja de São
Francisco de Assis marcou 54 casamentos e, para 2012, já aguardam 32 casais de
noivos. A igreja de N. Sra. do Carmo, um pouco menos requisitada, casou 47
noivos em 2010, realiza 37
casamentos em 2011 e aguarda 13 matrimônios já confirmados para 2012.
Mas, não é somente pela riqueza e
beleza barroca dos templos que os casamentos quase chegam ou ultrapassam a
marca dos 50. De acordo com Débora Vicentini de Souza, secretária da Igreja do
Carmo, “muitas pessoas casam por devoção à N. Sra. do Carmo”. E o mesmo
acontece nas outras igrejas. Adriana Viegas, apesar de afirmar que muitas
noivas querem a suntuosidade, conta que “teve uma noiva que se casou com apenas
10 convidados e a igreja de São Francisco fechada. Ela é devota do santo e,
para ela, somente isso bastava”, relembra.
E também não é somente em relação à
devoção aos santos e matronas e à suntuosidade arquitetônica que os noivos se
casam em São João. Beni
Jr, fotógrafo são-joanense, contou que, em primeiro lugar, as noivas escolhem a
cidade e suas igrejas porque chegaram aqui e se apaixonaram ou porque têm um
vínculo com parentes que aqui residem. “Aproveitam, também, este ar romântico
que a cidade dá para a imagem. São João dá harmonia à foto, dá a composição necessária
para a imagem”, diz.
Normas
Outro fator indiscutível, os padrinhos,
em alguns casos chegava a ter até 20 casais. Mas em São João , pelo menos, o
número de testemunhas está cada vez mais próximo ao número de padrinhos do
casamento real de Kate e Príncipe William, da Inglaterra: um para cada um dos
noivos. Aqui, as Veneráveis Ordens Terceiras de Nossa Senhora do Monte Carmelo
e São Francisco de Assis, responsáveis pelos templos mais requisitados para
casamentos, em seus contratos com os noivos, exigem que haja somente cinco
casais de testemunhas para cada noivo.
Por serem muitos casamentos por ano, as
igrejas elaboraram, juntas, algumas normas para a realização das cerimônias
religiosas. Já observadas em
várias Dioceses , “não se trata de um compêndio de proibições
e, sim, regras que deverão ser observadas devido aos abusos que se vem
observando em tais cerimônias”. Para a Igreja, os abusos acabam contribuindo
para a dispersão do real sentido do sacramento do matrimônio e, como diz
Adriana Viegas, “a igreja virou teatro para muitos”. Para ela, não deve haver
exageros.
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| Casamentos em SJDR: suntuosidade e glamour |
Tatiane Sunara de Moura, noiva que se
casou na Igreja de N. Sra. do Carmo, no dia 29 de abril, mesma data em que se
casaram o Príncipe William e Lady Catherine, infelizmente não pôde ter tantas
regalias como o casamento real. “Enfrentamos algumas dificuldades, porque
queríamos algumas coisas e não pudemos realizar. Aqui só pode cantar músicas
sacras e barrocas, não pudemos escolher uma música especial que tínhamos
escolhido, senão teríamos que pagar a multa de quebra de contrato. A maior
dificuldade pra mim foi essa”, lamenta a noiva.
O noivo de Tatiane, Rafael Silva Santiago, contou que
os dois já tinham se casado há três meses no civil. “Como a nossa tradição é
casar na igreja, como manda a religião, nós seguimos. Minha noiva é devota de
N. Sra do Carmo, e estamos felizes em nos casar aqui”, diz. Já para ele, as
normas que a igreja apresenta não foram problema. “A igreja já é bonita, acho
que não precisa enfeitar mais com flores”, diz Rafael.


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