quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um conto de fadas Real: Os casamentos em São João del-Rei

Walquíria Domingues                                                                                                  Fotos: Beni Jr.
O casamento de Rosi foi de parar o trânsito. O buquê foi jogado dentro do ônibus

Ouro. Rococós. Altar. Véu e Grinalda. Ritual tradicional. Os casamentos nas igrejas barrocas de São João del-Rei são suntuosos, frequentes e cheios de normas, devoções e glamour, que atraem mais de 40 casórios anuais por templo, segundo as secretarias das igrejas.  

O aconselhado é começar os preparativos há, pelo menos, um ano antes já que o mais importante e requisitado é escolher o local da cerimônia religiosa e da festa, para que se inicie a pesquisa da decoração, a lista de convidados, músicos, buffet e serviços de filmagem e fotografia. A escolha da igreja, por sinal, é praticamente certa quando os noivos já passaram pelos Largos de São João del-Rei.

Os templos

O Centro Histórico possui cinco igrejas barrocas e centenárias, cenário surreal para o matrimônio. As mais procuradas são a de São Francisco de Assis e de N. Sra. do Carmo, principalmente por comportarem mais convidados, além da riqueza de detalhes e ornamentos. Na primeira, por exemplo, de acordo Adriana Viegas, secretária do templo, há casamentos todos os finais de semana, exceto na Quaresma e Semana Santa. “Marcar com muita antecedência é essencial”, afirma.

Somente neste ano, a igreja de São Francisco de Assis marcou 54 casamentos e, para 2012, já aguardam 32 casais de noivos. A igreja de N. Sra. do Carmo, um pouco menos requisitada, casou 47 noivos em 2010,  realiza 37 casamentos em 2011 e aguarda 13 matrimônios já confirmados para 2012.

Mas, não é somente pela riqueza e beleza barroca dos templos que os casamentos quase chegam ou ultrapassam a marca dos 50. De acordo com Débora Vicentini de Souza, secretária da Igreja do Carmo, “muitas pessoas casam por devoção à N. Sra. do Carmo”. E o mesmo acontece nas outras igrejas. Adriana Viegas, apesar de afirmar que muitas noivas querem a suntuosidade, conta que “teve uma noiva que se casou com apenas 10 convidados e a igreja de São Francisco fechada. Ela é devota do santo e, para ela, somente isso bastava”, relembra.

E também não é somente em relação à devoção aos santos e matronas e à suntuosidade arquitetônica que os noivos se casam em São João. Beni Jr, fotógrafo são-joanense, contou que, em primeiro lugar, as noivas escolhem a cidade e suas igrejas porque chegaram aqui e se apaixonaram ou porque têm um vínculo com parentes que aqui residem. “Aproveitam, também, este ar romântico que a cidade dá para a imagem. São João dá harmonia à foto, dá a composição necessária para a imagem”, diz.


Normas

Outro fator indiscutível, os padrinhos, em alguns casos chegava a ter até 20 casais. Mas em São João, pelo menos, o número de testemunhas está cada vez mais próximo ao número de padrinhos do casamento real de Kate e Príncipe William, da Inglaterra: um para cada um dos noivos. Aqui, as Veneráveis Ordens Terceiras de Nossa Senhora do Monte Carmelo e São Francisco de Assis, responsáveis pelos templos mais requisitados para casamentos, em seus contratos com os noivos, exigem que haja somente cinco casais de testemunhas para cada noivo.

Por serem muitos casamentos por ano, as igrejas elaboraram, juntas, algumas normas para a realização das cerimônias religiosas. Já observadas em várias Dioceses, “não se trata de um compêndio de proibições e, sim, regras que deverão ser observadas devido aos abusos que se vem observando em tais cerimônias”. Para a Igreja, os abusos acabam contribuindo para a dispersão do real sentido do sacramento do matrimônio e, como diz Adriana Viegas, “a igreja virou teatro para muitos”. Para ela, não deve haver exageros.
Casamentos em SJDR: suntuosidade e glamour
 Além da taxa da igreja para realização do casamento, “ao decidirem se casar em nossos templos, os senhores noivos contraem conosco um contrato que, não observado, implicará em multa de um salário mínimo retidos com o cheque “caução”. Para Adriana Viegas, o cheque foi a maneira de não haver quebra de cláusulas de contrato. “Fico feliz em devolver os cheques, mas, infelizmente, quando se mexe no dinheiro, é a única maneira de as pessoas seguirem normas”, lamenta.

Tatiane Sunara de Moura, noiva que se casou na Igreja de N. Sra. do Carmo, no dia 29 de abril, mesma data em que se casaram o Príncipe William e Lady Catherine, infelizmente não pôde ter tantas regalias como o casamento real. “Enfrentamos algumas dificuldades, porque queríamos algumas coisas e não pudemos realizar. Aqui só pode cantar músicas sacras e barrocas, não pudemos escolher uma música especial que tínhamos escolhido, senão teríamos que pagar a multa de quebra de contrato. A maior dificuldade pra mim foi essa”, lamenta a noiva.


O noivo de Tatiane, Rafael Silva Santiago, contou que os dois já tinham se casado há três meses no civil. “Como a nossa tradição é casar na igreja, como manda a religião, nós seguimos. Minha noiva é devota de N. Sra do Carmo, e estamos felizes em nos casar aqui”, diz. Já para ele, as normas que a igreja apresenta não foram problema. “A igreja já é bonita, acho que não precisa enfeitar mais com flores”, diz Rafael.

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