sábado, 5 de março de 2011

A música do passado que encanta o presente

Ingrid de Andrade
Natália Silva                                                                                                                    

A Orquestra Ribeiro Bastos originou-se de uma provável dissidência da Lira Sanjoanense em 1790. Organizada em 1846 pelo maestro Francisco das Chagas, foi dirigida durante 53 anos, de 1859 a 1912, por seu discípulo e sucessor, Martiniano Ribeiro Bastos (1834-1912), que deu seu nome à associação musical. 
                                                                                                                                                     Dilvugação
Stella Neves rege a Orquestra Ribeiro Bastos
A atual regente é a maestrina Maria Stella Neves Vale. Segundo ela, a Orquestra mantém a maioria de seus compromissos tradicionais com a Ordem Terceira de São Francisco de Assis e com as irmandades de Nosso Senhor dos Passos e do Santíssimo Sacramento, feitos há mais de um século. “A orquestra Ribeiro Bastos é a terceira corporação musical do mundo sem interrupção de atividades desde sua criação, a primeira é o Coral da Capela Cistina no Vaticano, que existe desde 1200”, afirma Stella Neves.

A orquestra possui importante coleção de manuscritos musicais, constituído principalmente de obras destinadas às celebrações religiosas de sua responsabilidade, como também inúmeras partituras de músicas de salão do final do século XIX e início do século XX, quando muitos de seus músicos tocavam para o cinema mudo. Em visita à orquestra a maestrina fez questão de mostrar toda a coleção, inclusive uma partitura escrita com tinta e pena, que data do século XIX.

Segundo Stella Neves, nos últimos 30 anos, a única capital a não ser visitada pela orquestra é Goiana. Ela afirma que apesar da escassez de recursos, a corporação procura meios de realizar muitas apresentações “a prefeitura da cidade em nada contribui, o que auxilia na manutenção da orquestra são doações e ajuda da irmandade”, revela a maestrina.

A formação de jovens músicos sempre foi uma preocupação da Orquestra Ribeiro Bastos, que hoje conta com uma escola gratuita para a formação de novos músicos. “O objetivo é reunir integrantes preocupados, sobretudo, em preservar a prática musical herdada a despeito de sua capacidade técnico-artística. A música e as orquestras bicentenárias de São João Del-rei são fatores culturalmente importantes. A vocação turística da cidade é a religião, mas, consequentemente, as músicas religiosas”, afirma Stella Neves. 

Existem rumores sobre uma possível rivalidade entre as orquestras bicentenárias de São João del-Rei, é dito que essa história começou há muitos anos. “Essa disputa já acabou. Hoje essa rivalidade é só folclórica”, revela a maestrina entre risadas.

Localização: Rua Santo Antônio, 54 - Centro. 

Banda privilegia o ensino da música

“A corporação musical Theodoro de Faria forma e aperfeiçoa músicos, oriundos de todas as camadas sociais”, afirma o maestro Teófilo Helvécio.

A Banda de Música Theodoro de Faria surgiu em 1902 a partir de uma ruptura entre músicos da Orquestra Ribeiro Bastos, quando parte deles acompanhou o mestre Augusto Teodoro de Faria e fundou uma nova corporação musical. O mestre Teodoro de Faria esteve à frente da corporação até 1917, quando o maestro Teófilo Inácio Rodrigues assumiu sua direção, dando-lhe o nome e a estrutura jurídica atuais. 

De acordo com o maestro da banda, Teófilo Helvécio Rodrigues, o arquivo musical da Theodoro de Faria é proveniente da Orquestra Ribeiro Bastos e reúne importantes manuscritos dos séculos XVIII e XIX. Segundo ele, após mais de um século de existência a banda de música continua responsável pela parte musical de algumas das procissões realizadas pelas irmandades, confrarias e ordens terceiras de São João del-Rei, e participa também das festas populares da cidade.

Teófilo Helvécio afirma que a banda é mantida com contribuições de Irmandades da cidade. “Apesar de a cidade ter sido a Capital Brasileira da Cultura em 2007, não há incentivo da Prefeitura Municipal ou do Governo Federal para as corporações musicais da cidade”, completa.  Para ele, a banda preenche a lacuna cultural que o poder público não oferece para a população da região, na medida em que ativa dois aspectos ideológicos o cooperativismo e o ativismo, que não trazem retornos financeiros, mas a arte como expressão cultural. 

O maestro, que é formado no curso de Teoria Musical, Ritmo e Som, na Academia de Música Lorenzo Fernandez do Rio de Janeiro afirmou que a Banda de Música Theodoro de Faria tem como objetivos, a preservação, difusão, execução e ensino da Música em geral. “É uma Escola de Música gratuita onde forma e aperfeiçoa seus próprios músicos, oriundos de todas as camadas sociais, sem distinção de raça ou credo”, afirma. 

Localização: Rua Santo Antônio, 289 - Centro.

A Música Setecentista em São João Del-Rei

São João del-Rei é uma cidade de fortes tradições, além das solenidades religiosas e dos sinos, a cidade mantém viva a música sacra preservada por suas bicentenárias orquestras. Sua história é marcada pela existência de duas orquestras principais, a Orquestra Lira Sanjoanense e a Orquestra Ribeiro Bastos.
                                                                                        Divulgação
Orquestra Ribeiro Bastos nunca parou suas atividades

Estas sobrevivem até os nossos dias, mantendo-se em permanente atividade desde o século XVIII, ainda executando a música sacra promovida pelas irmandades locais. As corporações são a Orquestra Lira Sanjoanense e a Orquestra Ribeiro Bastos, ambas sucessoras de grupos musicais criados em meados do século XVIII.

Os dois grupos atuaram sempre de forma complementar, dividindo entre si as funções musicais das irmandades religiosas e do Senado da Câmara. Mas a convivência nem sempre foi pacífica, resultado de uma natural e saudável disputa.

Rua Santo Antônio

A tradição oral indica que se trata da rua mais antiga de São João del-Rei. O nome originou-se com a construção da Capela de Santo Antônio. Conserva o mesmo nome até hoje. Representa o caminho dos Bandeirantes e é conhecida também como a "Rua das Casas Tortas". 

A rua é famosa por sua sinuosidade, uma vez que nesta rua (na época uma trilha) chegavam as tropas de mulas na cidade. Na rua, além do casario barroco, bem conservado, existe a sede da Banda Municipal Theodoro de Farias e as bicentenárias: Orquestra Ribeiro Bastos e Lira Sanjoanense, fato que explica a musicalidade do povo desta cidade. 

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