sábado, 19 de março de 2011

Geraldo Barroso, a vida esculpida na arte

Wanderson Antonio                                                                                    Fotos: Wanderson Antonio
O domínio da madeira é um dos pontos fortes do ateliê de Geraldo Barroso
Geraldo, que é barrosense até no nome, faz artesanato e vive de arte há 35 anos. Com uma vasta obra, que vai de pequeninas até enormes esculturas em madeira, o artesão se tornou um ícone da atividade na pequena cidade do Campo das Vertentes.

À margem da BR-265, no trevo de Barroso, fica seu ateliê e sua oficina, onde o artesão passa a maior parte de seu dia e ainda conta com a vantagem de morar em cima do local de trabalho. A localização do ateliê facilita a difusão do trabalho, uma vez que a rodovia localiza-se na Trilha dos Inconfidentes, sendo via de passagem para cidades históricas como São João del-Rei e Tiradentes, muito procuradas por turistas do Brasil inteiro e também de outras nações.
                                                                                      

Apesar de não ser conhecido e valorizado dentro de sua própria cidade como merece, Geraldo declara que sua obra é bastante conhecida pelo Brasil inteiro e até em outros países. Algumas de suas esculturas foram enviadas para Portugal. A maioria de seu artesanato é vendida para empresas. Segundo o artesão “Os turistas mesmo compram pouca coisa. A maior parte do dinheiro que ganho é com encomendas, muitas vezes bem grandes, feitas por empresas”, afirma, mostrando uma remessa de várias esculturas. Por outro lado, o artesão reconhece a importância dos turistas que visitam seu ateliê. “Os turistas ajudam a tornar minha arte mais conhecida e recomendam para outras pessoas”, declara.


Carrancas para espantar os maus espíritos 
Mineiro de fala simples, Geraldo produz esculturas com uma simplicidade sofisticada, com peças mais ou menos rústicas. Por ser de família tradicional católica e devoto de Nossa Senhora Aparecida, muito de seu trabalho tem inspiração na religiosidade. São várias as esculturas de santos e anjos espalhadas pelo ateliê, além de diversos oratórios. A madeira, matéria-prima com a qual o artesão trabalha, é proveniente de árvores mortas, cedidas por fazendeiros, ou comprada de madeireiras.

Segundo o artesão, o ofício foi sendo aprimorado com o tempo. A aprendizagem acontecia por meio da prática e era transmitida do mesmo modo para outras pessoas. “Já tive, inclusive, dezenas de aprendizes, que me ajudavam e, ao mesmo tempo, assimilavam minha técnica. Muitos deles trabalham hoje também como artesãos”. Geraldo Barroso é apenas um dos muitos personagens que fazem de nossa região um local que respira e transpira arte.

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