sábado, 19 de março de 2011

Bate-Paus mantém tradição por gerações


André N. P. Azevedo
Thamiris Franco

                                                                                                                                                                                André N. P. Azevedo
Bruno de apenas 13 anos orgulha-se de seguir o exemplo de seu bisavô Zé Pereira
O carnaval em São João del-Rei teve seu auge entre os anos 60 e 80. Mas os primeiros ranchos, isto é, agremiações carnavalescas anteriores aos blocos, surgiram por volta de 1930, com inspiração no Rio de Janeiro. O primeiro que se tem notícia, é o Rancho X, seguido por Qualquer Nome Serve, Prazer das Morenas, Custa Mas Vai e Boi Gordo.

Em 1933, nascia ainda como bloco, o Grupo Recreativo Escola de Samba Bate-Paus, representada pelas cores verde e rosa. Situada desde a sua fundação no bairro Senhor dos Montes, a Escola recebeu essa denominação pelo fato de seu fundador Sr. João Henrique, juntamente com seus companheiros, introduzirem um tipo de dança com coreografia cadenciada e uso de paus, semelhante a algum tipo de dança africana, como o congado, o que torna a agremiação genuinamente são-joanense.

Dois anos depois da fundação da Bate-Paus, nascia Jacyr Agostinho Andrade, o Beleleu. Filho de Zé Pereira, um dos mais ilustres diretores da agremiação, Beleleu participa pela primeira vez de um desfile com 12 anos de idade e desde então nunca deixou de participar dos desfiles carnavalescos. Hoje, com 75 anos, possui a mesma animação dos tempos de criança. “Sempre gostei da folia e sinto orgulho de ser o mais antigo componente da Escola”, diz.
                                                                                                                                           
Segundo Beleleu, antigamente o carnaval era mais simples. “As pessoas ajudavam a escola sem cobrar nada por isso, hoje é tudo mais difícil”, desabafa. Atualmente, a Escola conta com aproximadamente 400 componentes, dentre eles, mestre-sala, porta-bandeira, batedores de paus, empurradores de alas, entre outros. De acordo com o vice-presidente da agremiação, Luis Carlos Rodrigues, 30 anos, a maior dificuldade encontrada é justamente a falta de verba para cobrir os gastos das fantasias e cargos da Escola. “Mesmo recebendo apoio da Prefeitura, temos que realizar eventos durante o ano para ajudar a cobrir os gastos”, explica Rodrigues.
                                                                                                                                             
Beleu: 63 anos de dedicação à Bate Paus
Nos seus 78 anos, a Bate-Paus deve sua existência à família de Zé Pereira, que além de seu filho Beleleu, sempre contou com apoio de netos e bisnetos. Bruno Andrade Souza, 13 anos, sente orgulho de participar dos preparativos da G.R.E.S Bate-Paus, a cerca de oito anos, dando assim, continuidade ao trabalho do seu bisavô, Zé Pereira. “Participo e contribuo o máximo que posso, pois acho que ajudo a popularizar o bairro onde moro”, diz.

Além de difundir a cultura local, Bate-Paus tem uma grande relação com o bairro Senhor dos Montes. Seus moradores ajudam nos afazeres da Escola e recebem por isso. Praticamente todos os cargos da agremiação são ocupados por eles, que ainda participam das eleições para a diretoria da Escola.

Bate-Paus é a agremiação que possui mais títulos do Carnaval, apesar de nenhum integrante da Escola saber exatamente quantas vitórias possuem. Desde sua fundação deixou de desfilar durante três anos apenas, sendo campeã no seu retorno aos desfiles.

Nesse último carnaval, o membro mais antigo da Bate-Paus,  Beleleu foi  homenageado por uma entidade da cidade, Atitude Cultural, o que confirma a preocupação da Escola em manter suas raízes, ajudando assim a cultivar a tradição do carnaval de são-joanense.

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