domingo, 25 de dezembro de 2011

Presépio da Muxinga é reabilitado

Foto Alzira Agostini H.
Cida Teixeira, atual responsável pelo presépio, no seu local de origem
Carol Argamim Gouvêa
Após alguns anos desativado, o tradicional Presépio da Muxingavolta a enriquecer o Natal de São João del-Rei. O presépio foireabilitado por José Imbroisi, que com a ajuda Wellington deOliveira e Ademir Soares, buscou fazer um resgate cultural ereligioso. Ele será exposto na Muxinga, na rua José Batista deSouza, nº11, a partir do dia 10 de dezembro, e integra a programaçãode Fim de ano e Férias cultural 2011 da Atitude Cultural.
Segundo Imbroisi a reabilitação foi feita porque o presépio “éum patrimônio que não pode se perder. Porque nós, que trabalhamoscom comércio, só vemos o Papai Noel, que é um desvirtuamento dacultura do Natal. O presépio é um pouco da cultura religiosa dacidade, que era muito mais fervorosa antigamente”.
Maria Aparecida Padilha Teixeira, atual responsável pelo presépio efilha de um de seus criadores, Ivo Teixeira Filho, explica que apósa morte de seu tio Sebastião Teixeira de Assunção, não havianinguém para fazer a manutenção do presépio, que acabou ficandofora de funcionamento. Segundo ela, o presépio foi levado para umamarcenaria para ser restaurado pelo Sr. Calixto. Entretanto, Calixtoficou doente e impossibilitado de fazer a reabilitação. MariaAparecida conta que passou a buscar ajuda para consertar o presépio:“Eu prometi para meu tio Sebastião que enquanto estivesse viva nãoia deixar o presépio acabar. E foi aí que o Imbroisi apareceuoferecendo fazer a reabilitação. Ele caiu do céu”.
Segundo Imbroisi, o trabalho foi feito com enorme preocupação emmanter as características originais do presépio, já que ele étombado pelo patrimônio. “Eu buscava engenheiros para decifrar osmecanismos, que era uma coisa assustadora. Foi quase um milagre verele funcionar, confesso que achei que não ia conseguir”, contaImbroisi.
Além da reabilitação, foi reformado o local original de criaçãoe visitação do presépio, na Casa da Muxinga. A reforma tambémseguiu as características originais do local, procurando nãodescaracterizar o ambiente. Segundo Maria Aparecida, é a primeiravez em 30 anos que o presépio volta ao local de origem.
Maria Aparecida se diz muito feliz com a reabilitação, pois “écomo se fosse uma missão cumprida. É um patrimônio da cidade, dahistória dela e ainda é uma coisa de família, que passou pelo meupai e meus tios e que não pode acabar. É uma coisa que funciona háanos e anos, que alegrou nossos antepassados”.
Imbroisi afirma que ficou preocupado pelo fato de que as pessoas,principalmente as crianças, estão muito acostumadas com as novastecnologias digitais, podendo não se interessar pelos mecanismosantigos do presépio. “Fiquei preocupado, mas quando levei minhafilha de oito anos para ver o presépio e vi como os olhinhos delabrilhavam, percebi que não havia porque me preocupar. O presépioencanta todo mundo”, conta Imbroisi. A opinião é compartilhadapor Maria Aparecida: “As crianças ficam fascinadas ao ver osbonecos mexendo, os sinos tocando. O Presépio da Muxinga é muitobonito”.

O Presépio

O Presépio da Muxinga é um dos mais tradicionais símbolos do Natal são-joanense. Começou a ser construído em 1929, pelos irmãos Ivo Teixeira Filho e Sebastião Teixeira da Assunção e foi adaptado aolongo dos anos até chegar a sua forma atual. 

Arquivo Família Teixeira Assunção
Sebastião Teixeira e Ivo Teixeira Filho, dois dos fundadores do presépio,

A principal característica do presépio são suas diversas figuras em movimento. Além dos símbolos comuns do Natal, como o menino Jesus na manjedoura, a obra conta com uma Igreja com os sinostocando, pastores, moinhos de vento, pescadores, serradores, mulherespassadeiras, rodas com elefantes e até um Papai Noel.
Tombado pelo IPHAN, já foi exposto em diversos pontos de São João del-Rei, como na prefeitura, no Largo São Francisco e no Museu Tomé Portes del-Rei. Em 2001, ficou em segundo lugar no concurso “Natalde Luz nas Gerais – Presépios de Minas”, realizado pela CEMIG.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Lendas de SJDR dão vida a passeio noturno na cidade



      Foto Íris Marinelli
As lendas são encenadas na rua, em frente aos principais pontos históricos de SJDR


Walquíria Domingues


São João del-Rei, que já foi Capital Brasileira da Cultura em 2007, tem o dom de eternizar suas tradições culturais. Ela possui peculiaridades como a Linguagem dos Sinos, que se tornou patrimônio nacional e o Ofício de Trevas, ritual religioso centenário realizado na Semana Santa, que não é mais praticado como aqui nem mesmo no Vaticano. O que também chama a atenção é uma série de lendas que instigam a imaginação e a curiosidade de moradores por gerações e também de turistas que visitam a cidade.

Criadas pelas antigas gerações, as lendas talvez não possuíssem nenhum registro escrito. Apenas foi passada de ‘boca em boca’ cada história, cada causo. Algumas das lendas contam histórias inacreditáveis, como o caso d’ O Senhor do Mont’Alverne: a aparição misteriosa de uma imagem em tamanho real do Senhor do Mont’Alverne, que foi levada para o altar-mor da Igreja de São Francisco de Assis, onde se encontra até hoje.

Outras lendas são a da “Chica mal-acabada”, “A missa das almas”, “A Bisbilhoteira” e o “O segredo”. Verdade ou não, imaginação ou não, as histórias atravessaram séculos, décadas, viajaram gerações e desembarcaram na atualidade. Todas as lendas podem ser lidas no portal www.sjdr.com.br, no livro "Contam que...” de Lincoln de Souza, ou vividas em um belíssimo passeio noturno turístico, com a encenação das histórias são-joanenses nas ruas e esquinas da cidade.

Durante a noite as ruas ganham vida e são vistas com outros olhos. Enquanto o guia apresenta a riqueza arquitetônica e cultural de São João del-Rei, das vielas e dos sobrados surgem personagens atípicos: uma senhora vingativa, uma velhinha e um padre amedrontados, uma bisbilhoteira, uma jovem louca, uma senhora ciumenta e vingativa, um coronel assustador.

A partir de 2007, estas lendas se tornaram teatro vivo de rua integrado a passeio turístico noturno, em um Projeto desenvolvido pela Coopertur – Cooperativa de Condutores de Turistas de São João del-Rei, o Lendas São-joanenses. “O Lendas começou com um grupo, um curso oferecido pela Unesco, chamado ‘Monumenta’, capacitando as pessoas para serem guias turísticos. E a maioria que fez o curso trabalhava durante o dia, então eles tinham que estudar a noite. Logo, eles iam passear a noite para estudar e ver os monumentos da cidade. O Cristóvão começou a perceber que a cidade a noite era maravilhosa. Daí a gente pensou em fazer um tour noturno. As idéias foram crescendo, e não queríamos só o tour”, conta Karla Vitalino, integrante do projeto. “Pensamos em contar as lendas, mas ainda faltava algo, então pensamos que encená-las era mais interessante”, diz.

Interessante é pouco. Os personagens vivos interagem com os turistas e participantes do passeio. A Dona Virgínia, papel interpretado por Monique Silva na lenda “A missa das Almas”, pede ajuda para subir as escadarias da Matriz do Pilar e por ali fica, afinal, depois de participar de um Ofício de Mortos à meia noite na igreja, diz que nunca mais entra em nenhum templo na cidade. “Que Deus me perdoe”, implora, “mas agora eu rezo só em casa”. 
 
                                                                                                                                      Foto André N. P. Azevedo
Equipe do Lendas São-joanenses, depois da apresentação
Tia Tudi, a Bisbilhoteira, do sobrado a vê indo embora, e conta seu causo, e assim as lendas se entrelaçam e vão sendo descobertas com atenção, admiração, sustos e risos. As pessoas se encantam, como Augusto, de Curitiba, que resolveu acompanhar o passeio. “Achei muito legal, e não tinha visto nada parecido. Na verdade eu fiquei surpreso com tudo, é muito melhor do que um guia simplesmente comentando o passeio. Com as histórias daqui é muito melhor e mais interessante entender e conhecer a cidade”, conta o turista, feliz com o passeio.

O Lendas São-Joanenses, que tem como principal finalidade difundir a valorização e preservação do patrimônio histórico cultural da cidade, conta com um grupo atual de 12 pessoas, envolvendo guias de turismo, atores e equipe de apoio, e todos são muito unidos. Monique Silva, que faz Teatro na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e um curso profissionalizante para atores da Cia teatral ManiCômicos, conta que é a segunda atriz do Lendas. Orgulha-se em dizer que a união do grupo a faz se sentir em família e que “quando falta um ator, o outro faz o papel, sem problemas. O pessoal é muito unido, desde o início, e isso é muito importante pra manter o projeto vivo”, diz. Karla acrescenta que isso mostra como todos têm a mesma importância dentro da equipe. “Ninguém é mais que ninguém”, fala.

Acreditando que é preciso conhecer para preservar, o passeio, que ocorre no terceiro sábado de cada mês, mas que também realiza apresentações para públicos fechados quando solicitado, tem contribuído para a preservação da cultura local e divulgação turística de São João, focando sempre o turismo. “Passamos nas pousadas e hotéis e entregamos nossos panfletos e tem grupos que fecham um pacote com a gente”, conta Monique Silva, que interpreta todas as personagens femininas das lendas, como a Dona Virgínia e a Chica Mal Acabada. Mas, apesar de o foco ser o turismo, a participação da comunidade em eventos culturais como este é tão bem vinda quanto à de turistas, e isto contribui para que não morra o que São João tem de mais rico, que é seu patrimônio material e imaterial.

O trabalho foi todo embasado no livro "Contam que...” de Lincoln de Souza. Monique Silva explica que a partir das leituras das histórias, eles mapearam as características dos personagens, “alguns ilustres da cidade, como o irmão Moreira, que realmente existiu e que tem uma homenagem sua até hoje na entrada da Santa Casa”, conta. A equipe analisou o psicológico de cada personagem, a postura deles através das narrativas, e assim conseguiram montar a estrutura física do teatro de rua, tudo de forma amadora, segundo eles, mas feito com muito carinho.

Apesar de hoje o espetáculo, seguido com explicações dos guias turísticos sobre a cidade, ser um primor de dedicação, a equipe está à procura de novos atores, que tenham disponibilidade noturna, e também de um diretor “para dar um profissionalismo e uma cobrança maior na equipe. Até hoje fizemos tudo muito no ‘achismo’, e queríamos alguém que nos guiasse melhor. Só temos medo de que o diretor chegue e queira mudar tudo. Nós queremos que continue como é, que é a nossa essência, a essência da cidade”, comenta Karla.

Apesar do considerado amadorismo, o trabalho conquistou em 2010 um troféu do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade de Preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. Cristóvão Vitalino, um dos coordenadores do projeto, mandou um material riquíssimo depois de ler o edital, e o Lendas São-Joanenses foi selecionado para concorrer em Minas, na categoria Salvaguarda de Bens de Natureza Imaterial. “O Jadir Janio (um dos coordenadores) e a Fabrícia (integrante do projeto) foram em Diamantina receber o troféu pela indicação”, conta Karla, muito orgulhosa, e isso fez com que o projeto fosse mais bem reconhecido, a nível nacional, e o mais importante, aqui na cidade. “Todo mundo já conhece o Lendas, e este era o sonho do Cristóvão. Aliás, ele tem dois sonhos. Primeiro que isso seja de fato uma realidade, e segundo que o Lendas ganhe uma mídia nacional, como já ocorreu no programa Terra de Minas e na TV Panorama”, conta Karla, que acompanha os sonhos do Lendas e os vêem sendo realizados.

O projeto, que também foi aprovado pela Lei Rouanet, e que já conseguiu 20% da verba com o patrocínio da Cemig, conseguiu contratar um figurinista “que vai nos ajudar a sair do achismo”, diz Karla, muito empolgada. “Uma vez um padre nos disse que na época retratada na lenda, os padres não usavam estola, por exemplo”. Para ajudar na verba, a fim de aprimorar o projeto, “é cobrada uma taxa de R$10, além da venda de suvenires do projeto, como camisetas, bonés, e os famosos bonequinhos dos Monges, os mascotes do projeto, além das Agendas, Cartazes e Calendários de mesa doados pela Atitude Cultural e projeto Ser nobre é ter identidade, também de São João.

Esta forma de fazer turismo, o Turismo Vivencial, vem ganhando muito espaço na área, mas como o Lendas, só mesmo fora do país. Giuliana Pitança, que hoje mora fora do Brasil, mas que foi criada em São João del-Rei, voltou à sua terra para prestigiar o projeto Lendas São Joanenses, em que a irmã, Márcia Pitança, é participante. “É muito legal a dedicação deles, eles tem um grupo muito interessante”. Ela conta que trabalha em Londres, mas mora numa cidadezinha chamada York. “É também uma cidade turística e muito antiga, e eles tem uma coisa bem parecida, que se chama Ghost Walk (Passeio dos Fantasmas). York tem a fama de ser a cidade mais mal assombrada do mundo. E no passeio, eles ficam na rua, no lugar turístico, e ficam chamando o pessoal pra vir acompanhar, todos os dias, às 19h no verão, e vão contando as suas histórias”, explica.

Assim, como em São João del-Rei, caminhar pelas ruas de York é descobrir surpresas históricas em cada esquina. A modalidade de tour e guias fantasmagórica, assim como as lendas de São João, caracterizou York e é inimaginável visitar a cidade sem ser detetive de fantasmas por um dia, no Ghost Creeper Tour of York, ou sem se amedrontar no York Horror Tour. Outros passeios característicos são o Ghost Trail of York (Rastros de Fantasmas em York), o Haunted Walk of York (Caminho Assombrado de York), The Ghost Hunt of York (O caça fantasmas de York) e o The Original Ghost Walk of York (O original passeio de fantasmas de York). Porém, nem todo passeio turístico de fantasmas é para exploração comercial: alguns casos são promovidos pelas autoridades para caridade, que é o caso da Igreja Paroquial Halifax, onde afirmam que é assombrada por um antigo sacerdote.

O Lendas, possivelmente o único passeio deste tipo no Brasil, tem se tornado um ícone para quem visita São João del-Rei, assim como os Ghost Walk de tornaram marca registrada em York, Inglaterra. Desta forma, como vem sendo tão bem feito pelo grupo Lendas São Joanenses, não só as lendas, mas toda a cultura da cidade continuará viajando pelo tempo à frente, se eternizando juntamente com a cidade. Jadir Janio, Karla Vitalino e Cristóvão Vitalino podem se orgulhar, afinal “Se você foi pra São João e não foi no Lendas, com certeza estará faltando alguma coisa”.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Presépio do Nono Rela

                                                                                                                                                        Foto Alzira Agostini H.
Nono Rela construindo o novo presépio do Natal de SJDR

Carol Argamim Gouvêa

O Natal de São João del-Rei irá ganhar um novo presente: o Presépio do Nono Rela. Criado pelo engenheiro elétrico João Carlos Rela, o Nono Rela, é baseado em presépios italianos e mostra o cotidiano de uma cidade da Idade Média em movimento. O presépio ficará em exposição entre 10 de dezembro e 6 de janeiro, no Museu de Arte Sacra, iniciativa que integra a programação de Fim de ano e Férias/Cultural da Atitude Cultural.
Segundo Rela, o presépio ainda não está completo e serão adicionados elementos novos a cada ano. No projeto original, estarão presentes 75 figuras em movimento, divididas em três partes: uma parte representará um cidade medieval, em outra haverá uma gruta de Belém (que é uma réplica de uma que existe na Itália, na Igreja de São Cosme e Damião), e no centro se encontrará São João del-Rei. No momento, São João ainda não faz parte do presépio.

O engenheiro explica que seu presépio é diferente do da Muxinga, tradicional obra são-joanense. “O da Muxinga é mais rudimentar, com coisas de madeira. Minha ideia inicial era fazer algo desse tipo. Depois de verificar outros presépios, vi outros conceitos, outras formas de movimento. Os movimentos do meu presépio são diferentes, mais humanizados. Tem muitos detalhes, enfeites e movimentos reais”, afirma.
                                                                                                                     Foto Alzira Agostoni H.
Detalhe do presépio, repleto de movimentos
Para Rela, a construção do presépio foi um desafio e uma boa forma de utilizar o tempo fazendo algo que gosta. “Como eu sou aposentado, não quero perder tempo. Sempre tive a ideia de fazer um presépio e comecei a fazer”, conta. Utilizando de seus conhecimentos de engenharia, e contando em alguns momentos com a ajuda do estudante de engenharia mecânica Hugo Agostini Haddad, Rela utilizou materiais que já tinha em casa para a construção. E os materiais vão desde um motor de máquina de lavar roupa eguarda-chuvas desmontados até papelão ondulado de pacote de bolacha. Brinquedos antigos e embalagens também foram utilizados, mas ele garante que “tudo está disfarçado, muito bem montado”.
Rela conta que desde criança gostava de presépios, que era uma tradição em sua casa. “Quando era criança, minha mãe montava o presépio e eu gostava de movimentar as imagens, aproximar os Reis Magos do menino Jesus com o passar dos dias, até o dia dos Reis Magos”, conta. Atualmente, ele afirma possuir 10 presépios em casa: “Tenho presépio mexicano, boliviano, italiano, brasileiro. Presépios grandes, pequenos, de vários tipos. Temos que manter a tradição”. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

São João del-Rei ganha “Casa dos Conselhos”

Foto: Alzira Agostini H.
Reunião na Casa dos Conselhos de SJDR
Carol Argamim Gouvêa

São João del-Rei irá ganhar um novo elo entre a população e a administração pública, em relação à cultura e ao turismo. Trata-se da Casa dos Conselhos, “Nossa São João”, que será inaugurada no próximo dia 9, às 18 horas. O espaço, que fica ao lado da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, irá servir como ponto de encontro de conselhos municipais, como os Conselhos de Patrimônio, Cultura e Turismo, o Convention Bureau e a Associação Amigos de São João del-Rei.

Além disso, essas entidades poderão utilizar a “Nossa São João” para reuniões próprias, tendo à disposição telefone, secretária, armários e mesa de reuniões. De três em três meses ocorrerá um “Conselhão”, constituído de uma reunião composta por todos os conselhos, que farão um planejamento e monitoração das atividades da Secretaria de Cultura e Turismo, decidindo as questões referentes à cultura são-joanense.

Segundo o Secretário de Cultura e Turismo, Ralph Justino, a “expectativa é que todo o planejamento na área de cultura e turismo seja realizado pela Casa dos Conselhos”. Para ele, esta é uma forma moderna de administrar, pois é participativa e aumenta a governança no município. A opinião é compartilhada pela presidente da Associação de Amigos de São João del-Rei, Alzira Agostini Haddad: “Um conselho municipal é uma forma maravilhosa de dividir a gestão publica. São pessoas que representam uma instituição e que, de graça, voluntariamente, trabalham pela cidade. Se os gestores públicos percebessem a importância dos conselhos, a cidade daria saltos na questão da gestão”.

Ralph Justino também explica que “a ideia é dar mais ouvidos à iniciativa privada para que possamos planejar melhor as ações da cultura e turismo de São João del-Rei e monitorar o andamento dos projetos”. Segundo ele, a iniciativa pode permitir maior unificação das instituições culturais da cidade. “Os conselhos muitas vezes tem pessoas comuns em sua estrutura e projetos que também podem ser do interesse mútuo. Queremos realizar a cada três meses a reunião do Conselhão, que será com todos os conselhos. Dessa forma todos podem acompanhar o que cada conselho está realizando e poderão dar idéias e fazer cobranças para a secretaria”, diz.

Para Alzira, a “Nossa São João” irá garantir também a sobrevivência dos conselhos. “Eu considero essa iniciativa maravilhosa, porque os conselhos sobrevivem de uma forma inacreditável, porque não têm investimento, espaço ou articulação. Agora tudo vai melhorar com esse novo espaço”, afirma. Segundo ela, a atuação dessas entidades é de extrema importância para a cidade: “O conselhos orientam, instituem referências. Eles se esforçam para que as leis sejam obedecidas, para que haja normas”.

Na reunião de inauguração da “Nossa São João”, que acontecerá no próximo dia 9, será debatida a regularização das placas e toldos do Centro Histórico de São João del-Rei, atendendo a um decreto municipal. Estão convidadas todas as associações, vereadores, secretários municipais, imprensa e população.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Comenda da Liberdade e Cidadania

Foto: Mayra Melo
Medalhas da Comenda da Liberdade e Cidadania foram entregues à 150 personalidades

Walquíria Domingues

Evento homenageou o Tiradentes e agraciou com medalhas personalidades políticas, culturais, ambientais e sociais mineiras e brasileiras.

A medalha “Comenda da Liberdade e Cidadania” foi entregue, pela primeira vez, no dia 13 de novembro, em uma solenidade nas ruínas da Fazenda do Pombal. O evento, que homenageou 150 personalidades do mundo político, cultural, ambiental e econômico, comemorou o nascimento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A comenda, instituída por meio de decreto conjunto (de 06/09/2011) dos prefeitos de São João del-Rei, Tiradentes e Ritápolis, foi parte das comemorações cívicas do “Dia da Liberdade”, na Fazenda do Pombal, berço do Tiradentes, que visa reviver seu sonho e seus ideais de liberdade e cidadania.

O projeto que institui o dia da Liberdade em Minas foi aprovado na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, no ano passado. “Essa ação partiu do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei e da Academia de Letras de SJDR. Essa história vem de uns quatro anos pra cá”, conta Adenor Simões, responsável pela produção do evento. Ele também explica que há alguns anos já se fazia uma pequena comemoração no Pombal, em homenagem ao dia do batizado do Tiradentes, que é 12 de novembro. Depois surgiu um novo grupo que criou o Instituto da Liberdade. “E foi esse instituto, juntamente com as três prefeituras é que criaram uma lei conjunta, que culmina com a cerimônia de entrega das medalhas”, explica Adenor.

Atrações e eventos celebram liberdade
A programação do dia 13 começou às 7 horas da manhã, com o apito da Maria Fumaça, seguido do repique e sinfonia dos sinos das igrejas de São João del-Rei. Depois todos seguiram para a Fazenda do Pombal, para que os agraciados, convidados e autoridades fossem credenciados junto à Chancelaria.

Com a apresentação da Banda da Polícia Militar de Minas Gerais, a apresentação do Grupo Teatral de Tiradentes, do sobrevôo de balão sobre a Fazenda, e da apresentação do hino da Comenda da Liberdade e Cidadania por Marcus Viana, a solenidade foi abrilhantada. A comemoração é um novo marco para homenagear devidamente Tiradentes, um herói que há muito vem sido visto somente como um mártir. “Talvez de imediato não se tenha percebido, mas este outro modo de olhar o passado com certeza indica uma nova direção que - como Joaquim José - sonhamos para o presente e para o futuro”, diz o jornalista Emílio da Costa, em seu blog Tencões e Terentenas.

Antiga disputa
A Fazenda do Pombal é objeto de desejo das três cidades organizadoras da Comenda. Há registros na Biblioteca Nacional e na Catedral do Pilar de SJDR de que a Fazenda, onde nasceu Tiradentes, pertencia a São João del-Rei, como ele próprio declarou ao ser preso. A Coroa Portuguesa chegou a demarcar a área e o Pombal passou a ser de São José d’El Rey (hoje Tiradentes), e só se tornou território de São João d’El Rey em 1755. Mas depois de mais de duzentos anos, em 1963, o Pombal passou a ser uma área de Ritápolis. Agora, em consenso, as três cidades, que já entraram até na justiça para decidir qual seria o município de Tiradentes, sentem-se o berço do herói. Ano que vem a cidade de Tiradentes recebe o evento, e em 2013, Ritápolis será a anfitriã.

Os agraciados
Além do governador Antonio Anastasia, do senador Aécio Neves, do arquiteto Oscar Niemeyer, e dos ministros da cultura e da justiça, foram agraciados com a medalha personalidades políticas, culturais, ambientais e sociais de São João del-Rei, Tiradentes e Ritápolis. O decreto conjunto estabelece que a comenda condecora cidadãos mineiros, brasileiros e estrangeiros que se destacaram no incentivo, apoio e divulgação de atividades relacionadas a cidadania, liberdade e responsabilidade social, a cultura, preservação ecológica e ambiental, a história e ao civismo. “A responsabilidade de escolha dos agraciados ficou distribuída entre as três prefeituras, as três câmaras, o IHG/SJDR, a Academia de Letras de SJDR e também a chancelaria do Instituto da Liberdade”, explica Adenor Simões.

A chancelaria e o conselho, integrado pelo chanceler da Medalha, Eugênio Ferraz; pelo vice-chanceler, Wainer de Carvalho Ávila; pelo secretário, Francisco José dos Santos Braga; e pelo vice-secretário, Auro Aparecido Maia de Andrade, além do comitê formado pelos prefeitos municipais e presidentes das câmaras municipais escolheram grandes nomes, importantíssimos na história de São João del-Rei, como Abgar Campos Tirado, grande maestro, pianista, compositor e literato, e Jota Dangelo, dramaturgo, diretor, ator e carnavalesco.

“Eu acho que essa homenagem de Tiradentes é uma coisa extraordinária. Eu acho muito louvável a cerimônia de hoje e fico muito grato de ter sido indicado para receber a medalha, me sinto muito honrado”, disse Abgar Tirado, que defendeu seu ponto de vista a respeito da naturalidade de Tiradentes. “Na verdade ele nasceu em SJDR. Quando houve essa divisão com Ritápolis, o Pombal passou para Ritápolis. A cidade de Tiradentes reivindica também a sua naturalidade, já que ele morou lá quando criança. Então é justo que as três cidades participem, embora eu, no meu bairrismo, gostaria que estivesse continuando como SJDR, por que o Pombal está tão perto”, afirmou.

Já Jota Dangelo achou a idéia completamente válida. “Essa comenda vem, na verdade, unir estas três cidades, porque as três foram o berço de Tiradentes. Portanto, essa divergência hoje não tem mais sentido. E ao mesmo tempo as três cidades se sentem orgulhosas de prestar esta grande homenagem, exatamente no dia do batismo de Tiradentes, perante o país todo”, explicou. O dramaturgo ainda disse que se sentiu muito honrado em receber a medalha. “Evidentemente os agraciados se sentiram honrados com essa comenda, inclusive porque não é tanto pelo mérito dos agraciados, pelo menos no meu caso, mas pela generosidade dos promotores desta comenda”, disse.

Para o Claudionor, considerado o “fundador do Kibom” em São João del-Rei, a Comenda foi emocionante e inesquecível. “Pra mim foi uma grande surpresa. Sinto-me até constrangido de estar no meio desse pessoal. Nos dias de hoje, o meu passado tem história mesmo. Estou satisfeito por terem se lembrado de mim”, disse Claudionor, que com um sorriso, falou: “estou aqui, no meio dessa gente importante... Vou colocar minha medalha lá no bar”, referindo-se ao Bar do Kibom, totalmente reformado.

Considerando os ideais de liberdade e cidadania, Helvécio Reis, Reitor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), também agraciado com a Medalha, disse que aprovou a articulação dos três municípios em torno de Tiradentes e do conceito de liberdade. “Eu acho que a palavra ‘liberdade’ e a palavra ‘cidadania’ devem ser hoje um tema constante e sempre lembrado na nossa vida cotidiana”, afirmou.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

5º Felit agita fim de semana em São João del-Rei

André N. P. Azevedo

Íris Marinelli
Ziraldo faz sucesso com as crianças
São João del-rei recebeu entre os dias 9 e 13 de novembro de 2011, a 5ª edição do FELIT – Festival de Literatura de São João del-rei. O evento, que teve o cartunista e escritor Ziraldo como homenageado agitou a cidade durante o último final de semana.

Diferente das edições anteriores, em 2011 o Festival aconteceu no Largo do Carmo, no centro histórico da cidade, e contou com oficinas e palestras durantes os cinco dias do evento.

Segundo o curador do FELIT José Eduardo Gonçalves, a mudança de endereço acabou sendo positiva. “A chegada do festival às ruas não foi apenas uma mudança de endereço, foi uma mudança da essência do próprio festival, mostrando que esse não é um evento apenas para que gosta de livros, mas para quem gosta de cultura”, afirma.

Para Gonçalves, a escolha de Ziraldo como homenageado contribuiu para o sucesso do festival. “Esse ano nosso foco era o público infanto-juvenil e o sucesso do Ziraldo com as crianças é impressionante”, diz.

Apesar de ser um festival literário, o evento contou também com o lançamento do filme “Uma professora muito maluquinha”, baseado no livro de mesmo nome escrito pelo Ziraldo e que teve grande parte de suas cenas gravadas em São João del-Rei.
                                                      André N. P. Azevedo
Reinaldo Figueiredo no 5º Felit
O FELIT teve ainda diversas atrações voltadas para o público adulto. Na quinta-feira, dia 10, Ziraldo abriu o primeiro dia das discussões literárias, na seção intitulada Palavra Aberta, que ocorreu no Conservatório de Música, na qual, o autor falou um pouco sobre sua carreira e sobre a educação básica no Brasil.

Na sexta-feira o público foi contemplado com a mesa redonda “O humor na imprensa –1964 a 2011 – Só dói quando eu rio”, que contou com a participação de Ziraldo e do humorista Reinaldo Figueiredo. O debate comparou o humor de hoje, cm o que era feito pelo “O Pasquim”, jornal fundado por Ziraldo e outros humoristas, durante a Ditadura Militar (1964-1984).

Além das mesas redondas, o público teve ainda o “1º Roteiro Gastronômico do Felit”, que reuniu diversos restaurantes da cidade. Além de deliciar, que passasse por no mínimo quatro restaurantes cadastrados concorria a um livro do Ziraldo.

Ziraldo
                                                                                                                       André N. P. Azevedo
Ziraldo foi o homenageado do 5º Felit
Em entrevista concedida ao Observatório da Cultura, o autor homenageado do 5º FELIT, falou um pouco sobre o festival e sobre o lançamento do filme “Uma professora muito maluquinha”. Segundo o autor, o livro (que deu origem ao filme) é inspirado em uma professora que ele teve na infância. “É muito difícil você escrever uma história sem ter um modelo, eu tive vários professores na minha vida, mas teve uma principal que eu me inspirei, chamava Catarina como a personagem e era completamente maluquinha”, conta.

O objetivo do livro e consequentemente do filme é, segundo Ziraldo, é: “Passar para as pessoas o meu sonho de como eu quero que seja a educação fundamental no Brasil”, diz. Para Ziraldo, as pessoas tem que fazer com que o cinema, a televisão e a internet ajudem na educação. “Temos que reinventar a educação todo dia.”

Para Ziraldo é importante que as crianças não cheguem ao computador, ao mundo virtual, sem ante passar pelo livro. “O livro é a base”, explica. Para o autor a coisa mais importante que uma criança pode aprender no ensino fundamental é ler, escrever e contar. “A literatura é maior do que a vida, na literatura você pode inventar o que você quiser”, diz.

sábado, 12 de novembro de 2011

Humor e Imprensa ontem e hoje

André N. P. Azevedo
Reinaldo Figueiredo, Ricky Goodwin e Ziraldo falam sobre o humor na imprensa.

Walquíria Domingues

As teses de Ziraldo encheram de risos e reflexões o auditório do Conservatório Estadual de Música Pe. José Maria Xavier, no dia 11 de novembro, e foram compartilhadas no palco juntamente com Reinaldo Figueiredo, um dos fundadores do tablóide O Planeta Diário e integrante do grupo Casseta & Planeta, e Ricky Goodwin, jornalista há 43 anos e especialista em Humor, que integrou a equipe do Pasquim por 13 anos. A conversa, que tratou de falar do humor na imprensa entre 1964 e 2011, fez parte do Festival de Literatura de São João del-Rei, FELIT, que aconteceu entre os dias 9 e 13 de novembro, no centro histórico da cidade.

A plenária se iniciou com os convidados relembrando a época da ditadura militar, em que os cartunistas se tornaram chargistas, cenário do nascimento do jornal O Pasquim, semanário brasileiro, conhecido pela forte oposição ao regime militar, que durou 22 anos. A charge, instrumento humorístico altamente crítico-político, ganhou espaço na imprensa durante o regime. “Sempre que a tirania se estabelece, as pessoas começam a atacar a tirania com o humor. Daí surge o Pasquim, em plena ditadura”, conta o escritor Ziraldo.

Ditadura militar x Ditadura econômica
Certo de que aqui no Brasil os cartunistas, desenhistas e chargistas eram autodidatas, e que passaram bem longe das escolas de belas artes, Ziraldo conta que sua escola e a de seus colegas era assinar as revistas brasileiras, como O Cruzeiro, e até mesmo O Pasquim. Com relação ao periódico, que podia ser fechado a qualquer momento pela censura do regime, apareceram muitos jovens interessados em ingressar no mundo do “bom humor”. Foi assim que Ziraldo e a equipe do Pasquim (Jaguar, Millôr Fernandes, Fortuna, Henfil, Ivan Lessa, Paulo Francis, dentro outros grandes nomes), conheceram Reinaldo Figueiredo. “Nós levamos um ano pra ouvir a voz dele”, brinca Ziraldo, que apesar de revelar a timidez de Reinaldo, o considera um dos responsáveis por reinventar o humor na televisão, com o Casseta & Planeta.

Com relação ao humor e à TV, surgiram muitas críticas. “A TV não cria tendência, ela que domina tudo”, arrisca Ziraldo, que ataca com mais precisão a Rede Globo: “A TV Globo não cria inteligência. Como dizia Millôr: escreva seu texto para o leitor mais inteligente. Mas a TV diz: faça seu texto para o telespectador mais burro”, critica o escritor. Ainda enfurecido pelo humor ruim na televisão brasileira, Ziraldo arranca risos do público ao falar dos atuais programas humorísticos: “O Zorra Total consegue ser pior que a Praça É Nossa, e tenho vontade de mandar matar os Caras de Pau”, brinca.

O escritor e desenhista reclama que o humor da ditadura era um humor inteligente, e que o público prezava pela criatividade da criação, mas que hoje não é mais assim. Ainda sobre o Pasquim, Ziraldo se orgulha em dizer, depois da plenária, que o periódico mudou a linguagem do jornalismo e do humor brasileiro, e foi um alento para as pessoas da época. “Em vez de a gente ficar em casa se queixando, a gente foi à luta, a gente foi protestar, discordar, a gente foi correr risco”, diz. O que falta hoje para o país é isso, e a “tese” de Ziraldo foi aprovada pelos convidados Reinaldo e Ricky Goodwin.

Humor Bom x Humor Ruim
O jornalista e especialista em humor Ricky Goodwin indaga se o humor hoje está decadente ou diferente, e se não vem sendo censurado pela ditadura econômica e pelos grandes donos da mídia. Mas Reinaldo Figueiredo acredita que, apesar de sempre haverem impasses com relação ao humor, com a democracia e a liberdade, aumentaram a probabilidade de surgir muitas coisas ruins. Um dos fundadores do O Planeta Diário, Reinaldo prefere acreditar que “o que falta é a educação do público, pra saber dizer o que é humor bom e o que é humor ruim”, diz.

Ele relembra algumas capas históricas do jornal mensal humorístico, que fez surgir o Casseta Popular, depois transformado em Casseta & Planeta. “Presidente está indo longe demais: depois da China, Sarney vai à merda”, e “Brasil aliviado: Tancredo já está cagando e andando”, levantaram risos do público da plenária, que tiveram a oportunidade de ouvir a história das manchetes, que só podiam existir, é claro, depois da abertura do regime militar. “No Planeta Diário nós fizemos um ‘teste-drive’ da democracia, com manchetes meio absurdas”, recorda Figueiredo.
 

Capa de O Pasquim, de 1971
Com a bela frase de que “fora do livro não há salvação”, Ziraldo faz várias críticas ao uso indevido da internet, estas apoiadas por Figueiredo. “Na internet tem uma quantidade absurda de coisas ruins. Mas você não pode coibir os caras de fazer piada ruim, você pode só comentar, criticar. Isso está dentro do jogo da democracia”, explica Reinaldo. É preciso saber ir até onde o bom conteúdo está. “Mas quantos por cento dos usuários vão atrás dessas informações?”, lamenta Ziraldo. Infelizmente, o conhecimento, hoje ao alcance de todos, não é procurado pela maioria das pessoas, inclusive pelas que tem acesso à internet. Dentro do humor, a busca pelo melhor também deve acontecer. “A piada de mau gosto vai existir sempre, e quanto mais tivermos liberdade, mais vão existir coisas em quantidade, e quantidade e qualidade não é a mesma coisa”, avalia Reinaldo.

Com relação a esses tipos de manchete, Ziraldo também se lembra de uma capa do Pasquim que causou alvoroço na época. “Todo paulista (que não gosta de mulher) é bicha” foi uma manchete que fez esgotar em poucas horas toda a tiragem daquela edição do jornal. Ziraldo conta que ao ler que todo paulista é bicha, em letras garrafais, o leitor se indignava tanto que não via a minúscula informação entre a frase, que a fazia ter sentido. Foi esse tipo de humor que enfrentou o regime e fez surgir grandes nomes da arte, da charge e do jornalismo brasileiros. “A gente parecia ser muito corajoso”, brinca Ziraldo.

Conhecimento, humor e educação
Preocupados com o rumo que a população brasileira está tomando com relação à educação, a conteúdo e à procura de conhecimento e informação, os convidados levantaram uma rica discussão. “Enquanto você não transformar o Brasil num país de leitores, não há esperança de mudar”, inicia Ziraldo, que continua dando conselhos “Se não passar pelo livro, não chega à internet inteiro. Se as crianças gostassem de ler, elas aprenderiam o resto com o pé nas costas”, diz.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...