sábado, 4 de dezembro de 2010

5ª Cultural anima intervalos no CTAN

Ana Pessoa Santos

Toda quinta-feira, o intervalo no Campus Tancredo Neves (CTAN) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) é marcado por apresentações culturais, organizadas pelo programa 5ª Cultural. O programa tem como objetivo “fazer a produção estrutural para que os mais variados artistas tenham possibilidade de se apresentar, difundindo assim seu trabalho e contribuindo para colocarmos a arte em nossa rotina”, diz uma das integrantes, Rafaella Dotta.
                                         Fotos: Thayná Faria
Apresentação teatral na 5ª Cultural
O programa, que existe desde setembro de 2009, já promoveu exposições de fotos, recitais de poesia, performances teatrais e apresentações de diversas bandas dos mais variados estilos musicais como celta, pop rock, samba e clássico. A 5ª Cultural também realiza oficinas, de diversos temas e ministradas por professores, alunos e técnicos da UFSJ.

A ideia surgiu a partir do momento em que alunos que participavam dos Centros Acadêmicos de Administração e de Jornalismo viram “a necessidade de um espaço para apresentações culturais no CTAN. O curso de Teatro, por exemplo, tinha acabado de se mudar para o campus, mas não víamos movimentações artísticas”, diz Rafaella.

Começou então, um “projeto” só de alunos, que teve como percussores Vinícius Tobias, Wanessa Fagundes, Rafaella Dotta (jornalismo) e Maria Luiza (administração).

Ao começarem a ter problemas para reservar salas e equipamentos de som (para a utilização do espaço e do material da universidade é necessário que um professor se responsabilizasse por possíveis danos), o grupo percebeu que a institucionalização era importante e traria benefícios.

Decidiram então, transformar a 5ª Cultural em um programa de extensão, e convidaram o professor Paulo Caetano, que já participava do projeto, para ser o coordenador.

Hoje, estão envolvidos no programa cerca de oito professores e dez alunos dos cursos de Teatro, Jornalismo, Letras e Música, além de dois técnicos administrativos e colaboradores que se apresentam e ajudam na produção.

Quem se interessar em apresentar na 5ª Cultural ou indicar uma apresentação, pode entrar em contato com a equipe pelo e-mail: ufsj_5cultural@hotmail.com ou pelo blog: www.5cultural.blogspot.com

5ª Itinerante
                                                                                                                                                
Diego se apresenta na 1ª Semana de Jornalismo
A 5ª Cultural organiza ocasionalmente a programação cultural de eventos que acontecem na UFSJ como o Congresso Nacional de Letras, Artes e Cultura (CLAC) e a Semana de Jornalismo. Nestes casos, aconteceram apresentações durante todos os dias dos eventos. O projeto já marcou presença também espaço Manicômicos, no lançamento do curta “Prazer em te desconhecer”.

Cultura de 5ª

Para marcar o encerramento do semestre letivo, a 5ª Cultural organiza o Mini Festival Cultura de 5ª, que tem como objetivo promover um espaço que mescle vários estilos de arte como teatro, música, poesia, dança e artes visuais de forma democrática e popular, valorizando os artistas e seu trabalho. A terceira edição que aconteceu no CTAN em dezembro, foi um sucesso, durando cerca de 12 horas.




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

"Uma piada vende uma edição"


Rafaela Aguiar
                                                                                                                                                     Divulgação
José Maria Rabêlo na UFSJ durante a 1ª Semana Acadêmica de Jornalismo 

O jornalista José Maria Rabêlo esteve na UFSJ durante a 1ª Semana Acadêmica de Jornalismo para uma palestra aos alunos e professores do curso.

Considerado um dos precursores da imprensa alternativa moderna, o jornalista José Maria Rabêlo, nesta entrevista, fala sobre a criação do Binômio, internet e o futuro da mídia impressa.

O diploma universitário não é mais exigido para o exercício da profissão jornalista e, no início de sua carreira ainda não existiam os cursos de Comunicação. Na sua opinião, qual a importância da formação acadêmica no jornalismo?

Acho que ela é complementar. É preciso que o futuro jornalista tenha qualidades literárias, conhecimento. A escola de comunicação deve ensinar são as técnicas de comunicação. Eu até defendo a tese de que os cursos deveriam ser menores, ter três anos de duração. Mas acho importantíssimo que existam os cursos, com a obrigatoriedade do diploma. Agora, Não basta fazer curso para ser um bom jornalista. Quem não lê não escreve. A internet não é leitura,  é um instrumento de comunicação rápida. Mas, para se formar jornalista, com capacidade de escrever bem é preciso que se leia, e leia os maiores autores da língua.

O Binômio era um jornal da chamada Imprensa Alternativa, marcado pela crítica política e pelo humor, sendo considerado pelo Ziraldo como o “avô do Pasquim”. Como foi a criação desse jornal?

Tenho que divergir do Ziraldo, pois essa história de avô do Pasquim pode-se imaginar que eu sou avô dele. O Binômio foi o pai do Pasquim na verdade. Nós (Eu e Euro Arantes)  éramos dois jovens jornalistas e a situação da imprensa de Minas nos deixava muito constrangidos. Então resolvemos fazer um jornal humorístico porque o humor não requer muito papel. Uma piada vende uma edição, sobretudo antigamente, quando o papel da imprensa era muito maior do que é hoje. Então o Juscelino tinha o slogan administrativo do seu governo “Binômio Energia e Transporte” que ganhou autonomia como expressão perante o público. E nós resolvemos lançar contra o Binômio da mentira e da propaganda o Binômio da Verdade(Sombra e Água Fresca) e foi um caso de amor a primeira vista com a população de Belo Horizonte. Foi um sucesso espetacular.

O primeiro número do Binômio vendeu 6 mil exemplares e em 1958 , a tiragem chegou a 60 mil jornais. A que o senhor atribui esse sucesso?

A independência do jornal. O jornal dizia o que os outros não diziam mas que estava na cabeça do leitor. E o Binômio virou um mito e se impôs por isso, pela independência e pela coragem de noticiar os fatos do estado.

É verdade que após a briga com o General Punaro o senhor fugiu de BH vestido de padre?

Os militares cercaram a cidade, destruíram o jornal. Então para sair de Belo Horizonte, eu fui para a casa de um amigo e lá me emprestaram uma batina, que era de um padre de esquerda, Francisco Lage que também foi perseguido durante a ditadura. Essa batina sumiu. Há uns dois nos minha cunhada a encontrou e eu vou doá-la para o museu da Anistia.

E em 64,  vestido de vendedor de café o senhor foi para SP, de onde seguiu para o exílio. Foram 16 anos entre Bolívia, Chile e França. Nesse período, outros fenômenos da imprensa alternativa surgiram no Brasil como o Pasquim e o Movimento. Na sua opinião, qual o papel desse tipo de imprensa na redemocratização do nosso país?

Foi muito bom. Me orgulho disso, fui até diretor do Pasquim quando voltei do Exílio. Agora, eu lamento que não existam jornais alternativos hoje em dia no Brasil. Há jornais políticos, mas não há jornais de grande circulação.

O senhor considera os blogs como um tipo de mídia alternativa?

Isso é um capítulo novo, que está surgindo com um potencial muito grande aqui e no mundo inteiro. Acho que a imprensa alternativa hoje, é exercida pela internet. 

A difusão da internet e o surgimento de novas tecnologias representam o fim da mídia impressa na sua opinião?

Abala mas não significa o fim. Esse hábito de pegar e ler um jornal não há comparação. Quando a TV surgiu, disseram que ela acabaria com o cinema e o rádio, o que não aconteceu. Vamos convier com esse instrumento de democratização da informação e do conhecimento.



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