quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Muito além da “Esquina do Kibon”...

Adriano Moura

Claudionor: o responsável pelo nome da 'Esquina do Kibon'
Foto: Adriano Moura
Localizada na parte central de São João del-Rei, a “Esquina do Kibon” é onde se encontra um dos maiores pontos comerciais da cidade, que além de funcionar durante todo o dia, também possui uma vida noturna ativa, sendo um grande foco para festas e comemorações. Conhecida sob este título desde a década de 50, a região abriga uma das personalidades são-joanenses mais conhecidas: o responsável pelo nome que se tornou um referencial, Claudionor Ferreira de Moura. Mas não é na esquina ou no calçadão que a história começa, e sim na porta do famoso bar, o Kibon.

Trabalhos manuais são-joanenses: cultura, tradição e arte por um fio

Quéfrem Vieira

     Fotos: Quéfrem Vieira

Nas janelas coloniais, nos cachecóis que protegem do frio, sobre as mesas de jantar ou nos pequenos detalhes da decoração doméstica, os trabalhos manuais se fazem presentes no nosso cotidiano. Contudo, muitas vezes não paramos para admirar e dar a devida atenção aos bordados antigos, aos de ponto-de-cruz e aos em pano xadrez, ou aos fios do crochê e do tricô, cuidadosamente entrelaçados por mãos experientes e talentosas.

I SEMARQ acontecerá na próxima semana

Escultura flamejante emociona público em São João del-Rei

Adriano Moura 

    Nina Hole observa sua obra
    Foto: Marcius Barcelos
A artista plástica Nina Hole desembarcou em São João del-Rei nas primeiras semanas de outubro para o 7º Congresso Nacional das Artes do Fogo (Contaf), que este ano foi sediado na cidade pela UFSJ. Hole, que é famosa por suas obras em cerâmica e reconhecida por expor sua arte em diversas galerias ao redor do mundo, foi uma das principais atrações do evento. A artista veio à cidade para desenvolver um tipo de escultura flamejante, despertando curiosidade e emoções. 

Nascida na Dinamarca, Hole conta que estudou nos Estados Unidos, onde além de aprimorar suas técnicas e conhecimentos, passou a entrelaçar os estilos tradicionais de ambos os países. Essa mistura se tornou uma de suas principais características e especificidades. A dinamarquesa logo se tornou um nome importante e respeitado no campo, articulando um estilo livre e diferenciado.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Livro sobre jornalismo regional foi lançado no Centro Cultural da UFSJ

Ana Pessoa Santos

  Os organizadores Filomena Bomfim e Roni Petterson
  Foto: Ana Pessoa Santos
O lançamento do livro Tom Regional: a voz dos filhos da terra reuniu várias pessoas no último dia 14 de outubro, no Centro Cultural da Universidade Federal de São João del-Rei.  A publicação apresenta 14 artigos de diversos pesquisadores sobre jornalismo regional e foi organizada pela professora do curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFSJ Doutora Filomena Maria Avelina Bomfim e pelo professor da Universidade Federal de Roraima, Mestre Roni Perrerson de Miranda Pacheco.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Wangui, o impressionista colonial

Marcelo Alves 
                                                                                                                                       Marcelo Alves
Wanderley Mario Guilherme, mais conhecido por Wangui, é um artista plástico sãojoanense que trabalha com a reciclagem de materiais por meio da arte. Ele mora com sua irmã Cecília e uma cadelinha chamada Susi, numa pequena casa no centro da cidade. O Observatório da Cultura teve o privilégio de visitá-lo e saber como Wangui desenvolveu seu estilo e o começo difícil da carreira de um jovem artista, sua paixão pelas pequenas coisas e a tendência da fabricação e reprodução na arte.

Na apertada sala, o visitante se depara com as obras na parede, muitas delas feitas sobre inusitados taquinhos de madeira, desses que se põe no chão. Há uma vitrine de doces que sua irmã, Cida, vende à meninada da vizinhança. O material que ocupa uma parte do local tem nome controverso: uns chamam de lixo, outros, de materiais recicláveis. Wangui, de futuras obras de arte. 

Intimismo Colonial 

Wangui pinta o Intimismo Colonial. Com cores marcantes e formas imprecisas, ele retrata os casarões e a realidade de sua tão amada São João del-Rei. As matizes contrastam e dançam ao olhos do admirador, mas não o agridem, têm um balanço eficiente. “Não consigo realizar o trabalho sem o céu e a montanha de fundo, lembrando as Minas Gerais”, diz o perfilado. 

O artista quando jovem 

Ele conta que sempre teve uma ligação muito forte com o desenho e com a natureza. Desde a infância, conviveu com o quintal, com as árvores e a terra. Passava seus dias desenhando e sonhava em se tornar um pintor. Tinha o sonho de criar um quadro só. Descreve que foi à papelaria e comprou as cores básicas de tinta e uma tela. Fez o desenho em 1979, a partir de um rosto de uma revista.

Contudo, esse quadro não foi o único, não contentou o artista. Wangui procurou, com a ajuda de sua irmã, alguém que lhe ensinasse uma técnica de pintura. Daí para frente, ele só foi se aprimorando, passando do desenho para o óleo. “Demorei seis meses para pintar meu primeiro quadro com óleo”, afirma. 

Ascensão 

Wangui foi caminhando e pintando. Com dificuldades, ele fazia exposições curtas, em pequenos locais. Em 1990, ele relata que foi preciso muita coragem para ir ao campus Santo Antônio, da então FUNREI, tentar inscrever suas obras no 3º Inverno Cultural. “Com tamanha surpresa que descobri que fora aceito. A FUNREI me apresentou como artista perante a sociedade”, reconhece Wangui.

Daí foi uma exposição atrás da outra: apresentações de trabalhos, feiras, coletivas e lançamentos. Suas participações e o reconhecimento de sua obra aumentavam. O artista alcançava maturidade quando seu pai morreu. Wangui diz que foi como um movimento reverso em sua vida, pois o fez caminhar “a esmo, sem sentido”, ficando, de fato, “no chão”.

Em 1997, tentando se restabelecer, Wangui foi convidado pela Caixa Econômica Federal para uma grande exposição, que ele chama de luz no final do túnel. “Isso me levantou, me deu nova tomada na vida. As feiras e participações voltaram”, narra o artista. 

O auge 

Em 2000, houve a primeira retrospectiva de seu trabalho, marcando os 21 anos de carreira. A exposição, no Museu Regional, foi intitulada A maior idade de um artista, Wangui, 21 anos de arte, traços retrospectivos. O evento marcou época, tendo agrupado mais de 100 quadros de todo esse período.

Assim, começaram os convites para Wangui lecionar. Isso o levou aos bairros, estimulando o desenvolvimento da pintura fora do centro, o que resultou em duas exposições: Se tudo termina em pizza, por que não em arte? e Saudações Patrimoniais. Esta foi marcante para ele, pois trouxe à tona a discussão de um método para levar a temática da preservação arquitetônica às escolas.

Ao se tornar um professor, Wangui recebeu muitos convites para ensinar. Ele ressalta que a mais gratificante de todos foi no Centro de Atenção Psicossocial de São João del-Rei (CAPS), onde ele mostrou a pintura a pessoas acometidas por transtornos mentais. “Hoje, se eu pudesse escolher, entre ensinar uma pessoa normal e outra com deficiência, escolheria a última, por tudo aquilo que eles nos passam. Gosto demais dessa experiência. Quando não posso ir, sinto falta deles”, conta o artista e professor. 

Reciclagem 

De quinquilharias a arte ou quem diz que tudo é arte? foi o nome da exposição de Wangui que carregou a temática da reciclagem. Para ele, todo material pode ser transformado em arte, como um CD, uma pedra, um taquinho, ou uma tábua de carnes. Assim, ele foi diversificando suas técnicas: “todo material que eu tenho, transformo em arte. Com a arte, pode-se transformar todos os males do mundo. A arte é infinita”, conclui. Frequentemente, a entrevista era interrompida por vizinhos, pois Wangui é conhecido por seu trabalho de reciclagem e as pessoas costumam levar material para ele, como jornais, plásticos, madeira, entre outros. 

A arte e a sociedade 

Wangui afirma que sempre pinta ao som de alguma música. Suas favoritas são as de Bossa Nova e MPB. Ao chegar à entrevista, disse estar vindo de um programa de rádio, no qual relatou algumas de suas experiências. Para ele, um artista não pode reclamar quando um órgão da impressa publica uma foto sua ou menciona seu nome. “Isso é errado. Eu adoro quando um jornalista vem até mim e me faz perguntas. Mostra que meu trabalho está sendo reconhecido, que outras pessoas gostam do que eu faço. Vivemos na época da comunicação total, não há como lutar contra isso”, argumenta.

Ele defende que música, pintura, cinema, poesia, teatro e dança estão interligados e constituem uma só forma de arte. Todas elas comunicam ideias, emoções, concepções de vida. Por isso, a comunicação também é uma arte. “Ontem uma pessoa me disse: ‘Wangui, você tem a comunicação na ponta da língua’. Respondi: a gente tenta fazer isso por meio da arte.”

Wangui explica que o artista é um ser iluminado na sociedade. Ele passa luz, vida e emoção a indivíduos que podem estar angustiados: “as pessoas estão com tantos problemas e frustrações, mas a vida é tão maravilhosa. Tento mostrar isso nos meus quadros pelas cores e experiências transmitidas”.

“A arte precisa ser valorizada e a sensibilidade das pessoas, estimulada”, diz Wangui, que observa, com interrogações, o sentido e a definição de Arte. Para o perfilado, ela é feita com o coração e sentimento: “um quadro não precisa ser grande e altamente técnico. Trabalho com elementos simples, em taquinhos, mas o faço com o coração”, revela.

O artista afirma que vê muitas coisas serem chamadas de arte sem o merecer. Segundo ele, a fabricação e a reprodução estão sendo cada vez mais valorizadas na sociedade, em detrimento da criação.  Isso acontece em função do valor de mercado e da intenção de fabricar para vender. “Arte, mesmo, não vejo nada. Fabricar é fazer aquela quantidade de coisas, sem colocar sentimento. Mas criar é um processo orientado pela inspiração. O quadro é uma vida, um filho, uma composição de ideias e emoções. Um verdadeiro pintor só pinta um quadro uma vez”, finaliza Wangui.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Grupo de percussão Mucambo pesquisa o maracatu

Mariele Velloso
                                                                                         Divulgação
   Alunos aprendem a tocar vários instrumentos 
O grupo Mucambo surgiu há seis anos quando seu presidente, André Mendes, resolveu criar uma escola que ensinasse percussão e a história da cultura popular brasileira. Porém, só foi registrado como uma associação há dois anos. O grupo também surgiu com a intenção de pesquisar sobre os ritmos brasileiros e suas influências africanas.

O Mucambo oferece oficinas de percussão no Conservatório Estadual de Música "Padre José Maria Xavier", com turmas formadas anualmente, as quais, além de passarem por todos os instrumentos, aprendem a história dos ritmos que tocam. As oficinas têm a duração de dois anos e os alunos podem se agregar ao grupo de apresentação do Mucambo ou criarem seus próprios grupos. Os alunos aprendem a tocar vários instrumentos como chocalho, tambor, gonguê, agogô, pandeiro, entre outros.
                                                                                                                              Divulgação
Mucambo realiza apresentações na rua
André Mendes enfatiza o caráter de pesquisa que o grupo possui. Os integrantes mais antigos fazem viagens a Recife, que possui fortes tradições de ritmos, para entender mais sobre o que ensinam e praticam. O presidente também estuda os grupos de percussão da região e atualmente faz um mestrado pela UFMG, sobre um grupo de congado do distrito Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno.

Débora Fantini, secretária do projeto, afirma que o grupo não toca apenas Maracatu, mas também outros ritmos, como ciranda e coco. Eles realizam diferentes tipos de apresentações como o “Cortejo”, que acontece na rua e chama as pessoas para acompanhá-los, e a “Aula-Espetáculo”, em que os alunos participam e trocam informações sobre a cultura popular.

O grupo, formado pelos percussionistas André Mendes, Cynthia Viana, Débora Fantini, João Pedro Rodrigues e Vinícius Gannais, está iniciando um projeto em que pretendem produzir vários espetáculos, quando convidarão outros músicos para tocarem instrumentos diversos.

O grupo Mucambo está aberto para todos, acima dos 15 anos, que queiram aprender percussão e conhecer mais sobre a cultura popular.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Corporação de artesãos move artesanato são-joanense

Íris Pedini
Fotos: Ana Pessoa


Há mais de 12 anos foi criada a Corporação de Artesãos de São João del-Rei Bárbara Bella Artes e Artesanato, para beneficiar os artistas manuais. Com uma grande diversidade de produtos, a associação contribui para o aperfeiçoamento do turismo e traz inúmeras vantagens aos associados. 


terça-feira, 5 de outubro de 2010

O clássico e o profano no melhor estilo

Luciana Arruda

Foto: Divulgação

Quem assiste ao show do Hello Acústico fica encantado com a beleza e profissionalismo de Erica Humber e Nathalia Castro. O trabalho consiste em releituras de clássicos do pop e do rock internacional. The Beatles, The Doors, Pink Floyd, The Corrs, Evanescence, entre tantas outras, são reinterpretadas com grande estilo. O diferencial fica por conta do violino e da voz suave e ao mesmo tempo marcante de Erica Humber que, aliados ao violão de forte marcação de Nathalia Castro, dão um toque celta, bastante feminino e único às releituras destes trabalhos. O palco iluminado com castiçais e folhas bordô secas pelo chão dá um clima romântico de outono. Tudo é de um bom gosto extremo: o figurino, a decoração de palco, as luzes, e, na música, os arranjos inovadores e sofisticados e uma execução de alto nível.

Os imortais de São João del-Rei


Carolina Gouvêa


As salas antigas do segundo andar do prédio da Biblioteca Municipal ganham vida no último domingo de cada mês, com a reunião mensal da Academia de Letras de São João del-Rei. Entre cidadãos interessados e curiosos, destacam-se 40 pessoas: os imortais, membros efetivos da entidade.

A Academia, como é conhecida, foi fundada em 1970 e possui como objetivo promover e preservar as Belas Letras e Belas Artes são-joanenses, além de ajudar a manter o patrimônio cultural da cidade. Seguindo o modelo machadiano da ABL (Academia Brasileira de Letras), possui um patrono para cada uma das 40 cadeiras, sendo que cada um é uma personalidade da história e da literatura local, tais como o ex-presidente Tancredo Neves.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Doações mantêm viva a Casa de Memória de São Tiago

Michele Santana

Em 2008, São Tiago comemorou 300 anos do início de sua povoação. Por ter sido um momento importante para a cidade, muitas atividades aconteceram, como uma caminhada até o local onde, de acordo com a história, tudo começou. Além dessa e outras atividades, houve a implantação e inauguração do Memorial Santiaguense.

Criado pela Lei Municipal 1122, de 08 de julho de 1992, mas somente implantado e inaugurado em 27 de dezembro de 2008, em comemoração aos 60 anos da assinatura da Lei     de Emancipação do Município de São Tiago, o Memorial é destinado a preservar a história da cidade e de suas personalidades mais ilustres. A Casa de Memória tem sob sua guarda objetos de valor histórico, artístico e cultural, como fotografias, peças antigas, obras artísticas e literárias, honrarias, documentários e outros.

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