quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Uma sinfonia badalada

Natasha Terra Passos, Antônio Ferreira, Fernando Paulo de Oliveira e Thiago Longatti


Talita Andrade    
   Sinfonia dos sinos, inspirada em espetáculo em Diamantina, incorpora tradição musical em São João del-Rei


São João del-Rei é conhecida nacionalmente como a cidade dos sinos, por possuir várias igrejas que utilizam as badaladas para trans­mitir diversas mensagens, principalmente religiosas. A tradição são-joanense da linguagem dos sinos está sendo finalmente resgatada, valorizando a cultura local, através do espetáculo de música “Sinfonia dos Sinos”. A primeira edição do evento foi apre­sentada em junho deste ano. No dia 16 de setembro, no Largo do Rosário, foi realizada a segunda edição. 

A primeira apresentação aconteceu em 2008 de forma um pouco diferente. De acordo com os produ­tores José Luiz Mourão e Vera Feu (Música e Arte Produções Ltda.), o evento musical chamado Noites Seresteiras utilizava as janelas do Casarão dos Lus­tosa como palco para os músicos. No primeiro for­mato do evento, havia apresentação de um conjunto de serenata, bossa nova e MPB.O formato atual foi baseado na Vesperata, evento realizado em Diamantina (MG). De acordo com os organizadores, “a ideia foi considerada muito boa, mas era preciso dar ao evento características próprias da cidade”. Segundo eles, não era interes­sante apenas importar o espetáculo, mas sim agregar características de São João del-Rei, como o toque dos sinos. Deste modo, aperfeiçoou-se o Noites Seresteiras, resultando no atual projeto da Sinfonia dos Sinos, no qual participam os sineiros da Igreja do Rosário, abrindo o espetáculo.
Com incentivo da Lei Rouanet, o evento atrai maior número de patrocinadores, conseguindo excelente qualidade em sua programação e fomentando o comércio através do turismo.
De acordo com a chefe de serviços turísticos, Ana Luiza Capel Moreno, os setores hoteleiro e gastronômico são os mais movimentados graças ao fluxo de turistas atraídos pelo evento, que comporta de 400 a 700 pessoas.
Para o espectador são-joanense Mário Lúcio dos Passos, 45, psicólogo, o evento “é o resgate da cul­tura de nossa terra. A Sinfonia dos Sinos é especial porque São João del-Rei é considerada a cidade da música. O repertório da Sinfonia é de primeira qualidade, as escolhas das música são bem feitas”. Para ele os sinos têm uma linguagem própria, é um momento terapêutico.


Em 2011, música aos sábados

  Talita Andrade
Os idealizadores da Sinfonia dos Sinos prometem apresentação todo mês em São João del-Rei. A seguir, Vera Feu e José Luiz Mourão, da Música e Arte Produções Ltda, contam um pouco a história do espetáculo e as perspectivas para os próximos meses.

Jornal Orapronobis: Quando e como surgiu a ideia desse projeto?
Vera Feu: Em 2008, nós fizemos um evento musi­cal chamado Noites Seresteiras no mesmo local, uti­lizando o Largo e as janelas do casarão dos Lustosa. O formato era um pouco diferente, pois tinha apre­sentação de um conjunto de serenata, um conjunto de bossa nova e uma cantora apresentando MPB. No início de 2010, entramos com este projeto na Lei Rouanet com incentivo da Secretaria de Cultura e Turismo através de seu secretário Ralph Justino. A ideia era dar continuidade a este espetáculo para 2010 e nos outros anos.

JO: Quem foram os seus idealizadores?
VF: Em abril de 2010, o secretário recebeu uma proposta do Maestro Alex, que fazia a Vesperata em Diamantina e do Sr. Wander Carvalho Dias, de Belo Horizonte, de trazer o evento para São João del-Rei. A ideia foi considerada muito boa, mas era preciso dar ao evento características próprias da cidade. Não era interessante somente importar o espetáculo. Como uma das características de São João del-Rei é o toque dos sinos, criou-se a Sinfonia dos Sinos, onde eles fazem a abertura do espetáculo. Como nosso evento já estava sendo analisado no Minis­tério da Cultura e tínhamos sido os precursores da ideia de um evento musical naquele local, a nossa empresa Música e Arte Produções Ltda., foi con­vidada pelo Ralph para coordenar o projeto. E aqui estamos.

JO: Qual a periodicidade do evento?
José Mourão: Em 2010 o evento foi realizado em junho, julho, agosto e setembro e terá o último es­petáculo em outubro. Para 2011 teremos um evento por mês, no sábado, fora de feriados prolongados, do mês de março a outubro.

JO: O projeto sempre teve esse mesmo formato?
VF: Não. Nos dois primeiros espetáculos tínhamos somente a banda apresentando a sinfonia. A partir de agosto inserimos, às 19h30 um cantor (Wagner Branco) e a aceitação foi muito grande. Em setem­bro introduzimos um saxofonista (Daniel d’Olivier). Pretendemos buscar sempre novidades para apre­sentar ao público a cada evento.

JO: Quais são os patrocinadores e colaboradores da Sinfonia dos Sinos?
JM: Os patrocinadores atuais são: Viação Presiden­te e Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei. Os colaboradores são: Secretaria de Cul­tura e Turismo de São João del-Rei, ROTA, Buffet Cecília Resgala, Prefeitura Municipal de São João del-Rei, Pousada Pequena Tiradentes, Convention Bureau, Trilha dos Inconfidentes, Associação de Hotéis e Pousadas, Saint Germain Turismo, Orques­tra Popular Livre, Del Rey Publicidade, Restaurante e Choperia Rex, Vereador Mauro Duarte, Instituto Estrada Real, CIEMG FIEMG. É importante desta­car também que fizemos uma parceria com o Lendas São-Joanenses que irá ocorrer sempre na sexta feira anterior ao Sinfonia dos Sinos. É um belo pacote cultural que estamos oferecendo ao público.

JO: Por que foi escolhido o Largo do Rosário como local do evento?
VF: Primeiramente, já tinha sido feito o primeiro evento naquele local. Em segundo lugar, a Secretaria de Cultura está no casarão onde é feita a sinfonia. E, finalmente, porque de fato é um dos pontos mais bonitos da cidade.

JO: Como é a estrutura do evento?
VF: O maestro cuida das músicas, a secretaria recebe as reservas de mesas e contata os fornece­dores e nós cuidamos do resto.

JO: A Sinfonia dos Sinos tem apoio de algum pro­grama do governo, como a lei Rouanet?
JM: Em princípio, não. Mas como disse no início desta entrevista, em janeiro entramos com o outro projeto, em nome da Orquestra Popular Livre na Lei Rouanet e conseguimos, neste mês, a aprovação. Agora é procurar outros patrocinadores e encaixar a Sinfonia dos Sinos em nosso projeto.

JO: A prefeitura de São João del-Rei apóia o even­to? De que forma?
JM: Sim, temos tido todo apoio da Secretaria de Cultura e Turismo através do Ralph que é um par­ceiro incansável, sempre buscando novos colabora­dores para nos ajudar. Além disto, a base da banda que executa o projeto é a banda Santa Cecília, que é da Prefeitura.

JO: Qual é o planejamento da Sinfonia dos Sinos para o próximo ano?
VF: Melhorar cada vez mais a qualidade do espe­táculo. Torná-lo um evento responsável pela vinda de muitos turistas a São João del-Rei, aumentando o movimento nos hotéis, restaurantes, comércio em geral e criando oportunidades de novos empregos.

JO: Qual é a colaboração deste evento para São João del-Rei?
JM: É uma grande oportunidade de mostrar nossa cidade e conquistar o coração do turista para que ele volte e traga os amigos. São João del-Rei tem muito a ganhar. E queremos fazer, de público, um agradecimento aos moradores do Largo do Rosário. Apesar de terem suas rotinas alteradas uma vez por mês, têm mostrado uma compreensão muito grande e, com isto, colaborado enormemente para que São João se torne cada vez mais conhecida. Um agra­decimento especial à família Lustosa pela cessão das sacadas de sua residência para execução do es­petáculo.

JO: De que forma a Sinfonia dos Sinos contribui para a tradição de São João del-Rei como “cidade dos sinos”?
VF: Não só mostrá-la como “a cidade onde os sinos falam”, mas mostrar a beleza e musicalidade deste toque. É importante passar para o turista o signifi­cado real da Sinfonia dos Sinos que é aquela que eles fazem quando comunicam entre si.

Sinfonia dos Sinos atrai turistas e movimenta hotéis e restaurantes, criando oportunidades de emprego
Foto: Talita Andrade

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