segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Se Deus não é brasileiro, o papa quase foi

Fabrício Brandão e Wanessa Fagundes


     Padre Ramiro José Gregório, diretor do Memorial    
     Foto: Wanessa Fagundes
 Quem passar despercebido pela Rua Getúlio Vargas (antiga Rua direita), perderá a oportunidade de conhecer em São João del-Rei, a história de mais um de seus ilustres personagens. Em frente à igreja do Pilar está localizado o Memorial Cardeal Dom Lucas Moreira Neves, erguido em 16 de setembro de 2003, por ocasião da comemoração de seu primeiro aniversário póstumo.



O local é dirigido pela paróquia do Pilar e mantido pela família do homem que ocupou a terceira posição mais alta na hierarquia da Igreja Católica, sendo considerado o segundo homem na linha de sucessão do papa João Paulo II.

Nascido Luís em 1925, na conhecida Rua Santo Antônio em São João del-Rei, Dom Lucas Moreira Neves recebe novo nome ao adentrar na ordem dos Dominicanos. Contam que com a vocação despertada desde tenra idade, Dom Lucas confeccionava de jornal a casula usada por padres da época, e assim alimentava suas brincadeiras de menino – sonhando com um futuro sacerdócio.

Em seus tempos de seminário na cidade de Mariana, enquanto os demais aproveitavam seus tempos livres, Dom Lucas praticava seus futuros sermões embaixo das árvores. É o que conta o Monsenhor Sebastião Paiva, pároco da igreja do Pilar e seu colega de seminário.

Segundo o Padre Ramiro José Gregório, diretor do Memorial, Dom Lucas possuía uma personalidade marcante, sua humildade e inteligência se destacavam entre os demais: “...era um homem brilhante, muito ligado aos estudos, prova disso é a existência de 11 livros publicados sobre ele, disponíveis aqui no Memorial”.

Talvez tenha sido esta a razão da meteórica carreira episcopal do homem que nunca foi pároco de uma igreja. Sua ascendente trajetória se dá quando no ano de 1967 é convidado a se tornar bispo auxiliar em São Paulo, de onde só sairia em 1974, a convite do Papa Paulo VI (o papa bom, como era conhecido), para se tornar vice-presidente do Consilium de Laices no Vaticano - Roma, cargo que ocupou até 1988 quando enfim se torna Cardeal no Consistório.

A história do homem que acompanhou de perto a vida de três Papas, é amplamente esmiuçada e preservada no Memorial, onde se pode encontrar uma biblioteca com mais de 20.000 livros catalogados aberta ao público. Um destaque todo especial é dado à sala Memorabilia, onde se encontram os pertences pessoais de Dom Lucas, entre a roupa de seu batismo até seu último hábito de Arcebispo.

Relíquias, obras de arte e fotografias engrandecem o ambiente delicadamente decorado, e constantemente supervisionado pelos olhos atentos de sua irmã Maria Estela Vale, detentora de seus pertences desde sua morte causada pela diabete em 2002.

O espaço funciona aberto para visitação de 3ª a 6ª das 13 às17 horas, e aos sábados, domingos e feriados das 09 às 13 horas. A procura pelo memorial ainda é menor que sua capacidade. Com picos de 20 visitantes durante as festividades da Semana Santa,  o espaço se propõe a futuramente se tornar um local dedicado as artes e cultura. “Queremos propor uma semana cultural entre os dias 8 e 16 de setembro, datas de morte e nascimento de Dom Lucas Neves, e propor aos jovens um espaço onde possam encontrar vídeos, palestras e outras atividades culturais”, diz o padre Ramiro.

Se a cidade de São João del-Rei já deu provas suficientes do orgulho que tem de seus ilustres filhos, o Memorial Dom Lucas Moreira Neves é mais um marco da preservação histórica entregue às ruas deste condado mineiro. Por isso, da próxima vez que você passar pela igreja do Pilar e se encantar com a construção, não deixe de olhar para o outro lado da rua, e aproveite a oportunidade de fazer uma visita.

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