terça-feira, 16 de novembro de 2010

Santiaguenses tem mais acesso ao cinema através do Cineclube Audiovisuai

Ana Pessoa Santos
                                                                  Ana Pessoa Santos
    Mariana Fernandes, coordenadora e produtora do Cineclube
  
Todos os domingos, o Rotary Club de São Tiago recebe as sessões do Cineclube Audiovisuai, projeto sem fins lucrativos que tem como objetivo democratizar o acesso a poduções cinematográficas e valorizar o cinema nacional. Em uma sala com capacidade para aproximadamente 70 pessoas, filmes que são na sua maioria do acervo da Programadora Brasil são exibidos. “Procuro fazer a programação com base em pesquisas de interesse da população, preferências por assuntos e também conforme avalição de cada sessão”, diz Mariana Fernandes, coordenadora e produtora do projeto.

A idéia de montar um cineclube, espaço destinado à exibição, reflexão e produção audiovisual em São Tiago surgiu há dois anos. Mariana, que atualmente estuda Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), diz que “vislumbrava a possibilidade de se discutir políticas, culturas, linguagens e sociedades com a comunidade em geral, não só a acadêmica, a partir do cinema” quando ainda era estudante de Filosofia na mesma instituição.

Desta forma, procurou então o representante da Ong FOCEST (Fórum Cultural e de Empreendimentos de São Tiago), que tem parceria com a Prefeitura Municipal da cidade, para apresentar sua ideia, porém não havia verba para colocar o projeto em prática.
  Ana Pessoa Santos    
 
Em 2009, surgiu então a oportunidade de participar de um edital do Ministério da Cultural que selecionaria 150 projetos no Brasil que beneficiassem cidades com até 20 mil habitantes. A proposta do Cineclube Audiovisuai foi aprovada, alcançando a 26ª colocação nacional e a 3ª em Minas Gerais.

Após fazer um curso de capacitação em Belo Horizonte, a produtora do cineclube fez parceria com a Prefeitura de São Tiago, que subsidia a manutenção e os gastos, com o Rotary que cede o local onde as sessões são exibidas e com o FOCEST que apóia o projeto. “Recebemos todos os equipamentos, filmes e cursos e foi inaugurada a primeira sessão no dia oito de agosto”, diz a idealizadora.

O projeto que tem duração de dois anos, podendo ser prorrogado por mais dois, “beneficia a comunidade por vários motivos: lazer; gratuidade das atividades; acesso a obras alternativas; acesso ao nosso cinema e cultura brasileira; oportunidade de discutir assuntos e gerar ações por parte da própria comunidade” ressalta Mariana.
     Divulgação    
    Cena do filme Terra deu, Terra Come
   
O filme Terra Deu, Terra Come, fez sucesso quando foi exibido, e será exibido novamente na Semana da Consciência Negra. Mariana conta que se “trata de uma história semelhante a da nossa localidade: ciclo do ouro em Minas e lendas acerca desse período”. Outro filme que a população gostou foi Por 30 dinheiros, “uma comédia altamente crítica que repisamos também a pedido do público. Trata-se da encenação da paixão de cristo com aquele humor inteligente do cinema nordestino”, diz a coordenadora do projeto.
     Divulgação         
    Cena do filme Por 30 dinheiros
 
A programação

As sessões acontecem todos os domingos na sede do Rotary Club de São Tiago, na rua Estados Unidos, nº80, bairro Nações Unidas. A entrada é franca.

21/11/2010 – Semana da Consciência Negra

Apresentação da Folia de Reis "Magos do Oriente". Saída do forno às 15h30min

SESSÃO ADULTO – às 17 horas

Terra Deu, Terra Come - 2010, Brasil, documentário, 88 min. Direção: Rodrigo Siqueira. Pedro de Almeida, garimpeiro de 81 anos de idade, comanda como mestre de cerimônias o velório, o cortejo fúnebre e o enterro de João Batista, que morreu com 120 anos. O ritual sucede-se no quilombo Quartel do Indaiá, distrito de Diamantina, Minas Gerais. Com uma canequinha esmaltada, ele joga as últimas gotas de cachaça sobre o cadáver já assentado na cova: “O que você queria taí! Nós não bebeu ela não, a sua taí. Vai e não volta pra me atentar por causa disso não. Faz sua viagem em paz”. A atuação de Pedro e seus familiares frente à câmera nos provoca pela sua dramaturgia espontânea, uma auto-mise-en-scène instigante. No filme, não se sabe o que é fato e o que é representação, o que é verdade e o que é um conto, documentário ou ficção, o que é cinema e o que é vida, o que é africano e o que é mineiro, brasileiro.

28/11/2010

Apresentação do Grupo de Hip Hop de São Tiago às 17 horas e logo depois, Sessão Curtas – Vidas no Subúrbio.

Pretinho Babylon - 2007, RJ, ficção, 17 min. Direção: Cavi Borges e Emílio Domingos. Um rastafári vivendo na grande Babylon. (Classificação 14 anos)

Viver a vida – 1991, SP, ficção, 12 min. Direção: Tatá Amaral. Clemson é um Office-boy esperto, acostumado a “economizar” o dinheiro que recebe para fazer suas tarefas mais rapidamente de taxi. Com esses “extras”, pode ir à danceteria, jogar fliperama, comprar tênis. O curta conta o cotidiano desse “boy”, repleto de filas, esperas, trambiques, música e gente. (Classificação 12 anos)

Divina previdência - 1983, SP, ficção, 9 min. Direção: Sergio Bianchi. Atribulações na vida de um mendigo ferido, às voltas com funcionários públicos, documentos e prontuários da previdência social. (Classificação 18 anos)

Imensidade - 2003, SP, ficção/experimental, 15 min. Direção: Amilcar M. Claro. O curta tem como fio condutor “O navio negreiro”, poema épico abolicionista de Castro Alves. A exemplo de outras obras do período romântico, o poema foi concebido para ser lido em praça pública. Idalina, único personagem ficcional do filme, o faz agora pelas ruas da cidade. (Classificação 16 anos)

2, 3, 4 e 05/12/2010

Curso de História do Cinema e Linguagem Cinematográfica
Maiores informações através do e-mail cineclubeaudiovisuai@gmail.com

5/12/2010 

17h -  Reprise de documentáio.
Cine Odeon – Memórias Sonoras - 2010, MG, documentário, 31 min. Direção: Mariana Fernandes. Depoimentos de sãotiaguenses sobre o Cine Odeon - cinema da década de 1950, cujo primeiro proprietário foi Glauro de Castro. Músicas e causos foram recordados por pessoas que viveram durante duas décadas a glória e o romantismo de um cinema na cidade do interior mineiro

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