quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jornalista, escritor e professor Sérgio Mattos marca presença na UFSJ

Adriano Moura
Luis Gustavo      


Sérgio Mattos durante aula- palestra na UFSJ   
 O curso de Comunicação Social (Jornalismo) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) recebeu nesta semana a visita do jornalista, escritor e professor Sérgio Mattos, que ministrou uma palestra e conversou com os alunos que cursam o quarto período. Mattos, que é doutor em comunicação e referência nos estudos sobre a televisão, debateu sobre a evolução e seu panorama atual no Brasil. Além disso, também comentou diversos assuntos e práticas do campo jornalístico e relatou um pouco de sua trajetória profissional, contribuindo para a formação acadêmica dos alunos e a grade curricular do curso.


O jornalista, nascido em Fortaleza, se mudou para a Bahia em 1958, onde começou a se interessar pelos estudos ligados a área televisiva. Ele conta que acompanhou a história da televisão baiana desde o princípio e daí despertou uma grande vontade em analisar o que chama de ‘caixa mágica’. “Comecei como jurado em uma televisão da Bahia e foi daí que se iniciou o meu envolvimento com a televisão”, contou ele durante a palestra.

A partir de suas afinidades, o autor direcionou seus estudos para a área televisiva, se aprofundando durante seu mestrado e doutorado no estado do Texas, nos Estados Unidos. Durante sua estadia na América do Norte, ele conta que teve acesso a diversas informações que não podiam circular no Brasil devido à ditadura militar, o que contribuiu e fortaleceu sua formação acadêmica. A partir de então se tornou uma referência e um dos maiores escritores voltados para o tema televisão. Ao todo já publicou mais de 43 livros, em que 14 tratam sobre televisão.
    Luis Gustavo Santos
Mattos fala aos alunos do 4º período de Jornalismo da UFSJ
Para Mattos, a principal questão acerca da televisão é em como sua história reflete as características sociais e é responsável pelo panorama atual do contexto midiático. “É preciso entender a história do nosso jornalismo e de nossa TV, pois tudo está em contextos que esclarecem a situação atual”, revela. O jornalista declara que ao se contar a história da televisão brasileira conta-se ao mesmo tempo a história do Brasil. O conteúdo e a forma de se fazer TV são conseqüências do contexto político e sócio-cultural de cada governo.

Um dos pontos frisados pelo professor é de que a televisão não “joga” algo pronto para o público, mas corresponde a demanda e ao perfil sócio-cultural do mesmo. Mattos diz não acreditar em críticas ao conteúdo televisivo sem uma análise histórica. “A TV não impõe a programação como muitos dizem. Algumas emissoras chegam até a mudar o conteúdo de acordo com pesquisas feitas com o público”.

Ele conta que, no início, a TV apresentava um conteúdo erudito, que com o passar do tempo foi se popularizando ao se tornar acessível a todos, refletindo assim a condição política da sociedade. Ao ser questionado sobre o que o interessa em relação à TV nos dias atuais, ele diz que gostaria de saber em como as pessoas das classes C e D, que tiveram acesso ao recurso televisivo em meados dos anos 90, evoluíram seus interesses e escolhas de conteúdo à medida que cresceram economicamente. 
Luis Gustavo Santos
Mattos explica o boom da televisão no Brasil   
Apesar de todos os problemas, Mattos acredita que a televisão brasileira é a melhor TV do mundo, e embora esta ainda se prenda a grandes e poderosos grupos, existem programas de qualidade e boas alternativas para se fugir dos oligopólios. O escritor  também expôs seus pensamentos acerca de temas como a linguagem televisiva, os improvisos na TV, as políticas adotadas em relação ao meio, ente outros. Nos momentos finais apresentou e comentou suas obras e fez declarações sobre o que pensa sobre a censura. “A pior censura é ignorar a existência dos outros. A indiferença”, conclui.


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