quarta-feira, 3 de novembro de 2010

As peças de barro do Vale do Jequitinhonha

  Luis Gustavo   
  A exposição conta com mais de 200 peças
Luis Gustavo Santos

O Centro Cultural da UFSJ, de 20 de outubro a 15 de novembro, recebe a exposição “O Barro que encanta”. Com obras de artistas do Vale do Jequitinhonha, o Solar da Baronesa hospeda com charme as mais de 200 peças de artesãos de Minas Gerais. Suas paredes de pedra e tijolos a mostra conferem à mostra um tom natural e aconchegante.


Inaugurada na abertura do 8º Congresso de Técnicas para Artes do Fogo, realizado na Universidade Federal de São João del-Rei, entre os dias 20 e 22 de outubro, a exposição conta com obras de artistas de fama internacional. Entre noivas, bonecas, vasos, animais e cenas do cotidiano do sertanejo do Vale do Jequitinhonha, as peças chamam atenção pela delicadeza e pela técnica.
A superintendente de Artesanato da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Maria Amélia Dornelles Dangelo, é a curadora da exposição e afirma, em texto publicado, que “o olhar não consegue ficar indiferente à cerâmica do Vale do Jequitinhonha, herança indígena que vem perpassando gerações.”
Com centenas de peças de cerâmica em diversos formatos, a mostra conta ainda com tapeçaria e fotografias dos artesãos mineiros, mostrando os processos de produção do material.
Luis Gustavo    
'Panos rendados' de barro pendurados em varais   
Como parte da exposição “Barro que encanta”, do lado de fora do casarão, há diversas peças de cerâmica penduradas em varais. Assemelhando-se a panos rendados - o barro cozido assume tons de branco, preto e marrom.. Em contraste com as paredes brancas e portas e janelas vermelhas do Solar, as obras expandem e confirmam como o barro tem o poder de encantar os visitantes.
Maria de Lourdes Araújo diz estar surpresa com a cerâmica nos varais. “Sai aqui fora porque vi um monte de paninhos pendurados. Como aqui também estão expostos tapetes, pensei serem panos rendados . Como fui criada pela minha avó, sempre fui apaixonada por rendas", conta a professora de 47 anos - que afirma estar impressionada ao ver a riqueza de detalhes que as peças apresentam citando também as cores vivas que o barro exposto exibe. “Não acreditei quando vi, bem de perto, que eram ‘paninhos de barro’. Os detalhes me chamaram atenção do lado de dentro e não pude deixar de conferir. Estou surpresa com essa nova possibilidade de aplicação para o barro. O efeito é fantástico e se fosse colorido, como as outras peças expostas, ficaria ainda mais maravilhoso.”

Resgatando e preservando a cultura local do sertanejo do nordeste de Minas, as peças de argila tem o poder de retratar a história do povo sofrido do Vale do Jequitinhonha.
A curadora afirma que "no barro, a história de um povo que na argila esculpe, pinta e borda, tendo no seu entorno a inspiração permanente que lhe permite perceber toda a dimensão do homem que ali habita, que desafia a vida e não deixa se intimidar nesse desafio.
A mostra - uma parceria entre a UFSJ, Sesc de Minas Gerais, Ceart, Sebrae-MG, Usiminas, Rede Minas e Governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e da Superintendência de Artesanato - pode ser conferida no Solar da Baronesa, Largo do Carmo, das 8h às 20h e tem entrada franca.

Um comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...