sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Doações mantêm viva a Casa de Memória de São Tiago

Michele Santana

Em 2008, São Tiago comemorou 300 anos do início de sua povoação. Por ter sido um momento importante para a cidade, muitas atividades aconteceram, como uma caminhada até o local onde, de acordo com a história, tudo começou. Além dessa e outras atividades, houve a implantação e inauguração do Memorial Santiaguense.

Criado pela Lei Municipal 1122, de 08 de julho de 1992, mas somente implantado e inaugurado em 27 de dezembro de 2008, em comemoração aos 60 anos da assinatura da Lei     de Emancipação do Município de São Tiago, o Memorial é destinado a preservar a história da cidade e de suas personalidades mais ilustres. A Casa de Memória tem sob sua guarda objetos de valor histórico, artístico e cultural, como fotografias, peças antigas, obras artísticas e literárias, honrarias, documentários e outros.


Com    a construção do prédio apropriado ainda estava atrasada para a data prevista da inauguração, a prefeitura municipal alugou uma casa, de construção antiga, no centro da cidade e distribuiu em cada cômodo um pouco da história de São Tiago.

A casa, que pertenceu à dona Florescena Resende, era maior do que hoje e na época (década de 50 e 60), funcionava como pensão. Também no mesmo prédio havia uma mercearia, que as pessoas mais antigas chamavam de “venda”, e um salão de bailes, o Salão Azul. Nos últimos anos, era casa de morada do senhor Wagner Resende, seu “Maninho”, que foi membro ativo da Lira Imaculada Conceição durante muitos anos.

A casa é menor hoje, pois teve parte vendida e modificada, mas é um local que proporciona uma viagem interessante ao passado. Cada um de seus oito cômodos conta uma parte da história, sendo que em alguns deles, há informações especificas sobre pessoas, como é o caso da sala que tem objetos que pertenceram ao Monsenhor Francisco Elói de Oliveira, vigário em São Tiago durante muitos anos. Nascido e criado na cidade, revolucionou-a, empenhando-se para a construção de obras muito importantes, como o Hospital São Vicente de Paula e o Colégio e Ginásio Santiaguense. Também participou da Segunda Guerra Mundial como capelão e selecionou informações sobre a FEB (Força Expedicionária Brasileira) para serem pintadas nas paredes externas de uma das igrejas que construiu na cidade.

Outra personalidade que tem destaque é o padre Tiago de Almeida. Nascido em São Tiago, também era professor, poeta, educador e ator. Revolucionou a educação com o Método Dom Bosco, que é usado até hoje em Manaus, Goiânia e Rio de Janeiro. Foi professor da antiga Faculdade Dom Bosco de São João del-Rei.

Também, outro padre que merece destaque é José Duque de Siqueira, vigário que passou de Ritápolis a São Tiago, onde trabalhou por muitos anos. Ficou famoso por ser rígido e cômico e por ter muitos “causos” conhecidos por todos na cidade.

Além das memórias dessas figuras, o Memorial tem uma sala que conta a história do Colégio e Ginásio Santiaguense, com fotos e objetos usados nos laboratórios de ciências e física, como o Disco de Newton. E outra, com a história da escola estadual Afonso Pena Junior, que atua desde 1927. Entre os objetos, estão um ábaco, mobiliário da época e fotos.                    

Muitos dos objetos são frutos de doações dos santiaguenses que, sendo incentivados pela própria prefeitura em anúncios na rádio local, interessaram-se em dispor de seus objetos antigos para comporem o Memorial.

Uns dos mais antigos são uma moega de milho datada de 1779, uma balança de pesar ouro, procedente da Fazenda das Gamelas, com aproximadamente 300 anos, e uma liteira de 1880, usada na fazenda Rio do Peixe.

De acordo com a zeladora Dayse Campos, o Memorial recebe objetos de qualquer doador, desde que lá não tenha nenhum igual ou parecido, para não ficar muito repetitivo. 

A Casa de Memória de São Tiago fica aberta todos os dias, de segunda a sexta, de 8 às 18h. 

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