sábado, 4 de dezembro de 2010

5ª Cultural anima intervalos no CTAN

Ana Pessoa Santos

Toda quinta-feira, o intervalo no Campus Tancredo Neves (CTAN) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) é marcado por apresentações culturais, organizadas pelo programa 5ª Cultural. O programa tem como objetivo “fazer a produção estrutural para que os mais variados artistas tenham possibilidade de se apresentar, difundindo assim seu trabalho e contribuindo para colocarmos a arte em nossa rotina”, diz uma das integrantes, Rafaella Dotta.
                                         Fotos: Thayná Faria
Apresentação teatral na 5ª Cultural
O programa, que existe desde setembro de 2009, já promoveu exposições de fotos, recitais de poesia, performances teatrais e apresentações de diversas bandas dos mais variados estilos musicais como celta, pop rock, samba e clássico. A 5ª Cultural também realiza oficinas, de diversos temas e ministradas por professores, alunos e técnicos da UFSJ.

A ideia surgiu a partir do momento em que alunos que participavam dos Centros Acadêmicos de Administração e de Jornalismo viram “a necessidade de um espaço para apresentações culturais no CTAN. O curso de Teatro, por exemplo, tinha acabado de se mudar para o campus, mas não víamos movimentações artísticas”, diz Rafaella.

Começou então, um “projeto” só de alunos, que teve como percussores Vinícius Tobias, Wanessa Fagundes, Rafaella Dotta (jornalismo) e Maria Luiza (administração).

Ao começarem a ter problemas para reservar salas e equipamentos de som (para a utilização do espaço e do material da universidade é necessário que um professor se responsabilizasse por possíveis danos), o grupo percebeu que a institucionalização era importante e traria benefícios.

Decidiram então, transformar a 5ª Cultural em um programa de extensão, e convidaram o professor Paulo Caetano, que já participava do projeto, para ser o coordenador.

Hoje, estão envolvidos no programa cerca de oito professores e dez alunos dos cursos de Teatro, Jornalismo, Letras e Música, além de dois técnicos administrativos e colaboradores que se apresentam e ajudam na produção.

Quem se interessar em apresentar na 5ª Cultural ou indicar uma apresentação, pode entrar em contato com a equipe pelo e-mail: ufsj_5cultural@hotmail.com ou pelo blog: www.5cultural.blogspot.com

5ª Itinerante
                                                                                                                                                
Diego se apresenta na 1ª Semana de Jornalismo
A 5ª Cultural organiza ocasionalmente a programação cultural de eventos que acontecem na UFSJ como o Congresso Nacional de Letras, Artes e Cultura (CLAC) e a Semana de Jornalismo. Nestes casos, aconteceram apresentações durante todos os dias dos eventos. O projeto já marcou presença também espaço Manicômicos, no lançamento do curta “Prazer em te desconhecer”.

Cultura de 5ª

Para marcar o encerramento do semestre letivo, a 5ª Cultural organiza o Mini Festival Cultura de 5ª, que tem como objetivo promover um espaço que mescle vários estilos de arte como teatro, música, poesia, dança e artes visuais de forma democrática e popular, valorizando os artistas e seu trabalho. A terceira edição que aconteceu no CTAN em dezembro, foi um sucesso, durando cerca de 12 horas.




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

"Uma piada vende uma edição"


Rafaela Aguiar
                                                                                                                                                     Divulgação
José Maria Rabêlo na UFSJ durante a 1ª Semana Acadêmica de Jornalismo 

O jornalista José Maria Rabêlo esteve na UFSJ durante a 1ª Semana Acadêmica de Jornalismo para uma palestra aos alunos e professores do curso.

Considerado um dos precursores da imprensa alternativa moderna, o jornalista José Maria Rabêlo, nesta entrevista, fala sobre a criação do Binômio, internet e o futuro da mídia impressa.

O diploma universitário não é mais exigido para o exercício da profissão jornalista e, no início de sua carreira ainda não existiam os cursos de Comunicação. Na sua opinião, qual a importância da formação acadêmica no jornalismo?

Acho que ela é complementar. É preciso que o futuro jornalista tenha qualidades literárias, conhecimento. A escola de comunicação deve ensinar são as técnicas de comunicação. Eu até defendo a tese de que os cursos deveriam ser menores, ter três anos de duração. Mas acho importantíssimo que existam os cursos, com a obrigatoriedade do diploma. Agora, Não basta fazer curso para ser um bom jornalista. Quem não lê não escreve. A internet não é leitura,  é um instrumento de comunicação rápida. Mas, para se formar jornalista, com capacidade de escrever bem é preciso que se leia, e leia os maiores autores da língua.

O Binômio era um jornal da chamada Imprensa Alternativa, marcado pela crítica política e pelo humor, sendo considerado pelo Ziraldo como o “avô do Pasquim”. Como foi a criação desse jornal?

Tenho que divergir do Ziraldo, pois essa história de avô do Pasquim pode-se imaginar que eu sou avô dele. O Binômio foi o pai do Pasquim na verdade. Nós (Eu e Euro Arantes)  éramos dois jovens jornalistas e a situação da imprensa de Minas nos deixava muito constrangidos. Então resolvemos fazer um jornal humorístico porque o humor não requer muito papel. Uma piada vende uma edição, sobretudo antigamente, quando o papel da imprensa era muito maior do que é hoje. Então o Juscelino tinha o slogan administrativo do seu governo “Binômio Energia e Transporte” que ganhou autonomia como expressão perante o público. E nós resolvemos lançar contra o Binômio da mentira e da propaganda o Binômio da Verdade(Sombra e Água Fresca) e foi um caso de amor a primeira vista com a população de Belo Horizonte. Foi um sucesso espetacular.

O primeiro número do Binômio vendeu 6 mil exemplares e em 1958 , a tiragem chegou a 60 mil jornais. A que o senhor atribui esse sucesso?

A independência do jornal. O jornal dizia o que os outros não diziam mas que estava na cabeça do leitor. E o Binômio virou um mito e se impôs por isso, pela independência e pela coragem de noticiar os fatos do estado.

É verdade que após a briga com o General Punaro o senhor fugiu de BH vestido de padre?

Os militares cercaram a cidade, destruíram o jornal. Então para sair de Belo Horizonte, eu fui para a casa de um amigo e lá me emprestaram uma batina, que era de um padre de esquerda, Francisco Lage que também foi perseguido durante a ditadura. Essa batina sumiu. Há uns dois nos minha cunhada a encontrou e eu vou doá-la para o museu da Anistia.

E em 64,  vestido de vendedor de café o senhor foi para SP, de onde seguiu para o exílio. Foram 16 anos entre Bolívia, Chile e França. Nesse período, outros fenômenos da imprensa alternativa surgiram no Brasil como o Pasquim e o Movimento. Na sua opinião, qual o papel desse tipo de imprensa na redemocratização do nosso país?

Foi muito bom. Me orgulho disso, fui até diretor do Pasquim quando voltei do Exílio. Agora, eu lamento que não existam jornais alternativos hoje em dia no Brasil. Há jornais políticos, mas não há jornais de grande circulação.

O senhor considera os blogs como um tipo de mídia alternativa?

Isso é um capítulo novo, que está surgindo com um potencial muito grande aqui e no mundo inteiro. Acho que a imprensa alternativa hoje, é exercida pela internet. 

A difusão da internet e o surgimento de novas tecnologias representam o fim da mídia impressa na sua opinião?

Abala mas não significa o fim. Esse hábito de pegar e ler um jornal não há comparação. Quando a TV surgiu, disseram que ela acabaria com o cinema e o rádio, o que não aconteceu. Vamos convier com esse instrumento de democratização da informação e do conhecimento.



domingo, 21 de novembro de 2010

Cinema muito além do digital

Ana Luiza Fernandes
Luis Gustavo Santos
Luis Gustavo      
São João del-Rei tem encontro marcado com o cinema entre os dias 18 e 28 de novembro. A exposição “Tela em movimento: uma história cinematográfica”, presente no centro cultural da UFSJ, pretende levar ao público um pouco da história e do fascínio provocado pela sétima arte.
A exposição promove uma viagem à gênese do cinema, ilustrando através da presença de uma série de equipamentos cinematográficos momentos marcantes do cinema nacional e mundial. Cinema que vai muito além do digital.

Salve o divino! Fé e tradição popular em São João del-Rei

Antônio Ferreira, Fernando Oliveira e Nathanael Andrade
Nathanael Andrade   
  O Imperador do Divino e sua Corte. Festa do Divino de 2009
Todos os anos, nos 50 dias que separam o domingo de Páscoa do de Pentecostes, a cidade dos sinos e da música sacra se transforma. É tempo das festas do Divino, do vermelho escarlate, do ritmo forte dos tambores, dos versos e cantos populares de devoção, das folias.
 Nathanael Andrade   
Grupo de Congado de S. Gonçalo do Amarante

A festa do Divino começou em São João del-Rei com a inauguração da pequena igreja do Sr Bom Jesus de Matosinhos, em 1774. Estas comemorações correram animadas até o ano de 1923. Além dos eventos religiosos, barraquinhas de comidas típicas e de jogos diversos, ocupavam a praça ampla do “pitoresco arrabalde”. Asbandas de música e as orquestras se revezavam no coreto especialmente construído para festa. Eram comuns as cavalhadas, as corridas de touros (touradas), os circos de divertimentos diversos.
   
Em 1924, no entanto, uma determinação de D. Helvécio Gomes de  Oliveira, bispo da diocese de Mariana, pôs fim aos festejos. O motivo “oficialmente” alegado: muito jogo, muita diversão e pouca religião. Para os são-joanenses, a verdadeira razão foi tirar a concorrência com a festa do Santuário de Congonhas, esvaziada pelos festejos em São João del-Rei.
  Nathanael Andrade   
 Ulisses Passareli carrega a bandeira

O tempo passou e a festa, que outrora fora um acontecimento regional se reduziu a uma novena com pequena participação popular. Todavia, as lembranças da festa e a vontade de restaurá-la nos moldes antigos permaneciam vivas no ideário de jovens e velhos entusiastas. Uma comissão foi formada com este propósito nos fins dos anos 90. Em 1998, acontece o tão esperado resgate da festa do Divino, seguindo uma programação parecida com as festas do passado.
  
Ulisses Passarelli fez parte desta comissão e foi eleito o primeiro Imperador do Divino. Ulisses explica a organização da festa: “O Imperador cumpre a função de principal festeiro. É o encarregado de promover e organizar a festa”. Mas não faz isto sozinho, é claro. Mais de uma centena de pessoas e profissionais diversosestão envolvidos na preparação e na execução da festa.
  
A festa do Divino é uma celebração de muitos simbolismos, de muitos significados. Para Passarelli, a maior significação, é a religiosa: “A essência da festa, seu principal objetivo é a adoração e o louvor ao Espírito Santo”. No entanto, segundo o pesquisador, o resgate da festa do Divino vem favorecendo o resgate de outras tradições que a cidade vinha esquecendo como, por exemplo, o florescer de grupos de foliões que a modernidade fez desaparecer.
      Nathanael Andrade       

João Bosco Silva, natural de Emboabas, é morador do bairro de Matosinhos e participa ativamente da festa, desde a sua restauração. “É muito bom ver a praça tomada de gente. A festa tem um colorido bonito, muitas folias vêm de lugares distantes. Agente fica orgulhoso disso.”
  
Luis Marcelo dos Santos, carroceiro, não perde a cavalgada e nem a procissão de Santo Antônio, Imperador Perpétuo da festa. Em sua charrete, carrega familiares e amigos. “Eu gosto de participar. É importante”. – diz ele. “O Espírito Santo dá forças pra gente vencer as dificuldades da vida”.
  
O resgate da festa cumpriu seu papel: Além da devoção, restaurou tradições e elevou a estima de toda uma comunidade. Salve o Divino! Salve! 
 
 
 
 


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jornalista, escritor e professor Sérgio Mattos marca presença na UFSJ

Adriano Moura
Luis Gustavo      


Sérgio Mattos durante aula- palestra na UFSJ   
 O curso de Comunicação Social (Jornalismo) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) recebeu nesta semana a visita do jornalista, escritor e professor Sérgio Mattos, que ministrou uma palestra e conversou com os alunos que cursam o quarto período. Mattos, que é doutor em comunicação e referência nos estudos sobre a televisão, debateu sobre a evolução e seu panorama atual no Brasil. Além disso, também comentou diversos assuntos e práticas do campo jornalístico e relatou um pouco de sua trajetória profissional, contribuindo para a formação acadêmica dos alunos e a grade curricular do curso.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Teatro e ecologia se juntam por um mundo melhor

Thayná Faria
                                                                                          Divulgação
   Adilson Siqueira, diretor geral do projeto

Quando pensamos em sustentabilidade vêm à cabeça mil e uma coisas, mas a arte seria uma delas? Para muitos talvez não, entretanto, para o grupo Movére a arte não só encontra-se nessa lista como também é o item principal dela.
Adilson Siqueira, que atua como coordenador geral e também cria as performances junto com os alunos que participam do grupo, nos disse que o Movére é inspirado em uma ação ecopoética que visa promover uma mudança cultural e social gerada a partir da emoção provocada pelas performances.
Após a volta de um período em que passou fora do país, o professor-doutor veio para a região que se encontrava (e atualmente a situação não é diferente) com grandes problemas relacionados à degradação do meio ambiente. Segundo Adilson, “a arte tinha que fazer alguma coisa a respeito dessa questão da sustentabilidade principalmente aqui na cidade”. Foi a partir dessa constatação e outros questionamentos que surgiu o Movére.

Santiaguenses tem mais acesso ao cinema através do Cineclube Audiovisuai

Ana Pessoa Santos
                                                                  Ana Pessoa Santos
    Mariana Fernandes, coordenadora e produtora do Cineclube
  
Todos os domingos, o Rotary Club de São Tiago recebe as sessões do Cineclube Audiovisuai, projeto sem fins lucrativos que tem como objetivo democratizar o acesso a poduções cinematográficas e valorizar o cinema nacional. Em uma sala com capacidade para aproximadamente 70 pessoas, filmes que são na sua maioria do acervo da Programadora Brasil são exibidos. “Procuro fazer a programação com base em pesquisas de interesse da população, preferências por assuntos e também conforme avalição de cada sessão”, diz Mariana Fernandes, coordenadora e produtora do projeto.

A idéia de montar um cineclube, espaço destinado à exibição, reflexão e produção audiovisual em São Tiago surgiu há dois anos. Mariana, que atualmente estuda Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), diz que “vislumbrava a possibilidade de se discutir políticas, culturas, linguagens e sociedades com a comunidade em geral, não só a acadêmica, a partir do cinema” quando ainda era estudante de Filosofia na mesma instituição.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Resende Costa: a arte de fazer arte

Emanuele Ribeiro
Fernando Chaves

Emanuele Ribeiro    
    O comerciante Édson Ribeiro fala com orgulho do seu sucesso na área artesanal


Com cerca de 10 mil habitantes, Resende Costa é conhecida pela sua produção têxtil artesanal. Essa atividade é responsável pelo impulso turístico vivido pela cidade nas últimas duas décadas e é tida como a principal fonte de renda do município. É comum o visitante ouvir que, por ali, “toda casa tem um tear”. Resguardado o exagero, esse dito revela que a produção têxtil de Resende Costa ainda sustenta características artesanais e acontece, em grande medida, de maneira descentralizada.


Vandalismo: o problema de ninguém

Carol Argamim Gouvêa
Íris Marinelli
                                                                                                                  Carol Argamim Gouvêa
  Placa de identificação para turistas da ponte da cadeia
São João del-Rei, por ser uma cidade histórica e turística, deveria estar sempre bonita, limpa e bem apresentada. Porém, andando pelo centro da cidade, percebe-se claramente que não é isso que acontece. O Chafariz da Legalidade, símbolo da época em que São João foi capital de Minas Gerais, está pichado. Placas de trânsito e pontos de ônibus idem. Casarões coloniais e muros também estão pichados. Até mesmo a delegacia da polícia civil está pichada. Entre corretivo, tintas e sprays, ainda encontram-se bancos e  placas quebrados, aumentando a degradação visual da cidade.


Esses danos podem trazer muitos problemas para São João del-Rei, começando pelo turismo. “O turista em geral se choca com o vandalismo”, como afirma Roberto Maldos, presidente do Conselho Municipal do Patrimônio e funcionário do IPHAN. Pessoas vêm de vários lugares do país justamente para conhecer o patrimônio são-joanense e, encontrá-lo degradado pode ser um motivo para não voltarem mais, prejudicando até mesmo a economia local. Os próximos problemas atingem diretamente os moradores da cidade. Os muros de propriedades particulares são pichados e limpos várias vezes, o que causa danos financeiros a essas pessoas. Placas de sinalização danificadas podem atrapalhar o trânsito e a poluição visual incomoda os moradores. Além disso, é um bem do próprio povo que está sendo depredado.
                                                                                                        Carol Argamim Gouvêa
Portão principal da Escola Municipal Maria Tereza
Mas a questão principal é: quem é o responsável pela proteção e restauração do patrimônio público? O IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, apesar de cuidar do tombamento de construções coloniais e possuir leis de proteção a estas, não é autorizado a interferir diretamente em bens públicos ou particulares – pode apenas denunciar crimes contra os imóveis por ele protegidos. De acordo com Roberto Maldos, o IPHAN deve ser consultado quando a prefeitura deseja fazer alguma alteração nestes, mas apenas o município pode atuar sobre o patrimônio público, assim como os bens privados só podem ser mantidos pelos seus respectivos donos. O Instituto Histórico Geográfico também não é autorizado a fazer qualquer alteração e, segundo José Antônio Ávila, ex-presidente e membro do IHG, a única ação que este pode fazer é a de conscientização da população. Maldos e Ávila concordam que a procuradoria municipal seria a responsável pela manutenção do patrimônio.


A procuradoria municipal, por sua vez, aponta a polícia civil como responsável pela fiscalização dos bens públicos, assim como a Secretaria de Cultura e Turismo – a manutenção, até o fechamento da matéria, ainda não foi assumida por nenhum órgão. A delegacia de repressão a crimes contra o patrimônio da polícia não quis conceder entrevista – e nem mesmo receber os repórteres, deixando a questão sem resposta.


O problema passa de mão em mão e, enquanto isso, a cidade continua suja. Segundo Ávila, até mesmo a limpeza dos bens públicos é considerada infração à lei, proibindo os cidadãos de fazerem sua parte na limpeza do patrimônio.


O Monumento aos Ex-Combatentes é um caso em que a limpeza ocorreu. Em janeiro de 2010 estavam pichados o seu chão e as suas paredes, mas devido a uma solenidade em abril, foram removidas as marcas pelo próprio Exército. Em algumas situações como esta, ou na vinda de uma personalidade importante, por exemplo, alguns órgãos surgem e realizam uma operação que deveria ser realizada frequentemente.
                                                                                                       Carol Argamim Gouvêa
Até mesmo a delegacia da polícia civil está pichada
De qualquer forma, o cidadão são-joanense deve se conscientizar e entender que é ele o mais afetado pelas ações danosas contra o patrimônio. “Quando a cidade é cuidada dá a impressão de que está tendo atenção e o cidadão passa a ter carinho e entender que o espaço também é seu. O patrimônio é de todos e para todos e não só dos governantes”, lembra Roberto Maldos. Ele também afirma que além de cuidar e ajudar a manter, a população pode, inclusive, mover ações jurídicas contra o órgão responsável pela manutenção, se este não cumprir o seu papel. O problema, novamente, é encontrar o tal órgão responsável.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Quati, o Mestre do Carnaval

Carolina Gouvêa
Kátia Lombardi  
  Mestre Quati e seus bonecos
    


Os olhos de Mestre Quati são pequenos e profundos. Não nos encaram, não se sentem confortáveis em olhar diretamente em nossos olhos. Ou, talvez, simplesmente se preocupem com coisas muito mais importantes: as cenas invisíveis que passam diante de seu rosto, as lembranças que parecem tomar vida em sua frente. Quati encara apenas o horizonte e nele se deixa perder enquanto fala. Parece viver outro momento.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Uma sinfonia badalada

Natasha Terra Passos, Antônio Ferreira, Fernando Paulo de Oliveira e Thiago Longatti


Talita Andrade    
   Sinfonia dos sinos, inspirada em espetáculo em Diamantina, incorpora tradição musical em São João del-Rei


São João del-Rei é conhecida nacionalmente como a cidade dos sinos, por possuir várias igrejas que utilizam as badaladas para trans­mitir diversas mensagens, principalmente religiosas. A tradição são-joanense da linguagem dos sinos está sendo finalmente resgatada, valorizando a cultura local, através do espetáculo de música “Sinfonia dos Sinos”. A primeira edição do evento foi apre­sentada em junho deste ano. No dia 16 de setembro, no Largo do Rosário, foi realizada a segunda edição. 

O homem da máquina


Carol Argamim Gouvêa
Íris Marinelli
André N. P. Azevedo     
O maquinista Alexandre Augusto Goddi Campos tem orgulho em atender os turistas

Dez horas da manhã. Havia fumaça e vapor por todos os lados quando encontramos o homem de uniforme pela primeira vez. Enquanto ele se dirigia para a máquina, entrávamos em um dos vagões admirando o cenário de filme antigo: sofás de couro e paredes de madeira conservados por mais de um século. Tudo remetia ao passado. E, então, a Maria Fumaça soou pela primeira vez o apito, dando início ao seu trajeto até Tiradentes.


A viagem demorou 40 minutos. Durante o caminho, crianças acenavam e moradores de São João del-Rei admiravam a locomotiva. Depois, a paisa­gem foi tomada por fazendas, serras e rios, que completavam o cenário da viagem. Foi apenas em Tiradentes que encontramos o homem de uniforme outra vez. Alexandre Augusto Goddi Campos, o maquinista. Figura interessante de se conhecer, com alma de Maria Fumaça.

Alto, magro e sorridente. Logo à primeira vista Alexandre parece uma pessoa feliz, orgulhosa. Ele fez questão de ser entrevistado no vagão da loco­motiva, onde se sentou confortavelmente, como se estivesse em casa. Sem parar de falar um segundo e sempre gesticulando muito, o maquinista de 39 anos contou sua história de amor à Maria Fumaça.

Formado em 1998 em Engenharia Mecânica pela UFSJ, entrou como voluntário na estação em 2002, após passar toda a infância admirando o trem que passava em frente a sua casa. Apaixonado pelo que faz, recusaria qualquer proposta de emprego melhor se esta significasse o fim de seu trabalho na ferrovia. E mais do que isso, Alexandre é quase um român­tico. “Tenho paixão pela locomotiva. Amor mesmo, como se fosse minha. Eu a trato igual mulher, trato bem.”

O condutor conta algumas curiosidades sobre a Maria Fumaça, explica seu funcionamento, lembra de histórias. Segundo ele, várias celebridades já viajaram naqueles vagões e alguns filmes e novelas já tiveram o trem como pano de fundo – o próprio Alexandre participou destes ao vestir figurinos de época.
 Carol Argamim Gouvêa    
Alexandre: paixão pela locomotiva

A verdade é que Alexandre é quase uma celebridade nas estações de São João del-Rei e Tiraden­tes. É sempre muito procurado pelos turistas, que querem ouvir curiosidades, tirar fotos e conhecer a caldeira, o que o faz ter contato com pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo. Alguns turistas acabam se tornando até mesmo amigos do maquinista, voltando de tempos em tempos e mandando cartões e fotos. Além disso, Alexandre já foi entrevistado por alguns programas de TV e, principal­mente, pelos participantes das oficinas da Mostra de Cinema de Tiradentes. Isso o deixa muito orgulhoso – ele faz questão de lembrar amigos e entrevistas.

Mas nem tudo é fácil na vida de maquinista. Só de se aproximar da máquina, pode se sentir o calor forte que vem da caldeira, quase insuportável.

Alexandre tem que aguentar todos os dias esse calor, durante toda a viagem e, para isso, utiliza equipamentos de segurança – como botas de aço (de quase 2 kg cada uma!), óculos e abafador de ruído. Também possui algumas obrigações extras, como cursos anuais de simulador de trem e de caldeiras em Belo Horizonte. Para completar, finais de sema­na e feriado são os principais dias de trabalho para Alexandre. “Tem que gostar muito desse trabalho, pois é muito difícil”, afirma.

Mas ele ama tanto esse ofício. Muito entusiasma­do, ele conta como é gratificante trabalhar em lo­comotivas que possuem mais de um século, ressal­tando como é importante manter a tradição, já que a Maria Fumaça mudou a sua função, passando de comercial para turística. Ele afirma que antigamente a linha do trem era bem maior, com estações em Pra­dos, Antônio Carlos e Barroso -agora, a locomo­tiva só vai até Tirandentes, por isso a necessidade de manter essa linha e as características originais dos vagões.

Fizemos a Alexandre uma última pergunta, algo que havia nos intrigado durante a viagem, sobre o porquê de o trem apitar tanto. “Porque isso faz parte da tradição e porque é obrigatório apitar nos cruza­mentos para alertar os carros. Os turistas e o povo de São João também acham bonito”, responde. Alexandre conta que ainda tem um apito preferido, pois das duas locomotivas em atividade, um possui dois tons diferentes de sonoridade. “Quando escutam o trem se aproximar, as pessoas acenam. Não viram minha mãe dando tchau da janela de casa?”, disse ele, sorrindo.

Após conversar animado por mais de meia hora, ele termina a entrevista. Mas, antes de se despedir, faz questão de mostrar o funcionamento da caldeira e tirar fotos – ele adora fotos, por acaso. Por fim, ele se despede e entra na máquina. A locomotiva ganha vida. E então, mais uma vez a Maria Fumaça soa o apito. Ou seria Alexandre?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

São João del-Rei: Terra de Livres

 Luis Gustavo Santos
 Luis Gustavo    

O espetáculo Terra de Livres, que inclui em seu elenco artistas locais, faz suas últimas apresentações nos próximos meses. Sábado, 6 de novembro, às 21h, acontece a penúltima apresentação do grupo.  A data da última encenação ainda não foi marcada, mas deve acontecer no feriado de 8 de dezembro, aniversário da cidade.

As peças de barro do Vale do Jequitinhonha

  Luis Gustavo   
  A exposição conta com mais de 200 peças
Luis Gustavo Santos

O Centro Cultural da UFSJ, de 20 de outubro a 15 de novembro, recebe a exposição “O Barro que encanta”. Com obras de artistas do Vale do Jequitinhonha, o Solar da Baronesa hospeda com charme as mais de 200 peças de artesãos de Minas Gerais. Suas paredes de pedra e tijolos a mostra conferem à mostra um tom natural e aconchegante.


Inaugurada na abertura do 8º Congresso de Técnicas para Artes do Fogo, realizado na Universidade Federal de São João del-Rei, entre os dias 20 e 22 de outubro, a exposição conta com obras de artistas de fama internacional. Entre noivas, bonecas, vasos, animais e cenas do cotidiano do sertanejo do Vale do Jequitinhonha, as peças chamam atenção pela delicadeza e pela técnica.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Se Deus não é brasileiro, o papa quase foi

Fabrício Brandão e Wanessa Fagundes


     Padre Ramiro José Gregório, diretor do Memorial    
     Foto: Wanessa Fagundes
 Quem passar despercebido pela Rua Getúlio Vargas (antiga Rua direita), perderá a oportunidade de conhecer em São João del-Rei, a história de mais um de seus ilustres personagens. Em frente à igreja do Pilar está localizado o Memorial Cardeal Dom Lucas Moreira Neves, erguido em 16 de setembro de 2003, por ocasião da comemoração de seu primeiro aniversário póstumo.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Muito além da “Esquina do Kibon”...

Adriano Moura

Claudionor: o responsável pelo nome da 'Esquina do Kibon'
Foto: Adriano Moura
Localizada na parte central de São João del-Rei, a “Esquina do Kibon” é onde se encontra um dos maiores pontos comerciais da cidade, que além de funcionar durante todo o dia, também possui uma vida noturna ativa, sendo um grande foco para festas e comemorações. Conhecida sob este título desde a década de 50, a região abriga uma das personalidades são-joanenses mais conhecidas: o responsável pelo nome que se tornou um referencial, Claudionor Ferreira de Moura. Mas não é na esquina ou no calçadão que a história começa, e sim na porta do famoso bar, o Kibon.

Trabalhos manuais são-joanenses: cultura, tradição e arte por um fio

Quéfrem Vieira

     Fotos: Quéfrem Vieira

Nas janelas coloniais, nos cachecóis que protegem do frio, sobre as mesas de jantar ou nos pequenos detalhes da decoração doméstica, os trabalhos manuais se fazem presentes no nosso cotidiano. Contudo, muitas vezes não paramos para admirar e dar a devida atenção aos bordados antigos, aos de ponto-de-cruz e aos em pano xadrez, ou aos fios do crochê e do tricô, cuidadosamente entrelaçados por mãos experientes e talentosas.

I SEMARQ acontecerá na próxima semana

Escultura flamejante emociona público em São João del-Rei

Adriano Moura 

    Nina Hole observa sua obra
    Foto: Marcius Barcelos
A artista plástica Nina Hole desembarcou em São João del-Rei nas primeiras semanas de outubro para o 7º Congresso Nacional das Artes do Fogo (Contaf), que este ano foi sediado na cidade pela UFSJ. Hole, que é famosa por suas obras em cerâmica e reconhecida por expor sua arte em diversas galerias ao redor do mundo, foi uma das principais atrações do evento. A artista veio à cidade para desenvolver um tipo de escultura flamejante, despertando curiosidade e emoções. 

Nascida na Dinamarca, Hole conta que estudou nos Estados Unidos, onde além de aprimorar suas técnicas e conhecimentos, passou a entrelaçar os estilos tradicionais de ambos os países. Essa mistura se tornou uma de suas principais características e especificidades. A dinamarquesa logo se tornou um nome importante e respeitado no campo, articulando um estilo livre e diferenciado.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Livro sobre jornalismo regional foi lançado no Centro Cultural da UFSJ

Ana Pessoa Santos

  Os organizadores Filomena Bomfim e Roni Petterson
  Foto: Ana Pessoa Santos
O lançamento do livro Tom Regional: a voz dos filhos da terra reuniu várias pessoas no último dia 14 de outubro, no Centro Cultural da Universidade Federal de São João del-Rei.  A publicação apresenta 14 artigos de diversos pesquisadores sobre jornalismo regional e foi organizada pela professora do curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFSJ Doutora Filomena Maria Avelina Bomfim e pelo professor da Universidade Federal de Roraima, Mestre Roni Perrerson de Miranda Pacheco.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Wangui, o impressionista colonial

Marcelo Alves 
                                                                                                                                       Marcelo Alves
Wanderley Mario Guilherme, mais conhecido por Wangui, é um artista plástico sãojoanense que trabalha com a reciclagem de materiais por meio da arte. Ele mora com sua irmã Cecília e uma cadelinha chamada Susi, numa pequena casa no centro da cidade. O Observatório da Cultura teve o privilégio de visitá-lo e saber como Wangui desenvolveu seu estilo e o começo difícil da carreira de um jovem artista, sua paixão pelas pequenas coisas e a tendência da fabricação e reprodução na arte.

Na apertada sala, o visitante se depara com as obras na parede, muitas delas feitas sobre inusitados taquinhos de madeira, desses que se põe no chão. Há uma vitrine de doces que sua irmã, Cida, vende à meninada da vizinhança. O material que ocupa uma parte do local tem nome controverso: uns chamam de lixo, outros, de materiais recicláveis. Wangui, de futuras obras de arte. 

Intimismo Colonial 

Wangui pinta o Intimismo Colonial. Com cores marcantes e formas imprecisas, ele retrata os casarões e a realidade de sua tão amada São João del-Rei. As matizes contrastam e dançam ao olhos do admirador, mas não o agridem, têm um balanço eficiente. “Não consigo realizar o trabalho sem o céu e a montanha de fundo, lembrando as Minas Gerais”, diz o perfilado. 

O artista quando jovem 

Ele conta que sempre teve uma ligação muito forte com o desenho e com a natureza. Desde a infância, conviveu com o quintal, com as árvores e a terra. Passava seus dias desenhando e sonhava em se tornar um pintor. Tinha o sonho de criar um quadro só. Descreve que foi à papelaria e comprou as cores básicas de tinta e uma tela. Fez o desenho em 1979, a partir de um rosto de uma revista.

Contudo, esse quadro não foi o único, não contentou o artista. Wangui procurou, com a ajuda de sua irmã, alguém que lhe ensinasse uma técnica de pintura. Daí para frente, ele só foi se aprimorando, passando do desenho para o óleo. “Demorei seis meses para pintar meu primeiro quadro com óleo”, afirma. 

Ascensão 

Wangui foi caminhando e pintando. Com dificuldades, ele fazia exposições curtas, em pequenos locais. Em 1990, ele relata que foi preciso muita coragem para ir ao campus Santo Antônio, da então FUNREI, tentar inscrever suas obras no 3º Inverno Cultural. “Com tamanha surpresa que descobri que fora aceito. A FUNREI me apresentou como artista perante a sociedade”, reconhece Wangui.

Daí foi uma exposição atrás da outra: apresentações de trabalhos, feiras, coletivas e lançamentos. Suas participações e o reconhecimento de sua obra aumentavam. O artista alcançava maturidade quando seu pai morreu. Wangui diz que foi como um movimento reverso em sua vida, pois o fez caminhar “a esmo, sem sentido”, ficando, de fato, “no chão”.

Em 1997, tentando se restabelecer, Wangui foi convidado pela Caixa Econômica Federal para uma grande exposição, que ele chama de luz no final do túnel. “Isso me levantou, me deu nova tomada na vida. As feiras e participações voltaram”, narra o artista. 

O auge 

Em 2000, houve a primeira retrospectiva de seu trabalho, marcando os 21 anos de carreira. A exposição, no Museu Regional, foi intitulada A maior idade de um artista, Wangui, 21 anos de arte, traços retrospectivos. O evento marcou época, tendo agrupado mais de 100 quadros de todo esse período.

Assim, começaram os convites para Wangui lecionar. Isso o levou aos bairros, estimulando o desenvolvimento da pintura fora do centro, o que resultou em duas exposições: Se tudo termina em pizza, por que não em arte? e Saudações Patrimoniais. Esta foi marcante para ele, pois trouxe à tona a discussão de um método para levar a temática da preservação arquitetônica às escolas.

Ao se tornar um professor, Wangui recebeu muitos convites para ensinar. Ele ressalta que a mais gratificante de todos foi no Centro de Atenção Psicossocial de São João del-Rei (CAPS), onde ele mostrou a pintura a pessoas acometidas por transtornos mentais. “Hoje, se eu pudesse escolher, entre ensinar uma pessoa normal e outra com deficiência, escolheria a última, por tudo aquilo que eles nos passam. Gosto demais dessa experiência. Quando não posso ir, sinto falta deles”, conta o artista e professor. 

Reciclagem 

De quinquilharias a arte ou quem diz que tudo é arte? foi o nome da exposição de Wangui que carregou a temática da reciclagem. Para ele, todo material pode ser transformado em arte, como um CD, uma pedra, um taquinho, ou uma tábua de carnes. Assim, ele foi diversificando suas técnicas: “todo material que eu tenho, transformo em arte. Com a arte, pode-se transformar todos os males do mundo. A arte é infinita”, conclui. Frequentemente, a entrevista era interrompida por vizinhos, pois Wangui é conhecido por seu trabalho de reciclagem e as pessoas costumam levar material para ele, como jornais, plásticos, madeira, entre outros. 

A arte e a sociedade 

Wangui afirma que sempre pinta ao som de alguma música. Suas favoritas são as de Bossa Nova e MPB. Ao chegar à entrevista, disse estar vindo de um programa de rádio, no qual relatou algumas de suas experiências. Para ele, um artista não pode reclamar quando um órgão da impressa publica uma foto sua ou menciona seu nome. “Isso é errado. Eu adoro quando um jornalista vem até mim e me faz perguntas. Mostra que meu trabalho está sendo reconhecido, que outras pessoas gostam do que eu faço. Vivemos na época da comunicação total, não há como lutar contra isso”, argumenta.

Ele defende que música, pintura, cinema, poesia, teatro e dança estão interligados e constituem uma só forma de arte. Todas elas comunicam ideias, emoções, concepções de vida. Por isso, a comunicação também é uma arte. “Ontem uma pessoa me disse: ‘Wangui, você tem a comunicação na ponta da língua’. Respondi: a gente tenta fazer isso por meio da arte.”

Wangui explica que o artista é um ser iluminado na sociedade. Ele passa luz, vida e emoção a indivíduos que podem estar angustiados: “as pessoas estão com tantos problemas e frustrações, mas a vida é tão maravilhosa. Tento mostrar isso nos meus quadros pelas cores e experiências transmitidas”.

“A arte precisa ser valorizada e a sensibilidade das pessoas, estimulada”, diz Wangui, que observa, com interrogações, o sentido e a definição de Arte. Para o perfilado, ela é feita com o coração e sentimento: “um quadro não precisa ser grande e altamente técnico. Trabalho com elementos simples, em taquinhos, mas o faço com o coração”, revela.

O artista afirma que vê muitas coisas serem chamadas de arte sem o merecer. Segundo ele, a fabricação e a reprodução estão sendo cada vez mais valorizadas na sociedade, em detrimento da criação.  Isso acontece em função do valor de mercado e da intenção de fabricar para vender. “Arte, mesmo, não vejo nada. Fabricar é fazer aquela quantidade de coisas, sem colocar sentimento. Mas criar é um processo orientado pela inspiração. O quadro é uma vida, um filho, uma composição de ideias e emoções. Um verdadeiro pintor só pinta um quadro uma vez”, finaliza Wangui.
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